Lembro exatamente onde eu estava em setembro de 2025, quando a NFL, a Apple Music e a Roc Nation soltaram a bomba: Bad Bunny seria o headliner do Super Bowl LX. Havia muita expectativa e tensão em meio ao anúncio de uma grande diva pop…
- O Super Bowl de Bad Bunny não foi um show, foi uma retomada de território
- O ‘apagão’ dos megashows no Rio: Por que a capital dos festivais foi excluída da rota das grandes turnês internacionais?
- Trevor Noah, Bad Bunny e Billie Eilish: Como o Grammy virou um ato de guerra contra Trump e Nicki Minaj
Minha primeira reação não foi um grito de euforia, mas um suspiro profundo, quase um alívio cínico. “Finalmente”, pensei. Mas, segundos depois, aquele nó no estômago familiar a qualquer latino nos Estados Unidos apareceu. Eu sabia o que viria. Sabia que o anúncio de um artista que se recusa a dobrar a língua para o inglês despertaria os cães de guarda do “tradicionalismo” americano. Eu sabia que a mera existência de Benito naquele palco seria interpretada como uma afronta.
E, honestamente? Eu torci para que fosse.
Ontem à noite, no Levi’s Stadium, minhas expectativas não foram apenas atendidas; elas foram vingadas.
Não pedimos licença
Quando as luzes se apagaram e os primeiros acordes de “Tití Me Preguntó” ecoaram, ficou claro que Benito não estava ali para fazer média. Não houve a tradução forçada, não houve o “pout-pourri” de sucessos em inglês para acalmar a audiência do Meio-Oeste. O que vimos foi uma ocupação cultural em horário nobre.
Ver as “casitas” coloridas no palco, a representação da vida cotidiana de Porto Rico, não foi apenas cenografia. Foi uma declaração de existência. Para mim, e para milhões que compartilham essa herança, ver a nossa estética — muitas vezes marginalizada ou fetichizada — celebrada com orçamentos milionários e pirotecnia de ponta foi um choque elétrico de dignidade.
O casamento que parou a América
E então, o momento que quebrou a internet. Não foi apenas a música. Foi o teatro do real. Quando Benito parou o show para aquele pedido de casamento no palco — sim, um pedido real, cru, humano, envolvendo um casal diverso — ele esfregou na cara dos conservadores a mensagem que exibiu no final: “A única coisa mais forte que o ódio é o amor”.
Foi uma jogada de mestre. Enquanto a Turning Point USA tentava rodar um show paralelo “All-American” com Kid Rock (uma tentativa patética que a história vai esquecer até a próxima terça-feira), Bad Bunny celebrava o amor em todas as suas formas no maior palco do mundo. A ironia foi deliciosa.
A resposta ao “nojento”
Hoje de manhã, li que Donald Trump chamou o show de “nojento” e disse que “ninguém entende uma palavra”. Minha resposta, como analista e como latino, é simples: o problema é seu.
A performance de ontem provou que a relevância cultural não precisa mais do carimbo de aprovação da América anglófona. Quando Lady Gaga subiu ao palco, ela não estava lá para “salvar” o show ou dar legitimidade americana a ele; ela estava lá como convidada no mundo de Benito. A dinâmica de poder mudou. Ricky Martin, um veterano que abriu portas a pontapés anos atrás, estava lá para ver a colheita.
A insistência de Bad Bunny em falar espanhol, em trazer o reggaeton, o trap e a plena sem filtros, é a forma mais pura de combate político. Ele forçou 100 milhões de pessoas a ouvirem a língua de quem colhe a comida deles, de quem constrói as casas deles, de quem cuida dos filhos deles.
Conclusão: Somos a América
Eu me senti vingado. Me senti visto. O show do intervalo do Super Bowl LX não foi sobre futebol americano. Foi sobre quem tem o direito de se chamar “americano” em 2026.
Benito encerrou com a frase “Juntos, somos a América”. Para os críticos que espumaram de raiva nas redes sociais, o recado foi dado: acostumem-se. A cultura latina não é uma onda passageira; é o novo alicerce. E se vocês não entendem a letra, talvez esteja na hora de aprenderem a dançar.
Olá, seja bem-vinde ao universo do Portal PopNow! A partir de agora você receberá notícias fresquinhas e selecionadas para você estar por dentro de tudo o que acontece no mundo musical, de cinema, TV e entretenimento em geral. Venha com a gente! PopNow - Know-how Pop



