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Majur. Foto: Reprodução/Instagram (@majur)
PopEntrevista

Majur opina sobre ‘Espaço Favela’ e fala sobre diversidade no Rock in Rio

Foto: Reprodução/Instagram (@majur)

*com colaboração de Mari Barcelos e Filipe Fernandes.

Com o crescimento da indústria musical brasileira e sua amplitude no mundo, diversos artistas vem surgindo com pegadas diferentes, ritmos, estilos, e tudo mais. Apostando em representatividade, Majur é um grande exemplo disso. Cantora não-binária (pessoa que não se identifica com os gêneros masculino e feminino), ela é uma das maiores representações no segmento e vem sendo vista por fãs e imprensa. Em passagem pelo Rock in Rio, a cantora falou ao PopNow sobre o evento, e opinou sobre o Espaço Favela.

De acordo com Majur, é importante esse pensamento de crescimento de representatividade no evento já que este ano, diversos artistas LGBTQIA+ ganharam espaço no festival, incluindo em um dos camarotes de patrocinadores, que ganhou visual inspirado na bandeira LGBT.

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Majur falou ainda sobre a parceria “AmarElo“, música gravada com Emicida e Pabllo Vittar.

Confira a entrevista:

Portal PopNow: Majur, eu queria começar falando com você sobre representatividade. Essa edição é uma das mais representativas de todos os anos. Eu queria saber de você, como artista não-binário, como você vê essa questão da representatividade hoje no festival?

Majur: Eu acho que nós deveríamos entender que o Brasil é feito de diversidade. E nós temos múltiplas diversidades. Eu como não-binária sou uma delas e represento muitas pessoas do Brasil. Eu acredito que é muito ter esse momento de referencial no mercado. E é por isso também que eu estou aqui, pelos nossos, pelos meus.

Portal PopNow: E eu fico muito feliz de realmente representar todos eles. Eu acho que quando a gente se vê, a gente consegue acreditar num futuro melhor pra gente. A gente consegue acreditar que nossos sonhos podem se tornar realidade. A gente precisa ver isso.

Majur: E que bom que o mercado deu oportunidade para pessoas LGBTs fazerem o seu trabalho e representar essas pessoas. Então hoje aqui a gente vê a múltipla felicidade. Todo mundo muito feliz com tudo isso acontecendo e é isso que a gente queria. Que a felicidade alcançasse todas as pessoas. Independente de quem elas sejam, de onde elas estejam.

Portal PopNow: E você acredita que o mercado da música está muito diferente hoje?

Majur: Ele realmente mudou, ele mudou o olhar. Ele realmente consegue agora abrir pra todos os tipos de pessoas, todos o tipos gênero, etnia e cor. Então eu acho que já não tinha que existir e a partir de então passa a não existir. E é por isso que a gente tá vendo o festival Rock in Rio com tanta representatividade étnica e negra.

Portal PopNow: Como você vê o Espaço Favela e as críticas de que é um palco muito “gourmetizado”?

Majur: É muito importante que seja favela. Que seja aquela representação mesmo. OK, não é a representação fiel porque nós sabemos que a estética da favela é muito pior. Mas é muito necessário ter qualquer tipo de representação da favela que é um povo invisibilizado. Principalmente aqui no Rio de Janeiro que tem uma segregação muito grande entre pessoa rica e pessoa pobre. Então é, sim, importante ter um palco de favela. Eu tava lá e pude sentir a emoção deles estarem ali vendo aquilo, trazendo um pouco deles praquele espaço.

Nós sabemos que hoje a favela acolhe, porém é uma prisão porque acaba que as pessoas vivem ali dentro o tempo todo. Porque se sentem seguras de não estar aqui fora. Então eu acho que a gente tem que trazer realmente pro Rock in Rio como que eles são felizes lá dentro. Eu acho que essa é a importância de estar aqui no Rock in Rio dessa forma.

Portal PopNow: E é um polo de cultura.

Eu mesmo fiquei muito feliz porque eu vi a cultura de verdade. Eles trouxeram tudo do Rio de Janeiro. Eu eu falo do Rio de Janeiro mesmo, a sua raiz a sua essência.

Portal PopNow: E sobre a música “AmarElo”. Como foi esse projeto com o Emicida, com a Pabllo? Como surgiu o convite? E como você vê um artista negro, mas que não é LGBTQI+, chamar artistas LGBT pra poder fazer parte desse projeto?

As taxas de homicídio e de suicídio negros LGBT’s e héteros cresceram muito durante esse tempo e a gente percebeu que a sociedade tava doente. O Emicida então tem a iniciativa de chamar eu e a Pabllo Vittar, que somos duas referências hoje no mercado. A Pabllo como referência de ícone LGBT e agora eu como referência negra também LGBT não-binária.

Então ele quis chamar todo o público no geral pra alcançar o máximo de pessoas, independente de quem elas fossem, e trouxe a música “Amarelo” como uma música de motivação. Que trouxesse para as pessoas uma esperança de algo melhor. A gente sabe que passa por um momento muito caótico na nossa sociedade e na política. E trazer esse momento de respiro pras pessoas. De entender que foi uma escolha errada, mas que a gente pode fazer diferente a partir de agora.

Muitas pessoas mandaram mensagens de que tentaram se matar, mas que depois de ouvir a música se sentiram motivadas pra viver. Isso pra gente é muito feliz e dá força pra gente continuar. Não é a toa que agora somos indicadas à Canção do Ano pela Multishow Super-Júri. Estamos muito felizes e confiantes de que nós vamos conseguir.

Portal PopNow: E o que vem daqui pra frente?

Tem muitos projetos que eu ainda não posso falar. Mas tem o meu disco que vai sair agora. As pessoas vão conhecer um pouco mais de Majur.

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