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Pussycat Dolls fazem maior show solo da carreira no Brasil e levam escola de samba ao palco em ‘Don’t Cha’

O Brasil entrou para a história das Pussycat Dolls. Na noite de 30 de outubro de 2026, Nicole Scherzinger, Ashley Roberts e Kimberly Wyatt subiram ao palco do Nubank Parque, em São Paulo, para realizar o maior show solo da carreira do grupo. A apresentação, aguardada pelos fãs brasileiros há anos, transformou a estreia do trio no país em um encontro com a nostalgia dos anos 2000, marcado por grandes sucessos, figurinos, coreografias e uma participação especial que deu identidade brasileira ao espetáculo: uma escola de samba no palco durante “Don’t Cha”.

Resumo da Notícia:

  • Marco Histórico: O Brasil foi palco do maior show solo da carreira do grupo. Nicole, Ashley e Kimberly se apresentaram no Nubank Parque, em São Paulo.
  • Homenagem Local: O icônico hit “Don’t Cha” encerrou a noite com a participação apoteótica de instrumentistas e rainhas de bateria de uma escola de samba.
  • Protagonismo: Nicole Scherzinger assumiu grande parte dos vocais principais, trazendo até referências da Broadway, enquanto Ashley e Kimberly brilharam nas coreografias.
  • Peso do Comeback: Apesar do repertório incontestável, a ausência de outras integrantes originais e quebras de ritmo geraram dúvidas sobre a força do grupo em grandes estádios.

A dimensão da apresentação representou um marco na trajetória das artistas e reforçou a importância do Brasil para a base de fãs do grupo. A noite também teve um ingrediente especial antes mesmo de Nicole, Ashley e Kimberly aparecerem: Pabllo Vittar foi responsável pela abertura com o projeto Club Vittar, preparando o público para uma noite dedicada ao pop e à dança.

O retorno das Pussycat Dolls acontece em um momento simbólico, quando o álbum de estreia, PCD, lançado em 2005, completa duas décadas. O disco apresentou ao mundo uma sequência de músicas que se tornaram referências do pop daquela geração, como “Don’t Cha”, “Buttons”, “Stickwitu”, “Beep” e “When I Grow Up”. Mais do que uma reunião de antigas integrantes, a turnê busca revisitar o repertório que consolidou o grupo como um dos nomes mais reconhecidos da música pop dos anos 2000.

Uma abertura construída sobre a nostalgia

A apresentação começou com um vídeo que resgatou imagens de Nicole, Kimberly e Ashley ainda crianças, falando sobre o que gostariam de ser quando crescessem. A introdução funcionou como uma ponte entre os sonhos de infância e a trajetória que as levaria aos palcos internacionais. Na sequência, o trio surgiu para “When I Grow Up”, música que abriu oficialmente a apresentação.

A escolha foi certeira para estabelecer o clima da noite. O repertório seguiu com “Beep”, “Whatcha Think About That”, “Bottle Pop”, “I Don’t Need a Man” e “Wait a Minute”, recuperando diferentes fases do primeiro ciclo de sucesso do grupo.

Ao longo do espetáculo, as artistas apostaram em figurinos marcantes, coreografias sensuais e referências visuais à estética que ajudou a definir a identidade das Pussycat Dolls. As cores da bandeira brasileira também apareceram nos figurinos, em um gesto de aproximação com o público local.

A estrutura foi dividida em blocos, com interlúdios e momentos individuais para as integrantes. Entre as músicas, Nicole, Ashley e Kimberly conversaram com a plateia e demonstraram carinho pelos fãs brasileiros. A fundadora do grupo, Robin Antin, também apareceu no palco para agradecer ao público, reforçando o caráter especial daquela apresentação.

Nicole Scherzinger assume o protagonismo

Não é possível falar das Pussycat Dolls sem reconhecer a centralidade de Nicole Scherzinger na identidade musical do grupo. No show brasileiro, essa característica ficou evidente. A cantora conduziu grande parte dos vocais principais e concentrou os momentos de maior destaque vocal, enquanto Ashley Roberts e Kimberly Wyatt tiveram participações importantes nas coreografias, nos vocais de apoio e nos respectivos blocos individuais.

