Pop
Shakira consagra a força latina para 2 milhões em Copacabana ao lado de Anitta, Ivete, Caetano e Bethânia
A Praia de Copacabana, no coração da Zona Sul do Rio de Janeiro, reafirmou o seu status como o principal palco do planeta na noite deste sábado, 2 de maio de 2026. Consolidando o já tradicional projeto Todo Mundo no Rio, a cantora colombiana Shakira escreveu um dos capítulos mais importantes da história da música global ao entregar o maior show de toda a sua prolífica carreira. Sob o céu estrelado da capital fluminense, a artista reuniu um público oficial de 2 milhões de pessoas, transformando a areia em um imenso e pulsante oceano de fãs que celebraram, em uníssono, a arte, a superação e o poder da mulher latino-americana.
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A grandiosidade do evento, que coroou a passagem da Las Mujeres Ya No Lloran World Tour pelo Brasil, começou a se desenhar nos céus antes mesmo da cantora pisar no palco. O público, que aguardava ansiosamente e já demonstrava certa impaciência devido a um atraso de aproximadamente uma hora e vinte minutos (justificado pela equipe como motivos pessoais da artista), foi surpreendido por volta das 22h50. As luzes da colossal estrutura se apagaram e um exército de drones perfeitamente sincronizados iluminou a noite carioca, formando a imponente imagem de um lobo. Imediatamente, as vaias deram lugar a um uivo coletivo ensurdecedor de 2 milhões de vozes.
Às 23h05, Shakira emergiu diante da multidão vestindo um conjunto brilhante nas cores do Brasil — verde, amarelo e azul. A abertura apoteótica com as batidas pulsantes de “La Fuerte”, seguida rapidamente por “Girl Like Me”, “Las de La Intuición” e o clássico atemporal “Estoy Aquí”, deixou claro que a artista entregaria uma maratona física implacável. Ao longo de mais de duas horas, a colombiana dançou, tocou guitarra, uivou e realizou impressionantes 13 trocas de figurino, algumas ocorrendo em questão de segundos diante dos olhos fascinados do público.
O orgulho latino: Uma exaltação das raízes hispano-americanas
Muito além de um megashow pop estruturado para o entretenimento de massas, a apresentação nas areias de Copacabana serviu como um verdadeiro manifesto de exaltação à cultura latina. Em uma indústria musical global frequentemente dominada e ditada pela língua inglesa, Shakira fez questão absoluta de transformar a maior noite de sua vida em uma celebração vibrante de suas raízes, cantando majoritariamente em espanhol e celebrando a imensa riqueza sonora da América Latina em transmissão mundial.
A essência inconfundível da latinidade transbordou em todas as escolhas musicais, coreográficas e estéticas. O diálogo perfeito entre a linguagem do pop internacional e os gêneros latinos tradicionais ficou evidente durante a execução impecável de um longo medley composto por “Copa Vacía”, “La Bicicleta” e “La Tortura”. Ali, os ritmos caribenhos, o compasso pesado do reggaeton e as envolventes levadas de vallenato e cumbia tomaram conta da orla carioca, provando a força esmagadora da música hispânica.
A estrela não apenas cantou os seus hits mundiais de rádio; ela fincou a bandeira da união latina no principal cartão-postal do Brasil, provando que o coração da América do Sul bate em um único e poderoso compasso. Essa mensagem também se estendeu à icônica belly dance (dança do ventre) de suas raízes libanesas, executada com perfeição na inesquecível “Hips Don’t Lie”, e no tango dramático performado em “Objection (Tango)”.
Maternidade, superação e o empoderamento feminino
A narrativa do show esteve fortemente ancorada na resiliência da mulher moderna. Após o fim traumático de seu casamento com o ex-jogador Gerard Piqué, Shakira transformou a dor em arte e, em Copacabana, transformou a sua arte em um grande discurso de união. “Pode até ser que nós, mulheres, sejamos mais frágeis sozinhas, mas, juntas, somos invencíveis. As mulheres já não choram. Por isso, esse show é para todas nós”, declarou a cantora em um “portunhol” impecável, levando o público ao delírio.
