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Rock in Rio

Halsey transforma Palco Mundo em palco de catarse e estreia no Rock in Rio com show intenso e teatral

Halsey chegou ao Rock in Rio 2026 sem fazer uma apresentação para ser apenas assistida. Em sua estreia no festival, a cantora americana transformou o Palco Mundo em um espaço de catarse, atitude e teatro, entregando neste domingo (13) um dos shows mais intensos do último dia do evento.

Resumo da Notícia:

  • Estreia Catártica: Halsey fez seu primeiro show no Rock in Rio entregando uma performance crua, teatral e muito focada em sua faceta roqueira.
  • Visual Sombrio: A apresentação contou com uso de correntes, encenação com sangue e fogo, além de um cenário interativo com escadas.
  • Poder Feminino: A cantora fez um discurso aclamado celebrando a liberdade, a beleza e o sucesso das mulheres ao redor do mundo.
  • Do Mosh ao Acústico: O show transitou de rodas punks em “Experiment on Me” a um mar de lanternas e delicadeza em faixas como “Colors”.

Durante pouco mais de uma hora, Halsey percorreu diferentes momentos de sua carreira, mas encontrou sua principal identidade na sonoridade roqueira. Guitarras, bateria pesada, vocais agressivos, falsetes, efeitos de fogo e uma cenografia carregada de simbolismos acompanharam uma artista que dominou o palco do início ao fim.

O resultado foi uma apresentação que mostrou ao público brasileiro uma Halsey muito além dos grandes hits pop que a projetaram mundialmente.

E ela fez questão de deixar isso claro desde a primeira música.

“Nightmare” abre uma apresentação sem freio

Halsey iniciou o show com “Nightmare”, faixa de 2019 que já carregava em sua composição uma forte dose de crítica e atitude.

Não demorou para que a proposta da noite ficasse evidente.

A cantora surgiu diante do público acompanhada por uma banda pesada e mergulhou em uma performance marcada por movimentos intensos, vocais rasgados e uma presença de palco que ocupou cada espaço disponível.

A escolha de “Nightmare” também funcionou como uma declaração artística. A Halsey que apareceu no Palco Mundo não estava interessada em reproduzir simplesmente a versão radiofônica de seus maiores sucessos.

Ela queria mostrar sua faceta mais visceral.

Uma artista que transforma o palco em narrativa

Ao longo da apresentação, Halsey utilizou o cenário para construir pequenas narrativas visuais.

O palco ganhou elementos que remetiam a um universo sombrio, enquanto escadas conduziam a uma espécie de castelo virtual exibido no telão. A cantora subia, descia, corria, se jogava pelos degraus e interagia fisicamente com diferentes elementos da estrutura.

Em alguns momentos, o espetáculo parecia estar mais próximo de uma peça teatral do que de um show convencional.

A cenografia não estava ali apenas para preencher o espaço. Ela acompanhava as músicas. E Halsey fazia questão de participar de cada detalhe.

Da delicadeza ao caos

O contraste visual também chamou atenção.

A cantora apareceu inicialmente com um vestido branco de babados e um corselet, criando uma imagem quase delicada. Mas o figurino escondia uma performance que rapidamente caminharia para territórios muito mais agressivos.

A bota com aparência ensanguentada já dava uma pista do que viria.

Ao longo do show, Halsey alternou momentos de sensualidade, delicadeza e explosão, reforçando a ideia de que sua identidade artística nunca esteve presa a um único gênero ou estética.

“I Am Not a Woman, I’m a God” reforça a potência da apresentação

Depois de “Nightmare”, Halsey seguiu com “I Am Not a Woman, I’m a God”, faixa de If I Can’t Have Love, I Want Power, álbum de 2021.

O trabalho é conhecido por sua aproximação com o rock e por abordar temas relacionados à feminilidade, maternidade, poder e estruturas sociais.

No Rock in Rio, a música ganhou ainda mais força dentro da proposta teatral da apresentação. Halsey não apenas cantou. Ela interpretou.

A combinação entre iluminação, telões e performance corporal transformou cada faixa em uma extensão da narrativa construída para o show.

“Dog Years” e a corrente que simboliza liberdade

Um dos momentos visualmente mais marcantes veio durante “Dog Years”.

A apresentação ganhou uma atmosfera ainda mais simbólica quando Halsey apareceu utilizando uma corrente presa ao pescoço. No telão, imagens reforçavam a ideia de aprisionamento e padrões impostos.

