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Supergirl: por que o novo filme da DC com Milly Alcock falha miseravelmente ao tentar ser ‘punk rock’

⚠️ ALERTA DE SPOILERS: Esta crítica foi produzida após nossa experiência assistindo ao filme e contém revelações importantes sobre a trama de Supergirl.

O reinício do universo cinematográfico do Homem de Aço no verão passado dividiu opiniões, mas pavimentou um caminho ambicioso. Quem assistiu àquela produção recorda a incômoda discussão de doze minutos entre Clark Kent e Lois Lane, onde o herói tentava justificar seu valor tradicional como algo “punk rock” — um momento genuinamente vergonhoso. Afinal, no segundo em que você rotula algo com esse termo, ele automaticamente deixa de sê-lo. É sob esse estigma que o público recebe Supergirl, a segunda aposta da DC Studios sob o comando de James Gunn. O grande problema é que a obra inteira jura, do primeiro ao último minuto, que é a personificação pura dessa rebeldia, entregando um resultado constrangedor.

Destaques da nossa crítica:

  • Atitude forçada: O longa tenta injetar uma personalidade rebelde artificial em Kara Zor-El, transformando-a em uma ébria interplanetária que usa camisas de banda.
  • Roteiro inexistente: A trama se arrasta em um fiapo de história focado apenas em salvar um cachorro envenenado e buscar uma vingança rasa.
  • Vilão caricato: O antagonista Krem surge como uma cópia barata de figuras de Mad Max, despido de qualquer magnetismo ou ameaça real.
  • Desperdício de direção: Craig Gillespie, conhecido por trabalhos refinados e ácidos, entrega uma colcha de retalhos genérica e sem alma.

Um deserto de roteiro e a falsa promessa de uma rebeldia espacial

O tom do filme se desenha logo na abertura, quando vemos o supercão Krypto urinando em uma manchete de jornal sobre os feitos heroicos do Superman. A partir dali, somos apresentados a Kara Zor-El, interpretada pela australiana Milly Alcock. Esqueça a jovem entusiasmada dos quadrinhos clássicos salvando vidas com seu traje azul e vermelho; aqui, a heroína vaga por distopias áridas usando uma camiseta da banda Blondie, frequentando bares imundos em planetas de ferro-velho e se envolvendo em brigas de bar embaladas por trilhas sonoras de Wet Leg e Halsey. Alcock, aos 26 anos, entrega uma androginia interessante que remete ao cinema dos anos 1970, mas sua atuação esbarra em uma personagem de uma nota só, impossibilitando qualquer conexão emocional por parte do espectador.

Essa apatia se agrava porque nossa análise confirma o pior cenário possível: o filme simplesmente não tem uma história estruturada. O roteiro assinado por Ana Nogueira move-se por meio de duas ações brutais cometidas pelo vilão Krem of the Yellow Hills, vivido por Matthias Schoenaerts. Primeiro, ele atinge Krypto com um dardo venenoso, dando a Kara um prazo de 72 horas para encontrar o antídoto. Segundo, ele assassina a família de Ruthye Marye Knoll (Eve Ridley), uma jovem que passa o restante da projeção declamando seu desejo de vingança com uma petulância estóica. Matar Krem e salvar o cachorro são os únicos combustíveis de um enredo que falha em se manter interessante.

James Gunn prometeu repetidamente que a DC Studios não iniciaria a produção de nenhum filme sem um roteiro sólido como rocha. É irônico que, em sua segunda investida, ele nos entregue um dos textos mais fracos, rasos e problemáticos da história recente do gênero de super-heróis.

Criaturas de borracha, vilões genéricos e o desperdício de Craig Gillespie

Visualmente, a produção tenta se apoiar no peso nostálgico de efeitos práticos misturados a computação gráfica de marcas como a Industrial Light & Magic, mas o resultado evoca o pior da cena da taverna de Star Wars. Somos jogados em sequências repletas de criaturas emborrachadas com cabeças disformes e tentáculos bizarros que, em pleno ano de 2026, fazem o público se sentir preso em um filme dos Muppets de baixo orçamento. O vilão de Matthias Schoenaerts, com cicatrizes artificiais e um penteado trágico, parece um rejeitado de testes de elenco para figurante de antagonista pós-apocalíptico.

Nem mesmo as participações especiais conseguem salvar a fita do tédio. Jason Momoa surge como o caçador de recompensas Lobo, destilando uma energia bagunçada que dá um leve choque no ritmo arrastado da produção, enquanto David Corenswet faz aparições pontuais como Superman. É doloroso ver o diretor Craig Gillespie, que demonstrou um brilhantismo humano e ácido em Eu, Tonya e uma energia estética vibrante em Cruella, entregar um produto tão genérico, plano e destituído de seu humor humanista característico.

O veredito de nossa análise: um espetáculo visual vazio e sem alma

Abaixo, traçamos um paralelo comparativo entre as duas primeiras produções que inauguram a nova era cinematográfica planejada pela liderança da DC Studios:

Atributo ClínicoSuperman (2025)Supergirl (2026)
Abordagem do HeróiValor tradicional, focado em esperança e integridade clássica.Cinismo forçado, alcoolismo espacial e rebeldia datada.
Qualidade do RoteiroNarrativa densa, multifacetada e por vezes sobrecarregada.Fiapo de história previsível e diálogos repetitivos.
Identidade VisualCores primárias vibrantes ecoando o estilo das HQs.Dystopia cinzenta de ferro-velho imitando Mad Max.

No fechamento da projeção, quando Kara tenta contrastar sua visão com a de seu primo dizendo que “ele vê o bem em todos, e eu vejo a verdade”, o filme tenta se vender como uma obra sombria e madura, mas entrega apenas tédio. Como apontamos ao longo desta avaliação, o esforço de Gillespie em criar uma subversão do gênero esbarra na total falta de substância de seu material de origem. Supergirl se esforça de maneira desesperada e artificial para ser a nova sensação punk rock dos cinemas, mas o resultado final entrega apenas um enorme e super-horrendo fiasco comercial.

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