Com a estreia do filme Cansei de Ser Nerd marcada para o dia 14 de maio nos cinemas, a atriz, diretora e criadora de conteúdo Ana Carolina Sauwen dá um novo passo em sua trajetória. Conhecida por explorar as contradições do cotidiano feminino com muito humor, ela agora interpreta a vilã Amanda, uma personagem que desloca expectativas e aposta no desconforto como sua principal linguagem.
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O riso através do desconforto e os bastidores
No longa-metragem, Ana contracena com o ator e comediante Fernando Caruso e investiga um novo território: aquele em que o riso não nasce do reconhecimento imediato, mas sim do estranhamento. “Me interessa esse lugar onde o riso não vem do conforto, mas de algo que desorganiza um pouco”, afirma a atriz. Segundo ela, sua personagem fala como se estivesse sempre seduzindo alguém, mas de um jeito peculiar que gera mais tensão do que identificação direta.
As gravações também renderam momentos inusitados na vida real. Ana relembra que, ao final de um dia de filmagens, foi para casa ainda caracterizada — usando uma peruca rosa e coberta por sangue cenográfico. O resultado? O porteiro do seu prédio tomou um susto enorme e até se ofereceu para chamar atendimento médico.
Apesar da tensão da personagem, o clima no set foi de muita leveza. “O Caruso é um comediante que eu já admiro há muitos anos. Nesse projeto, ele virou, além de tudo, um amigo muito querido. É bonito demais ver a maneira como ele se apropria do texto e entrega comédia da melhor qualidade”, elogia Ana.
Maternidade real: “Da Mama ao Caos”
Com mais de 20 anos de carreira e uma forte presença nas redes sociais — onde reúne mais de 60 mil seguidoras —, a artista se define como “a atriz que ri de tudo que dá vontade de chorar”. Esse olhar que transforma a tensão em arte se desdobra em seu solo de comédia Da Mama ao Caos, em cartaz no Teatro Café Pequeno, no Rio de Janeiro, de 6 a 27 de maio.
No espetáculo, a maternidade surge sem qualquer tipo de idealização, sendo atravessada por temas pesados como sobrecarga, culpa e a exaustiva busca pela perfeição inalcançável. “A maternidade me ensinou a cuidar de mim, por mais contraditório que isso possa parecer. Entendi que meu filho precisa de uma mãe inteira, e não de alguém que esteja só a serviço dele”, pontua.
Vencendo a síndrome da impostora
Além dos palcos e das telas, Ana Carolina leva essas discussões para o ambiente corporativo com a palestra Muito além do parabéns, abordando os mecanismos invisíveis que impactam a trajetória das mulheres no mercado de trabalho.
“Sinto que, durante muito tempo, duvidei da importância do que eu estava dizendo e enfrentei a síndrome da impostora. Quando fui entendendo esses mecanismos, percebi a importância da minha voz: o quanto o que eu digo é um alento e um conforto para as mulheres, que se sentem representadas”, reflete a atriz, que segue construindo uma jornada coerente entre o humor, a crítica e as vivências reais.
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