A corrente permaneceu como parte da performance até o momento em que a artista conseguiu se libertar. O gesto foi recebido com entusiasmo pelo público.

Era uma imagem simples, mas poderosa: uma artista rompendo com aquilo que a prende.

Halsey celebra as mulheres no Rock in Rio

A interação com a plateia também foi um dos pontos altos.

Durante o show, Halsey parou para conversar diretamente com o público e aproveitou o momento para falar sobre algo que, segundo ela, ama observar ao redor do mundo: mulheres ocupando espaços e vivendo livremente.

“Sabem uma coisa que eu amo ver ao redor do mundo? Mulheres. Eu amo mulheres. Mulheres sendo livres e sexies”, afirmou.

Em outro momento, a cantora aprofundou a declaração:

“Preciso contar uma coisa: é uma coisa boa eu estar aqui, porque algumas das mulheres mais bonitas que eu já vi na minha porra de vida estão aqui agora. Vocês sabem o que eu amo mais do que qualquer coisa no mundo inteiro? Mulheres. Eu amo mulheres. Amo observar mulheres, amo ver mulheres tendo sucesso, amo ver mulheres se divertindo. Amo ver mulheres sendo sensuais e livres.”

A fala foi recebida com gritos e aplausos. E combinou perfeitamente com uma apresentação em que Halsey parecia determinada a ocupar o palco sem pedir licença.

Guitarra, mosh pit e uma Halsey ainda mais rock

Em “You Asked for This”, Halsey assumiu a guitarra e reforçou sua versatilidade como artista.

Pouco depois, o show ganhou ainda mais intensidade com “Experiment on Me”. Foi quando a cantora convocou o público a abrir rodas no meio da plateia.

O mosh pit tomou conta de diferentes pontos da multidão. Halsey incentivava os fãs a pularem e participarem da apresentação, transformando a plateia em parte ativa do espetáculo.

A cantora chegou a pedir que o público fizesse o maior mosh pit possível. A resposta veio imediatamente.

“Closer” ganha nova vida

Um dos desafios de um show como o de Halsey é equilibrar músicas de diferentes fases sem quebrar a atmosfera criada no palco.

E “Closer”, parceria com The Chainsmokers, mostrou como isso poderia ser feito.

O hit que ajudou a colocar Halsey definitivamente no topo do pop internacional ganhou uma roupagem mais pesada. A música, originalmente associada à música eletrônica, apareceu com uma sonoridade mais próxima do rock.

O público reconheceu imediatamente. E cantou junto. Era uma das músicas mais populares do repertório, mas apresentada dentro da identidade sonora que dominava o espetáculo.

“Without Me” ilumina a Cidade do Rock

Se “Closer” trouxe uma lembrança da ascensão de Halsey ao mainstream, “Without Me” foi o grande momento de conexão coletiva.

Antes de começar a música, a cantora pediu que o público acendesse as lanternas dos celulares. Em poucos segundos, a Cidade do Rock foi tomada por milhares de pontos de luz.

Halsey olhou para a multidão e reagiu:

“Inacreditável.”

O momento criou um contraste perfeito com a intensidade que havia dominado boa parte do show. Depois de gritos, guitarras, fogo e mosh pits, a artista encontrou uma forma simples de transformar o público em parte da cenografia.

O Brasil também ganhou espaço na conversa

Durante a apresentação, Halsey deixou claro que estava feliz por finalmente estrear no Rock in Rio.

Em sua primeira pausa para falar com a plateia, a cantora declarou seu amor pelo Brasil e ainda protagonizou um momento espontâneo ao perceber a tirolesa funcionando durante o espetáculo.

“Isso acontece o tempo todo?”, perguntou, aparentemente surpresa com a movimentação.

A reação arrancou risadas do público e mostrou uma Halsey mais descontraída fora das performances.

Fogo no palco

A teatralidade atingiu outro nível durante “Gasoline”.

A música foi acompanhada por efeitos de fogo que tomaram conta do palco. Halsey apareceu em meio às chamas enquanto interpretava a faixa, criando uma das imagens mais fortes de sua apresentação.

O efeito não pareceu gratuito. O fogo complementava a atmosfera agressiva da música e reforçava a sensação de perigo e tensão que percorreu boa parte do espetáculo. Era impossível desviar os olhos.

