O contraste entre o passado e o presente de RAYE chega a ser cinematográfico. Hoje, a britânica de 28 anos comanda uma banda de 21 músicos no palco do lendário Radio City Music Hall, em Nova York, divulga o elogiadíssimo segundo álbum This Music May Contain Hope (2026) e se prepara para rodar o mundo abrindo a turnê de estádios de Bruno Mars. No entanto, para chegar ao topo de sua era independente, ela precisou primeiro romper com um sistema que a estava sufocando.
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O grito de independência
A trajetória de sucesso estelar que vemos hoje nasceu de um grito de socorro virtual. Em 2014, ao assinar com a Polydor Records, RAYE acreditou que o seu sonho de lançar um álbum completo se realizaria. Em vez disso, ela viveu um pesadelo de sete anos. A artista foi colocada na “geladeira”, forçada a lançar singles esparsos de música eletrônica e usada pela indústria como compositora de luxo para dar hits a nomes como Beyoncé, Charli xcx e Ellie Goulding.
Completamente impotente, o limite foi ultrapassado em 2021, quando ela publicou uma série de tweets expondo a sua situação. A frase que mudou tudo? “Cansei de ser uma estrela pop educada. Eu quero fazer o meu álbum agora, por favor, é só isso que eu quero.” Vinte dias após o desabafo que chocou o mercado, ela foi liberada de seu contrato.
“Quando me tornei independente, fiquei absolutamente aterrorizada”, confessa a cantora. “A pessoa que sou agora é tão diferente. Eu realmente gosto de quem eu sou agora. Eu não gostava de quem eu era naquela época. Aquele tempo todo simplesmente não foi saudável, e de algumas partes eu nem me lembro.”
Sororidade pop e a cura pela música
A transição para o sucesso estratosférico de seu álbum de estreia de 2023, My 21st Century Blues (impulsionado pelo hit viral “Escapism.”), também envolveu enfrentar fantasmas pessoais. RAYE lidou com dependência, pressões estéticas e sobreviveu a abusos sexuais na indústria — traumas que abordou abertamente na catártica faixa “Ice Cream Man.”.
Nessa jornada de cura, o apoio de outras grandes artistas foi fundamental. Charli xcx foi uma das primeiras a acolhê-la, dando dicas de como dominar o palco e construir autoconfiança. Durante turnês como ato de abertura, ela também recebeu injeções de ânimo de nomes como Halsey, Taylor Swift e SZA. Esta última não poupa elogios à britânica: “Espero que ela chegue ao nível de Céline Dion em sua carreira. É inacreditável a escrita, a voz e o comprometimento dela com a verdadeira arte”, declarou SZA à revista Billboard.
Enfrentando o fantasma das comparações
Sem dever nada a ninguém e com seis BRIT Awards recém-conquistados na prateleira, o seu segundo álbum, This Music May Contain Hope, soa gigante e destemido. O projeto maximalista passeia entre rap, ópera, jazz e pop, sem medo de colocar o dedo na ferida.
Na faixa “I Will Overcome.”, RAYE aborda de frente o peso das frequentes comparações com a lendária Amy Winehouse e a forma tóxica como a mídia trata artistas vulneráveis. “Amy passou por ser repreendida e aniquilada através das palavras — pela imprensa, pelo público. E a maldade nos insultos, as flechas de suas línguas, são os mesmos demônios com os quais vocês a torturaram”, canta ela. Sobre os versos contundentes, RAYE explica: “Eu só queria dizer isso, porque recebo muitas coisas lindas e amáveis. Mas, infelizmente, as coisas negativas são simplesmente mais barulhentas.”
Negócio de família e o espírito incansável
Para garantir que o ambiente abusivo do passado não volte a assombrá-la, a artista estruturou o seu projeto como uma verdadeira “empresa familiar”. Seu pai, Paul Keen, assumiu o cargo de empresário para garantir que ela se sentisse segura, enquanto sua mãe, Sarah, atua como uma “mãe profissional” zelando pela saúde mental de toda a equipe e banda na estrada. Como se não bastasse, suas irmãs mais novas, Amma e Absolutely, são as responsáveis pelos shows de abertura da atual turnê.
Mesmo com o status de superstar global carimbado, RAYE faz questão de manter o espírito batalhador que a tirou do ostracismo. Durante os seus badalados shows recentes, ela surpreende os fãs ao exibir um cartaz com um QR Code apontando diretamente para a página de vendas de seu novo disco. “Nós podemos ter esgotado o Radio City”, pisca ela para a plateia extasiada. “Mas eu ainda sou uma artista independente!”
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