Max Viana. Foto: Divulgação/Marcos Hermes
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PopEntrevista: Max Viana, filho de Djavan, lança álbum pela Universal Japão e fala sobre artistas populares no Brasil

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“Caiu na rede, é peixe”. O velho ditado, usado pelos nossos avós, parece ter uma nova conotação nos dias atuais. A internet difunde, diariamente, um par de informações de todos os segmentos, se formando ainda como um local de disseminação de cultura e produção de conteúdos. Com o surgimento do YouTube e a popularização dos famosos canais, diversos digital influencers surgiram em todo o planeta, arrastando uma legião de fãs. E assim acontece ainda no ramo musical. Quando você quer “bombar” ou apenas mostrar seu trabalho, as redes sociais servem para isso.

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Mas nem todos almejam sucesso na internet. Artistas como a britânica Adele e Max Viana, cantor e compositor brasileiro filho do Djavan, vêm nadando contra a corrente e apresentando seus trabalhos autorais “do jeito antigo”, produzindo álbuns físicos. A proposta cria, diretamente, identificação com seu público alvo, uma vez que formas mais tradicionais de consumo de músicas como o comércio de leitores de discos de vinil, vêm reacendendo o mercado e transformando o “antigo” em tendência.

Em entrevista ao PopNow, Max Viana afirmou reafirmar a causa. Lançando seu álbum pela Universal Japão, o brasileiro se declara “old school”, mas reforça que o trabalho nas redes sociais deve, sim, ser feito. Durante o papo, que aconteceu por telefone, o artista falou ainda sobre sua relação com a música brasileira, deu detalhes da produção do novo álbum, contou sobre como surgiu a ideia de lançar o projeto no Japão e falou até sobre Jojo Todynho.

Max Viana. Foto: Reprodução/Instagram (@iwairenato)

Max Viana. Foto: Reprodução/Instagram (@iwairenato)

Confira a entrevista:

PopNow: Você está lançando “Outro Sol”, seu quarto álbum, primeiro pela universal. Como foi fazer o trabalho?

Max Viana: Eu gosto muito de fazer esse processo todo, inclusive eu acho pra mim o que faz sentido é exatamente isso. Eu estou fazendo um disco que vai quase na contramão da indústria. O mercado faz sempre a coisa dos lançamentos nas plataformas, um clipe, depois uma outra música… eu mantenho um formato de álbum com 10 faixas, que tem ainda aquela ideia quase que romântica daquela história, das músicas que “falam” umas com as outras. Mesmo que as pessoas não consumam mais dessa maneira, é o que me dá prazer. O processo de composição, de arranjos, toda vez que eu componho uma música eu já penso mais ou menos como ela poderia soar, que tipo de experimentação a gente poderia usar e tal. Então é um processo que eu gosto muito de fazer inteiro. Nesse, pela primeira vez eu tive o Renato Iwai que foi produtor do vídeo junto comigo, e foi muito bacana ter alguém para dividir essas tarefas, as decisões e tudo mais.

PopNow: Você vêm na contramão do digital. Você se considera “old school”?

Max Viana: Eu acho que é quase, mas não é ser da turma “old school”. Eu acho que é aquela coisa de manter hábitos que te fazem bem – independente de ao mesmo tempo não deixar de se adaptar a coisas novas. Eu ouço música no Spotify e acho adoro a quantidade de músicas que temos disponível. A gente tem acesso a uma quantidade incrível de informação, a gente tem acesso a essas informações sejam elas escritas, cantadas, biografias, histórias. E a gente pode pegar pequenas pílulas que já tem uma história completa. Eu pensei em fazer um disco que a mensagem completa só é passada quando vocês ouve o disco inteiro. Claro que uma música não depende da outra, mas eu acho que a intenção era poder contar uma história. Um artista contemporâneo que faz muito isso é o Justin Timberlake. Eu gosto dessa sensação de conseguir entender o artista por completo. Então mais do que ser “old school” ou não, é ter tempo para contar uma história.

PopNow: Você tem um estilo próprio, que junta elementos da MPB, Black Music com um pouco de Jazz e Soul e varias faixas suas são baseadas nesse estilo. Como você chegou até ele?

Max Viana: Eu acho que isso tem a ver com a minha formação musical. Eu sou amante de música que ouviu de tudo. Quando eu era criança eu tinha desde o brega, João Bosco, Caetano, meu pai com aquelas letras maravilhosas, o rock dos anos 80, Paralamas misturando o rock com coisas brasileiras, Stevie Wonder, Michael Jackson bombando, o surgimento dos videoclipes, etc. Eu cresci nessa época, então é natural eu não estar preso a um mercado cultural. Eu estou preso à música, e não à alguma regra. A minha intenção é juntar tudo isso num caldeirão e fazer essa mistura.

PopNow: “Outro Sol” está sendo lançado no Japão, como é a sua relação com a “terra do sol nascente”?

Max Viana: Eu fui pra Japão a primeira vez em 2015 e foi a partir dessa viagem que surgiu a ideia de lançar um disco pra lá. Só que essa ideia ficou um pouco adormecida porque o produtor que me levou a primeira vez não deu certo. Depois eu conheci um outro produtor, que é o Renato Iwai e fez a ponte pra eu ser um artista brasileiro mas lançado pelo Japão. Eu vou voltar lá esse ano (em dezembro) para o lançamento.

PopNow: Você já trabalhou com diversos artistas, dentre eles seu pai. Tem alguém com quem você ainda não trabalhou, mas que gostaria de colaborar?

Max Viana: Tem muitos. Eu acho que o mundo musical hoje em dia é muito propício a esse tipo de coisa. Ele proporciona muitas junções com muitas pessoas. Eu fiquei muito feliz de gravar com a Claudia Leitte e com a Alcione. Quero sempre poder interagir e cantar com outros músicos. Isso dá uma enriquecida no trabalho e é uma troca de experiências muito bacana.

PopNow: A MPB vem se renovando e trazendo artistas novos como Alice Caymmi, e outros grandes nomes. Como você vê essa nova MPB?

Max Viana: Eu acho que é uma coisa natural que a gente possa ter cada vez mais possibilidades de mais artistas, para que mais pessoas possam ter lugar para mostrar suas músicas. Isso é a melhor coisa da internet. Você pode ser independente do mercado, mesmo que ele ainda ditem as regras. Por isso a interação dos novos artistas com o público através das redes sociais é muito importante – porque é mais democrático. Antigamente dependíamos de uma gravadora para mostrar o artista ao público, hoje o público pode descobrir artistas e os artistas podem ir até o público.

PopNow: Nós temos visto, cada vez mais, artistas brasileiros colaborando com cantores internacionais. Esta é uma vontade sua?

Max Viana: Eu não fico pensando muito pelo prisma do sonho assim, mas tem muitas pessoas que eu penso. Bruno Mars, Justin Timberlake. Mas eu sou mais próximo à quem está no meu mundo e sou gratos pelas parcerias que já tive.

PopNow: O que te inspira?

Max Viana: A vida cotidiana, as coisas simples, o dia-a-dia, eu sempre acho que você pode estar na situação mais privilegiada, mas o momento que vai ficar mais na sua cabeça foi aquele que você sentou para tomar uma cervejinha com seus amigos, aquele vinho que você bebeu com sua mulher. Sou muito apegado ao cotidiano, minha família, meus amigos.

 

 

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