“Colors” muda completamente o clima

Depois de tanta intensidade, Halsey mudou novamente o ritmo.

“Colors”, um de seus primeiros grandes sucessos, ganhou uma abordagem mais delicada. A música trouxe um momento de respiro dentro da apresentação e permitiu que o público cantasse de maneira mais contemplativa.

A atmosfera criada pelas luzes dos celulares também apareceu nesse trecho, fazendo o público participar novamente da construção visual do espetáculo.

A faixa mostrou que a força de Halsey não está apenas no rock. Sua discografia transita entre pop alternativo, eletrônico, R&B e diferentes vertentes do rock, e a apresentação conseguiu reunir essas facetas em uma única narrativa.

Uma performance que não esconde suas cicatrizes

A trajetória de Halsey é marcada por momentos de grande exposição pessoal, e suas músicas frequentemente transformam experiências íntimas em arte.

Essa característica apareceu também no palco. Em vez de construir uma apresentação baseada apenas em glamour, a cantora abraçou elementos mais sombrios e desconfortáveis.

As performances de “Dog Years”, “Gasoline” e “Lonely Is the Muse” ajudaram a criar esse universo. A artista não parecia interessada em esconder suas contradições. Pelo contrário. Elas estavam no centro do espetáculo.

“Lonely Is the Muse” encerra com sangue e simbolismo

Para fechar a apresentação, Halsey escolheu “Lonely Is the Muse”, faixa de The Great Impersonator, seu álbum mais recente.

E o encerramento foi digno de toda a atmosfera criada durante a noite. Durante a performance, a cantora apareceu com uma encenação de sangue escorrendo pelo nariz.

O recurso era parte da teatralidade do show e dialogava com a simbologia religiosa e com a representação da dor presente em sua narrativa artística.

A imagem final era forte. Depois de uma hora de gritos, guitarras, fogo, correntes, dança, mosh pits e momentos de conexão com o público, Halsey terminou a apresentação olhando diretamente para a plateia.

Uma estreia para ficar na memória

Halsey chegou ao Rock in Rio pela primeira vez e aproveitou o Palco Mundo para mostrar uma versão que talvez ainda seja desconhecida por parte do público brasileiro.

Para quem conhece apenas “Without Me”, “Closer” e seus grandes sucessos pop, a apresentação serviu como uma introdução a uma artista muito mais ampla. Para os fãs que acompanham sua trajetória, foi a confirmação de uma identidade que mistura vulnerabilidade e força, pop e rock, delicadeza e agressividade.

O show também reforçou uma característica essencial de Halsey: sua capacidade de transformar experiências pessoais em espetáculo.

No Rock in Rio, ela não entregou apenas uma coleção de músicas. Entregou uma narrativa. E fez isso com uma banda pesada, uma voz poderosa, cenários teatrais e uma presença de palco que não deixou a energia cair.

Entre a corrente que se rompe, o fogo de “Gasoline”, as rodas abertas durante “Experiment on Me”, as milhares de luzes em “Without Me” e o encerramento cinematográfico de “Lonely Is the Muse”, Halsey encontrou no Palco Mundo o espaço perfeito para apresentar sua versão mais intensa.

Uma estreia potente, teatral e sem medo de ser grande.

Setlist de Halsey no Rock in Rio 2026

  1. Nightmare
  2. I Am Not a Woman, I’m a God
  3. Castle
  4. You Should Be Sad
  5. Bad at Love
  6. Hurricane
  7. Dog Years
  8. You Asked for This
  9. Experiment on Me
  10. Gasoline
  11. Without Me
  12. Colors
  13. Colors Pt. II
  14. Closer
  15. Honey
  16. Lie
  17. Lonely Is the Muse
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Written By

Daniel Outlander é Diretor de Jornalismo do PopNow, speaker e estrategista de comunicação. Com mais de uma década de atuação, fundamenta sua prática em uma sólida formação: detém MBA em Marketing, Branding e Growth (PUC-RS) e é mestrando pela Escola de Negócios Europeus de Barcelona (ENEB). Sua carreira transita entre a gestão de crises e grandes coberturas. Foi assessor de imprensa de megashows como os de Lady Gaga e Madonna no RJ e cobriu os principais festivais do país. Como palestrante, subiu ao palco do Rio Innovation Week e teve seu trabalho reconhecido em duas edições do Digital Awards. Hoje, lidera a redação do PopNow com foco em inovação e crescimento.

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