O que prometia ser uma noite histórica e de muita celebração para os fãs brasileiros de música sul-coreana acabou se transformando em um verdadeiro cenário de confusão, choro e indignação. O show do grupo de K-pop XLOV, que estava com todos os ingressos esgotados e marcado para acontecer na noite deste último domingo (3 de maio), no Tokio Marine Hall, na Zona Sul de São Paulo, foi abruptamente cancelado a cerca de 30 minutos do horário previsto para o início da apresentação.
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A primeira passagem da banda pelo Brasil era aguardada com extrema ansiedade pelos fãs, muitos dos quais viajaram de outros estados e acamparam para garantir os melhores lugares. Segundo relatos de pessoas presentes no local, os problemas começaram a ficar evidentes ainda no final da tarde. A passagem de som (soundcheck), um benefício exclusivo garantido para os portadores de ingressos VIP, estava originalmente marcada para começar às 17h30. No entanto, seguranças do local avisaram as pessoas na fila que haveria um atraso de meia hora.
O tempo passou e a ansiedade se transformou em apreensão. Conforme relatado pela fã Natália Perez em entrevista à imprensa no local, por volta das 19h30 — horário em que a casa já deveria estar cheia para o show marcado para as 20h —, começaram a circular informações na fila de que nem mesmo os fãs do pacote VIP haviam conseguido entrar no estabelecimento. Foi somente após esse horário limite, com milhares de pessoas aglomeradas na rua, que a equipe de segurança do Tokio Marine Hall fez o anúncio oficial de que o evento não iria mais acontecer, gerando uma onda de vídeos de revolta nas redes sociais.
Vistos negados, segurança e versões conflitantes
A falta de clareza imediata sobre os motivos do cancelamento alimentou diversos rumores nas redes sociais. Pouco tempo após o anúncio da equipe de segurança no local, a conta oficial do XLOV no X (antigo Twitter) publicou uma nota esclarecendo que Rui, um dos integrantes do quarteto, sofreu um atraso inesperado e problemas com a aprovação de seu visto de trabalho durante o processo de emissão para entrar no Brasil, o que o impediria legalmente de subir ao palco naquela noite.
A situação, no entanto, tomou contornos ainda mais confusos minutos depois. Uma segunda nota foi divulgada pelos canais oficiais da banda, mudando ligeiramente o tom da justificativa e afirmando que o show da turnê foi “inevitavelmente adiado” devido a “preocupações com a segurança”. Essa mudança de narrativa deixou o público brasileiro sem entender quem tomou a decisão final de cancelar a apresentação quando a estrutura já estava montada.
O ápice da polêmica ocorreu quando os outros três integrantes do grupo que estavam no Brasil e aptos a se apresentar — Wumuti, Haru e Hyun — abriram uma transmissão ao vivo (live) no YouTube diretamente de seus bastidores para pedir desculpas aos fãs aos prantos. Durante a transmissão, os artistas revelaram uma versão frustrante dos bastidores: eles afirmaram que, por decisão conjunta, estavam totalmente preparados, maquiados e dispostos a realizar o show como um trio, mesmo sem a presença de Rui, para não decepcionar o público que os aguardava. Contudo, relataram que posteriormente “ouviram que não poderiam subir ao palco”, indicando um provável conflito de decisões entre os empresários da banda e a produtora local.
Afinal, quem é o grupo XLOV?
Para quem não está imerso no vasto e dinâmico universo da música pop sul-coreana, o XLOV é uma das grandes promessas recentes da indústria e tem se destacado mundialmente por quebrar barreiras estéticas. Formado pelo quarteto composto por Wumuti, Haru, Rui e Hyun, o grupo ganhou notoriedade internacional e uma base de fãs extremamente fiel por adotar um conceito agênero (genderless).
Na prática, isso significa que a estética visual, as roupas, as coreografias e as maquiagens do grupo não se prendem às normas tradicionais do que é considerado estritamente “masculino” ou “feminino” dentro do cenário do K-pop. Essa liberdade de expressão atrai um público jovem que busca representatividade e diversidade. No repertório preparado para a turnê que passaria pelo Brasil, os fãs aguardavam ansiosamente para cantar a plenos pulmões sucessos vibrantes do grupo, como as faixas “Rizz”, “1&Only” e o sucesso pop “I’mma Be”.
Reembolsos e a promessa de um retorno
Com milhares de fãs arcando com prejuízos de transporte, hospedagem e o valor dos ingressos (que estavam esgotados), a responsabilidade recaiu sobre a Ninshi Entertainment, a produtora responsável por trazer a turnê do grupo para a América Latina. Em uma nota divulgada à imprensa após o tumulto, a empresa reforçou o discurso de que a dura decisão foi tomada visando “motivos de segurança”, embora não tenha detalhado quais seriam esses riscos.
A produtora também garantiu que todos os procedimentos financeiros de reembolso para os ingressos já adquiridos serão organizados e iniciados o mais rápido possível, e que os detalhes práticos e prazos para devolução do dinheiro serão divulgados em um aviso separado nos próximos dias.
Apesar da devolução do dinheiro, um fio de esperança ainda corre entre os fã-clubes. Durante as conversas e comunicados na porta do evento e em fóruns nas redes sociais, surgiram fortes rumores de que as equipes estariam trabalhando nos bastidores para tentar viabilizar uma possível remarcação do show no Brasil para o mês de novembro. Até a publicação desta matéria, no entanto, nenhuma nova data oficial foi confirmada pelas partes envolvidas, deixando o desfecho dessa história amarga ainda em aberto.
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