Rock
‘Tirem as camisas!’: Bryan Adams quebra protocolos, canta no meio da galera e faz show histórico em retorno Rio
A noite desta sexta-feira (6) no Qualistage, na Barra da Tijuca, provou que o verdadeiro rock de arena não tem prazo de validade. Com a casa absolutamente lotada e uma energia palpável no ar, o lendário cantor canadense Bryan Adams entregou um show que entrou instantaneamente para o hall das grandes apresentações do ano no Rio de Janeiro. Esbanjando carisma, o astro quebrou protocolos, interagiu de forma hilária com os fãs e desfilou uma enxurrada de sucessos em quase duas horas e meia de uma performance irretocável e nostálgica.
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O retorno aguardado e a turnê “Roll With the Punches”
A apresentação carioca marcou o pontapé inicial da perna brasileira da grandiosa turnê “Roll with the Punches”. Com ingressos bastante disputados, que variaram de R$ 132 a R$ 2.970, o astro programou quatro paradas de peso no país nesta semana: além do Rio de Janeiro, a turnê passa por São Paulo, Curitiba e Porto Alegre.
Esta é a quinta vez que o artista desembarca no Brasil. A imensa saudade do público era plenamente justificada: sua última passagem por terras brasileiras ocorreu há quase sete anos, no dia 19 de outubro de 2019, na Jeunesse Arena (atual Farmasi Arena), também no Rio, com a Shine a Light Tour. Agora, ostentando mais de 46 anos de uma carreira fonográfica brilhante e ininterrupta, Bryan Adams retornou para mostrar exatamente por que sua música consegue atravessar gerações com tamanha facilidade e relevância.
Pontualidade e a surpresa acústica no meio do público
Quem estava acostumado ou esperava o tradicional e cansativo atraso das estrelas internacionais foi pego de surpresa logo de cara. Às 22h em ponto, as luzes do Qualistage se apagaram. E, em uma sacada genial de proximidade com sua base de fãs, o show não começou no palco principal.
Bryan Adams surgiu de surpresa no B-Stage (um palco secundário e bem menor, montado estrategicamente no meio da plateia), armado apenas com seu violão. Ali mesmo, cercado de perto pelos fãs incrédulos, ele abriu a noite com uma trinca acústica poderosa: “Can’t Stop This Thing We Started”, “Straight From the Heart” e “Let’s Make a Night to Remember”. A conexão foi imediata, e o coro do público carioca ecoou tão alto nas dependências da casa que parecia um membro extra e fundamental da banda.
“Vou cantar a parte da Tina também”: Uma aula de carisma
Quando a ação finalmente se transferiu para o palco principal e o peso da banda inteira bateu forte nos alto-falantes com “Kick Ass” e “Run to You”, a arena quase veio abaixo. Mas, além da execução musical cravada e perfeita, foi o contato direto, humano e sem filtros de Adams que roubou a cena durante toda a noite.
Sempre simpático e arriscando palavras em português, ele fez questão de registrar sua emoção logo no início do espetáculo: “Eu quero agradecer a vocês. Muito obrigado. Muito obrigado por estar aqui. É um grande prazer estar de volta no Brasil, é realmente incrível!”.
O saudosismo bem-humorado tomou conta antes da execução de “It’s Only Love”. Ao introduzir o clássico gravado originalmente com a eterna Rainha do Rock, Bryan arrancou sorrisos e aplausos calorosos da plateia com a seguinte declaração afetuosa:
“Agora, hoje eu vou tentar cantar as muitas músicas que eu me lembro. Essa próxima música é a que eu gravei com o grande Tina Turner. E eu vou cantar a minha parte e… Isso é louco, eu sei. Eu vou cantar a parte da Tina também.”
