Se havia alguma dúvida de que Kali Uchis domina a arte de criar atmosferas, ela foi dissipada na noite deste domingo em São Paulo. Trazendo sua aguardada “The Sincerely, Tour” para o Brasil, a cantora colombiana-americana não apenas fez um show; ela entregou uma experiência visual e sonora que oscilou entre o celestial e o carnal, reafirmando seu posto como uma das divas latinas mais inventivas da atualidade.
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A abertura e a chegada triunfal
A noite começou com o terreno sendo preparado pela brasileira Urias, que abriu os trabalhos com a energia agressiva e polida de seu álbum Carranca. Foi o aquecimento ideal para o público, que já estava em ebulição quando as luzes se apagaram para a atração principal.
E que entrada! Fugindo do óbvio, Kali não entrou caminhando; ela desceu dos céus. Suspensa em um balanço envolto em lençóis brancos, a cantora surgiu como uma visão angelical, evocando a estética sonhadora de seu último álbum, Sincerely. O impacto visual foi imediato, estabelecendo o tom “coquette” e luxuoso que permearia toda a apresentação.
O setlist: uma curva inesperada
Para surpresa de muitos fãs que acompanharam a leg norte-americana da turnê, Kali subverteu a ordem do setlist. Em vez de iniciar com as faixas introspectivas do novo disco, ela mergulhou de cabeça em sua “Era Latina”.
Assim que tocou o chão, a aura angelical deu lugar à sensualidade crua de Orquídeas (2024). A sequência inicial foi matadora, trazendo hits dançantes como “Muñekita” e o cover de “Frikitona”, transformando a casa de shows em um verdadeiro baile de reggaeton e dembow. Foi uma escolha inteligente para o público brasileiro, conhecido por sua energia caótica e apaixonada, garantindo que ninguém ficasse parado nos primeiros blocos.
Cenografia e estética
A produção visual foi um show à parte. O palco era um híbrido de quarto de luxo e cenário de videoclipe, com elementos que incluíam desde uma cama gigante e xícaras de chá enormes até motos, reforçando a dualidade da artista: a garota romântica que escreve cartas de amor e a baddie que acelera sem olhar para trás.
Os figurinos seguiram essa linha, alternando entre o branco virginal da abertura e peças mais ousadas que valorizavam sua performance corporal. Kali interagiu constantemente com seus dançarinos, sendo carregada e elevada em diversos momentos, o que dava uma dinâmica teatral à performance.
Vocais e clássicos
Vocalmente, Kali entregou o que se esperava: timbres aveludados e afinação precisa, mesmo enquanto executava coreografias. O show percorreu sua discografia de forma competente. Momentos de Isolation e Red Moon in Venus foram celebrados com fervor, especialmente quando os acordes de “Telepatía”, “Moonlight” e “I Wish You Roses” ecoaram pelo Vibra, gerando coros uníssonos que muitas vezes encobriam a própria artista.
Veredito
O show de ontem não foi apenas uma apresentação musical, mas a consolidação de uma identidade. Kali Uchis provou que consegue transitar entre o R&B alternativo, o soul e o reggaeton sem perder a coesão.
Para os fãs que esperaram desde sua passagem pelo Lollapalooza 2023 por um show solo completo, a recompensa veio na forma de uma performance chique, imersiva e, acima de tudo, sincera. Kali desceu do céu, mas foi no calor da pista que ela realmente brilhou.
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