Um dos momentos mais aguardados foi “I Hate This Part”, seguida por “Jai Ho! (You Are My Destiny)”, que ganhou uma versão mais extensa. A apresentação também reservou espaço para os trabalhos individuais das integrantes e para referências às trajetórias construídas fora do grupo.

Nicole levou ao palco “As If We Never Said Goodbye”, música associada à sua atuação no musical Sunset Boulevard, trabalho que lhe rendeu reconhecimento na Broadway e o prêmio Tony. O momento ajudou a evidenciar uma dimensão diferente da artista, para além do repertório pop que a tornou mundialmente conhecida.

A pedido dos fãs brasileiros, Nicole também incluiu “Baby Love” no repertório, resgatando uma faixa de sua carreira solo. Em outro momento, a cantora surpreendeu ao cantar um trecho de “Hotel Room Service”, sucesso de Pitbull do qual participou, antes de emendar “Wet” e “Poison”.

Ashley também teve seu espaço. O bloco individual incluiu uma sequência de dança com referências a “Fighter”, de Christina Aguilera, além de “Woman Up”. A apresentação ainda incorporou uma combinação de “Break My Soul”, de Beyoncé, com “Break Free”, de Ariana Grande, em um número coreográfico. Kimberly, por sua vez, ganhou um interlúdio próprio antes da sequência que incluiu “Glaciers”, “Walking on the Sun” e “Candy”.

A escola de samba transforma “Don’t Cha” em um dos grandes momentos da noite

Se a apresentação já tinha dimensão histórica por representar o maior show solo da carreira das Pussycat Dolls, o encerramento reservou uma imagem especialmente simbólica para o público brasileiro.

Durante “Don’t Cha”, um dos maiores sucessos da carreira do grupo, instrumentistas de uma escola de samba e rainhas de bateria participaram do espetáculo, levando a percussão e a energia do carnaval para o palco. A combinação entre o pop internacional e o samba brasileiro transformou a música em um dos momentos mais marcantes da noite.

A participação não funcionou apenas como um elemento visual. Foi uma intervenção musical que aproximou o repertório das Pussycat Dolls de uma manifestação cultural profundamente ligada à identidade brasileira. Em uma apresentação que já havia demonstrado o carinho das artistas pelo público local, a presença da escola de samba deu ao encerramento uma assinatura própria.

Antes disso, “Buttons” também ganhou uma introdução percussiva, acompanhada por jatos de fogo e uma coreografia que recuperou movimentos conhecidos do videoclipe original. Fãs foram convidados ao palco para dançar, ampliando a interação com a plateia.

Outro momento de forte conexão aconteceu durante “Stickwitu”, quando milhares de celulares iluminaram o espaço. A balada, uma das músicas mais emocionais do repertório, criou uma pausa na sequência de coreografias e faixas dançantes.

Já “Hush Hush; Hush Hush” foi dedicada aos sobreviventes e, especialmente, à comunidade LGBTQIA+. A música incorporou um trecho de “I Will Survive”, clássico de Gloria Gaynor que se tornou um hino de resistência e afirmação para diferentes gerações.

O peso do legado e os limites do comeback

Apesar dos momentos grandiosos, a apresentação também deixou questões sobre a força do retorno das Pussycat Dolls. O trio atual, formado por Nicole Scherzinger, Ashley Roberts e Kimberly Wyatt, carrega o peso de um legado construído por uma formação mais ampla e por uma sequência de sucessos que atravessaram gerações.

A ausência de outras integrantes da formação original não passou despercebida. Para parte do público, a reunião em formato reduzido limita a sensação de reencontro com o grupo que marcou a memória afetiva de tantos fãs. A presença de Nicole é naturalmente central, mas a dinâmica entre as três artistas não reproduz integralmente a identidade coletiva que ajudou a transformar as Pussycat Dolls em um fenômeno pop.

A estrutura do espetáculo também alterna momentos de grande impacto com blocos que quebram o ritmo. Os interlúdios e os segmentos de DJ ajudam a organizar as trocas de figurino e as apresentações individuais, mas nem sempre mantêm a mesma energia das performances com o trio completo. Em alguns momentos, a sucessão de referências e sonoridades parece fragmentar a experiência.