O tema da maternidade solo também ganhou destaque em um momento de extrema vulnerabilidade e impacto social. Antes de iniciar os vocais de “Soltera”, a cantora homenageou um público específico: “No Brasil existem mais de 20 milhões de mães solteiras, eu sou uma delas. Eu dedico esse show a todas elas”. O amor materno brilhou nos imensos telões com a exibição de imagens de seus filhos, Milan e Sasha, durante a terna e intimista performance de “Acróstico”, transformando a praia em uma sala de estar calorosa.
Um desfile de lendas: O encontro histórico com a música brasileira
Diferente das outras 86 datas da turnê ao redor do mundo, a escala no Rio de Janeiro foi desenhada para ser um tributo gigantesco à música brasileira, repleto de participações especiais. A primeira explosão cultural ocorreu quando a anfitriã chamou Anitta, referindo-se a ela como “rainha”. A dupla estremeceu a multidão com a primeira apresentação ao vivo de “Choka Choka”, um poderoso funk bilíngue que funde as potências de ambas as nações.
Emocionando as gerações mais antigas, Shakira demonstrou profunda reverência pela MPB. A artista revelou que costuma cantar o clássico “Leãozinho” como cantiga de ninar para o seu filho Milan. Em um gesto de extrema sensibilidade, ela convidou o mestre Caetano Veloso ao palco, dividindo os vocais em um dueto acústico que fez milhões de pessoas silenciarem para ouvir.
A doçura da MPB logo deu espaço à grandiosidade do carnaval. Ao lado de uma força da natureza chamada Maria Bethânia, a estrela colombiana entoou a imortal “O Que É O Que É”, de Gonzaguinha. O espetáculo atingiu a sua glória máxima quando a Bateria da Unidos da Tijuca, comandada pelo Mestre Marcão, invadiu a passarela, transformando Copacabana na Marquês de Sapucaí.
O lineup de lendas ainda contou com a energia arrebatadora de Ivete Sangalo. Repetindo o icônico encontro do Rock in Rio de 2011, as duas amigas levantaram a poeira com “País Tropical”, onde Ivete declarou que aquele era o verdadeiro “carnaval de Shakira”.
Na reta final, trazendo a essência das comunidades cariocas para os holofotes do mundo, a colombiana dividiu a execução do hino da Copa “Waka Waka (This Time for Africa)” com o influenciador digital Raphael Vicente e seu balé oriundo do Complexo da Maré, realizando um sonho antigo do dançarino.
Números bilionários e o legado de Copacabana
O impacto deste show de proporções continentais reescreveu os livros de recordes da cidade. Segundo a Prefeitura do Rio e a Riotur, o evento reuniu a impressionante marca oficial de 2 milhões de pessoas. Com esse montante gigantesco, Shakira desbancou o público da rainha do pop Madonna (que levou 1,6 milhão à mesma praia em 2024) e empatou com a histórica apresentação dos Rolling Stones em 2006. No seleto ranking dos megaeventos da orla, ela fica atrás apenas do show de Lady Gaga (2,1 milhões em 2025) e do recordista global do Guinness Book, Rod Stewart (que levou mais de 3,5 milhões na virada de 1994).
Do ponto de vista econômico, a movimentação foi estratosférica. Um estudo da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico (SMDE) indicou que a noite de gala injetou aproximadamente R$ 800 milhões na economia carioca, englobando os setores de hotelaria, transporte, comércio e serviços de gastronomia. O evento não apenas engordou a arrecadação de impostos do município (com um crescimento real projetado no ISS ligado ao turismo), mas também colocou o Brasil na principal vitrine internacional, gerando uma estimativa de US$ 250 milhões em mídia espontânea global.
Quando a apoteose final chegou ao som de “She Wolf” e “Bzrp Music Sessions, Vol. 53/66” — com direito a uma loba inflável de proporções épicas apelidada de ‘Isabel’ tomando o cenário —, a colombiana quebrou os protocolos de segurança, desceu da passarela e caminhou pela grade, distribuindo afeto direto para a sua base de fãs mais apaixonada. Sob a luz de fogos de artifício estourando no oceano Atlântico e enrolada na bandeira brasileira, Shakira consolidou a sua consagração absoluta. “A vida é mágica. É mágico pensar que estamos aqui, milhões de almas juntas prontas para se emocionar, cantar e amar”, finalizou. E, naquela noite inesquecível, a magia foi inteiramente latina.
