Rap/Hip Hop

MV Bill lança ‘Tim Maia’, novo single acompanhado de videoclipe, confira!

MV Bill. Foto: Divulgação

MV Bill fala um pouco sobre como surgiu a grande ideia de fazer uma música homenageando Tim Maia, um ícone da música negra brasileira.

Nascido e criado na CDD, comunidade do Rio de Janeiro, o polêmico MV Bill cruzou há muitos anos o limite que o definia como rapper.

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Cineasta, ativista, autor, compositor e produtor, entre alguns prêmios pelo seu trabalho, foi eleito em 2003 um dos rappers mais politizados dos últimos dez anos pela Unesco.

MV Bill comentou sobre a ideia de compor a música “Tim Maia”:

“Eu sou um grande admirador do Tim Maia, fez parte da minha educação musical, por conta de meu pai colocando pra minha mãe ouvir. O nome da minha mãe é Cristina, e a música Cristina do Tim Maia, meu pai colocava dez vem em quando pra minha mãe como homenagem. Essa era só uma das formas do Tim Maia estar presente na minha vida musicalmente. Meu pai contava também, que na época que eles moravam no Macedo Sobrinho, (que é uma das Favelas que originou a Cidade de Deus), o Tim Maia às vezes chegava de madrugada, começa a trocar idéia, a beber, e saia pelos becos dessa favela, confraternizando com a rapaziada, mostrando que ele é um cara do povão.”

“Tim Maia foi o primeiro cara que lutou contra a indústria, por que ele foi pioneiro na independência, que é uma coisa que eu me identifico muito nos dias de hoje. Quando eu fico sabendo o que ele fez com o selo dele, pra poder ter controle sobre as vendas, e a batalha que ele teve depois que travar pra divulgar o próprio nome, sem internet naquela época, foi  uma coisa que só um cara muito inteligente e grandioso artisticamente como ele, poderia fazer. E também pagou alto, por ser um cara de muita opinião, de sempre ter opinião forte, presença marcante. Foi boicotado em algumas paradas, em alguns casos, mas ele não deixou de opinar por conta disso, sempre com muita irreverência.”

Depois que eu li o livro “Vale tudo – O Som e a Fúria de Tim Maia”, escrito por Nelson Motta. Eu acho que entrei ainda mais dentro do mundo do Tim Maia e vi o quanto ele era um cara 8 ou 80, o que ele tinha de talento, ele tinha de coração, de bondade, generosidade, mas também era um cara temperamental.  Ele era a representação dos anos 70.  E o livro dá muitos detalhes da vida dele, e isso me fez virar ainda mais fã do Tim. E achei que ele merecia uma homenagem. Ele completou um pouco mais de duas décadas de falecimento, e achei que ele merecia mesmo essa homenagem. Eu compus uma música junto com o DJ Tom Enzy de Portugal, a gente se conheceu pela internet. Começamos a trabalhar juntos, com ele só mixando e masterizando algumas músicas. Eu então falei pra ele da importância do Tim Maia, e que queria fazer uma homenagem diferente, que não fosse sampleando uma música do Tim, nem tentando reproduzir o ritmo que o Tim Maia dominava, mas fazendo uma musica atual, do momento atual. E ele sugeriu que a gente fizesse um trap. Eu achei do zaralho, muito bom a gente sair do que seria o óbvio, de fazer uma música suingada, com um ritmo do samba rock, mas sim uma parada dentro da minha praia mas totalmente voltada pra ele. E o título não poderia ser diferente. Eu já vi alguns rappers americanos homenageando personalidades, intitulando músicas com nomes de lá e achei que dar o nome do Tim pra faixa iria ser auto explicativo.

Mesmo a música não tendo sample de Tim Maia, eu fiz questão de mostrar e avisar pro Carmelo Maia, que é o filho do Tim, um cara que eu conheço a muito tempo, fazia um tempo que eu não encontrava pessoalmente, mas já se conhecia fazia muitos anos, e ele ficou maravilhado com o som. Ele fez essa observação que era uma homenagem que ele colocava muita fé pois é uma música toda escrita do zero, totalmente falando do pai dele.  E mesmo eu sabendo e ele também, que não precisava pedir autorização por que não tem sample, ele achou a minha ética, foda, de mostrar pra ele mesmo assim. Ele é filho dele, eu conheço ele, então não tinha por que não mostrar.

Depois pensamos na produção do videoclipe, chamei o Fabrício Figueiredo, ele tinha falado comigo no Instagram que gostaria de fazer um videoclipe meu, mandou alguns links, eu gostei, então eu mandei pra ele a música e expliquei toda concepção, de como eu fiz a música, e ele sugeriu a gente encarar os anos 70. Quando ele falou isso, eu saquei que ele tinha captado o espírito da música. Justamente o Tim Maia dos anos 70, que é retratado na música. Inclusive tem uma foto icônica que foi base para isso.

MV Bill. Foto: Divulgação

“Então precisaríamos de um Tim Maia, para aparecer no clip, e ninguém melhor que o Babu Santana, que não é um imitador do Tim Maia, mas que ele soube interpretar muito bem o Tim nas telas. Quando eu fiz o convite,  ele aceitou de cara, por que ele também é fã do Tim, gosta das minhas músicas, é fã do meu trabalho e ficou lisonjeado com o convite. E eu fiquei feliz pra caralho com a presença do Babu encarnando o Tim no nosso set de filmagem. A gente gravou o clip em três locações diferentes. Gravamos na praia de Grumari, na praia do Pontal, gravamos na Praça Tim Maia e coincidentemente, a dona do estúdio onde gravamos o chroma key, descobrimos durante a gravação, que ela havia sido assessora do Tim, inclusive ela tá no livro. E quando ela soube que era o nosso vídeo que  tava sendo feito com essa temática, ela ficou animadassa, fez umas pequenas reformas no estúdio. Ficou muito feliz e pediu pra dar um abraço e tirar uma foto com a gente. Um curiosidade é que enquanto a gente gravava na praia, as pessoas chamavam o Babu de Tim, de tão real que a figura fica. Investimos num visual anos setenta, tem uma figuração com bailarinos, simbolizando os programa de TV daquela época, que também tinha um tipo de iluminação psicodélica que virou clássico dessa década….”

Confira o clipe de “Tim Maia”:

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