O repertório, por outro lado, é um trunfo incontestável. As músicas mais conhecidas seguem funcionando, e a reação do público comprova a permanência desses sucessos no imaginário pop. Já as faixas mais recentes e os momentos dedicados às carreiras individuais não alcançam necessariamente a mesma resposta coletiva.

Há também uma questão de formato. Um espetáculo de grande porte exige uma produção capaz de preencher o espaço e sustentar o impacto visual durante toda a apresentação. Embora o show tenha entregado momentos de grande apelo, a experiência poderia ganhar outra intensidade em um ambiente mais intimista, no qual a proximidade com as artistas e a força das coreografias tivessem ainda mais protagonismo.

Isso não apaga a importância da noite. Pelo contrário: evidencia o tamanho do desafio de retomar um projeto que nasceu em uma época específica do pop e que ainda desperta uma relação afetiva tão forte com o público.

Uma estreia histórica, mas que não resolve todas as expectativas

O maior show solo da carreira das Pussycat Dolls aconteceu no Brasil e teve momentos que dificilmente serão esquecidos pelos fãs, especialmente a participação da escola de samba em “Don’t Cha”. A estreia também mostrou que o repertório do grupo continua vivo, com músicas capazes de transformar um estádio em uma grande celebração coletiva.

Mas a dimensão histórica da apresentação não significa, necessariamente, que o comeback esteja à altura de tudo o que as Pussycat Dolls representaram. O grupo construiu um legado próprio, com uma estética, uma sonoridade e uma presença de palco que marcaram o pop dos anos 2000. Reproduzir essa força em uma nova fase exige mais do que revisitar os hits.

Em São Paulo, Nicole, Ashley e Kimberly entregaram uma noite de nostalgia, celebração e momentos visualmente marcantes. A escola de samba em “Don’t Cha” deu ao espetáculo uma lembrança genuinamente brasileira. Ainda assim, entre a força das músicas antigas e as limitações de uma reunião que não recupera toda a formação original, fica a sensação de que o retorno poderia ir além.

O público teve o reencontro que esperava com parte da história das Pussycat Dolls. Resta saber se o grupo conseguirá transformar essa celebração do passado em um novo capítulo à altura de seu próprio legado.

Repertório identificado na apresentação

  1. “When I Grow Up”
  2. “Beep”
  3. “Whatcha Think About That”
  4. “Bottle Pop”
  5. “I Don’t Need a Man”
  6. “Wait a Minute”
  7. “I Hate This Part”
  8. “Jai Ho! (You Are My Destiny)”
  9. “Glaciers”
  10. “Walking on the Sun”
  11. “Candy”
  12. “I Love It” (DJ set)
  13. “Fighter” (trecho no número de dança de Ashley)
  14. “Woman Up”
  15. “Break My Soul” / “Break Free” (número de dança)
  16. “As If We Never Said Goodbye”
  17. “Whatever U Like”
  18. “Right There”
  19. “Don’t Hold Your Breath”
  20. “Baby Love” (momento especial a pedido dos fãs)
  21. “Hotel Room Service” (trecho)
  22. “Wet” / “Poison”
  23. “Buttons”
  24. “Stickwitu”
  25. “Hush Hush; Hush Hush” / “I Will Survive”
  26. “Club Song”
  27. “React”
  28. “Don’t Cha” (com participação de escola de samba)

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Written By

Daniel Outlander é Diretor de Jornalismo do PopNow, speaker e estrategista de comunicação. Com mais de uma década de atuação, fundamenta sua prática em uma sólida formação: detém MBA em Marketing, Branding e Growth (PUC-RS) e é mestrando pela Escola de Negócios Europeus de Barcelona (ENEB). Sua carreira transita entre a gestão de crises e grandes coberturas. Foi assessor de imprensa de megashows como os de Lady Gaga e Madonna no RJ e cobriu os principais festivais do país. Como palestrante, subiu ao palco do Rio Innovation Week e teve seu trabalho reconhecido em duas edições do Digital Awards. Hoje, lidera a redação do PopNow com foco em inovação e crescimento.

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