Séries

Paramount acusa Netflix de criar ‘campanha implacável’ para sabotar fusão de US$ 111 bilhões com a Warner Bros. Discovery

A batalha nos bastidores pelo controle do mercado global de streaming e entretenimento ganhou contornos de guerra declarada. O principal advogado da Paramount, Makan Delrahim, afirma que a Netflix está tão apavorada com a perspectiva de competir contra a recém-formada potência gerada pela fusão entre a Paramount e a Warner Bros. Discovery que decidiu iniciar uma cruzada nos corredores de Washington. Segundo ele, a gigante do streaming está fazendo de tudo para “envenenar órgãos reguladores e outras partes interessadas” contra o acordo pendente de impressionantes US$ 111 bilhões.

O histórico recente ajuda a explicar a tensão. A Netflix havia fechado um acordo inicial para comprar os negócios de estúdio e streaming da Warner Bros. no final de 2025, mas acabou desistindo do leilão em fevereiro deste ano depois que a Paramount — liderada pela Skydance de David Ellison — aumentou agressivamente sua oferta financeira por todo o conglomerado WBD.

A guerra de narrativas no Departamento de Justiça

As alegações vieram a público através de uma forte carta enviada no dia 5 de junho por Makan Delrahim (Diretor Jurídico da Paramount) aos advogados da Divisão Antitruste do Departamento de Justiça dos EUA (DOJ). A correspondência foi, na verdade, uma resposta direta a um relatório apresentado em março pelo sindicato International Brotherhood of Teamsters, que pedia ao DOJ para bloquear a fusão, a menos que fossem criadas “salvaguardas substanciais” para proteger os trabalhadores da indústria contra cortes de empregos e apoiar a produção nos EUA.

“A resposta de nível de pânico da Netflix e a sua campanha de terra arrasada para tentar envenenar os órgãos reguladores e outras partes interessadas contra a transação mostram o quão seriamente a Netflix encara a Paramount como uma concorrente em escala”, escreveu Delrahim na carta.

Aparentemente, as táticas de “terra arrasada” da Netflix baseiam-se em comparar a atual megafusão da Paramount-WBD com a histórica aquisição dos ativos da 21st Century Fox pela Disney em 2019, argumentando que essas consolidações de grandes estúdios resultam sempre na redução da produção de conteúdo, perda de empregos e menor competitividade.

Para Delrahim, essa narrativa de que “o céu está caindo” promovida pela Netflix é uma distorção dos fatos. O advogado argumenta que a fusão é, na verdade, uma “vitória para o sindicato dos Teamsters e outros trabalhadores”, pois a estratégia principal da Paramount baseia-se em colocar o “conteúdo em primeiro lugar”, o que resultará em mais filmes, mais séries e, consequentemente, mais oportunidades de trabalho e dias de filmagem.

A resposta da Netflix e os argumentos da Paramount

Questionada sobre a acusação, a Netflix respondeu de maneira categórica. “Essas alegações da Paramount Skydance são absurdas. Nós nos afastamos deste negócio há meses e continuamos focados em nosso próprio negócio, não no deles. Em última análise, cabe aos órgãos reguladores aprovarem este acordo e determinarem se ele atende aos melhores interesses da indústria e de todos os envolvidos”, declarou um porta-voz da plataforma à Variety.

Enquanto a Netflix nega envolvimento nos bastidores, a carta da Paramount rebateu especificamente as comparações com a compra da Fox. Delrahim lembrou que a própria Disney já havia reduzido seus lançamentos para o cinema antes de adquirir a Fox; que a pandemia mudou todo o panorama de distribuição da indústria; e que, mesmo assim, a Disney aumentou seus gastos gerais com conteúdo depois da aquisição. Ele também reiterou que a Paramount se comprometeu a lançar pelo menos 30 filmes por ano e destacou que, sozinhas, as plataformas Paramount+ e HBO Max não possuem escala estrutural para bater de frente com as gigantes Netflix, Disney+, Hulu e Prime Video no atual mercado de assinaturas.

Escrutínio internacional, política e polêmicas

As aprovações não estão sendo fáceis. O órgão regulador da concorrência do Reino Unido, a CMA (Competition and Markets Authority), iniciou formalmente uma investigação nesta semana. Nos EUA, procuradores-gerais de estados estratégicos, como Rob Bonta (Califórnia) e oficiais de Nova York, preparam ações judiciais para tentar bloquear a transação sob justificativas antitruste.

O clima ficou ainda mais complexo após uma entrevista recente de Delrahim ao Los Angeles Times, onde o advogado declarou que há “muito alarmismo” orquestrado por pessoas ligadas à política de Washington D.C., chegando a sugerir que alguns estariam tentando prejudicar a transação impulsionados por visões “antissemitas” — embora não tenha citado nenhum nome específico.

A transação histórica também desperta curiosidade geopolítica: de acordo com documentos protocolados em abril, a nova gigante de mídia terá 49,5% de propriedade de investidores estrangeiros, com cerca de 38,5% do capital aportado por fundos soberanos da Arábia Saudita, do Catar e de Abu Dhabi, totalizando US$ 24 bilhões para o financiamento da proposta da Paramount.

Meta Description: O departamento jurídico da Paramount acusa a Netflix de promover uma campanha de lobby em Washington para sabotar a aquisição bilionária da Warner Bros. Discovery.

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