O baile Rock ‘n’ Roll e o desafio às camisas
Se o clima já era de pura festa e celebração, Bryan Adams fez questão de transformar o Qualistage em uma verdadeira pista de dança improvisada. Observando a plateia espremida, mas sedenta por diversão, ele protagonizou um dos momentos mais divertidos e genuínos do show, intimando os mais tímidos a entrarem no clima, nem que fosse girando as próprias camisetas para o alto:
“Então, essa próxima música é uma música de dança, ok? Dançar, vocês sabes, é muito bomEu sei que isso é o Brasil, e se há uma maneira de dançar, isso pode acontecer aqui, ok? Então, eu posso ver esse cara aqui, ele não parece muito animado sobre dançar. Não se preocupe, senhor, você não tem que dançar. Você pode dançar. Se você não quer dançar e não quer dançar… Meu amigo Mark aqui está procurando para as pessoas tirarem suas t-shirts e colocá-las na mão. E quando a gente encontrar você, a gente vai colocar você no telão. E você não vai se embarrar de todos os seus amigos, ok? Então, dança, grite, coloquem suas camisas para o alto, ok? Estão prontos?”
A brincadeira incendiou de vez a arena e preparou o terreno perfeito para um desfile implacável de sucessos que contou com recursos visuais fantásticos — como os videoclipes originais de “This Time” (1983) e “Do I Have to Say the Words?” (1992) sendo transmitidos nos telões de alta definição.
A reta final foi uma verdadeira metralhadora de clássicos inesquecíveis que moldaram a história do rock de rádio: “Summer of ’69”, “Cuts Like a Knife” e o hino arrebatador “(Everything I Do) I Do It for You”. Fechando o ciclo da mesma forma intimista que começou, Bryan retornou ao formato solo e acústico no palco principal para entoar a belíssima “All for Love”, encerrando uma noite mágica que deixou os cariocas com a certeza inabalável de que o bom e velho rock and roll está mais vivo do que nunca.
Turnê continua pelo Brasil e pelo mundo
Após o estrondoso sucesso e a recepção apoteótica na estreia carioca, a perna brasileira da “Roll with the Punches Tour” segue a todo vapor. O astro canadense agora arruma as malas para levar esse espetáculo catártico a São Paulo, seguindo depois para os palcos de Curitiba e, finalmente, encerrando sua vitoriosa passagem pelo país em Porto Alegre.
A atual turnê mundial, que tem rodado o globo com força total, é uma verdadeira celebração da longevidade artística de Bryan Adams. Cruzando continentes e lotando arenas por onde passa, a “Roll with the Punches” reafirma o status do músico não apenas como um sobrevivente da era de ouro do rock, mas como um gigante em plena atividade, capaz de mobilizar multidões, inovar em cima do palco e entregar performances inesquecíveis de altíssimo nível.
Setlist Oficial: Bryan Adams no Qualistage, Rio de Janeiro (06/03)
- Can’t Stop This Thing We Started (Acústico solo – Palco B)
- Straight From the Heart (Acústico solo – Palco B)
- Let’s Make a Night to Remember (Acústico solo – Palco B)
- Kick Ass
- Run to You
- Somebody
- Roll With the Punches
- Do I Have to Say the Words? (Com videoclipe original de 1992)
- 18 til I Die
- Please Forgive Me
- It’s Only Love
- Shine a Light
- Heaven
- Never Ever Let You Go
- This Time (Com videoclipe original de 1983)
- Heat of the Night
- Make Up Your Mind (Com solo de bateria)
- You Belong to Me (Com trecho de “Blue Suede Shoes”)
- Twist and Shout (The Top Notes cover)
- Have You Ever Really Loved a Woman? (Com Luke Doucet no violão espanhol)
- So Happy It Hurts
- Here I Am (Acústico com Gary Breit no piano)
- Ando Bien Pedo (Acústico com a banda mexicana Estilo Sin Limite)
- The Only Thing That Looks Good on Me Is You
- (Everything I Do) I Do It for You
- Back to You
- Summer of ’69
- Cuts Like a Knife
- All for Love (Música de Bryan Adams, Rod Stewart & Sting – Acústico solo no palco principal)