Quando a justiça americana tornou públicos, no início de 2024, milhares de páginas de documentos judiciais ligados ao financista e predador sexual Jeffrey Epstein, a internet esperava ver a “lista definitiva” de Hollywood. O resultado, porém, foi uma onda de desinformação.
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Nomes como Justin Bieber, Britney Spears e Beyoncé dominaram as discussões no TikTok e no X (antigo Twitter). Mas uma análise qualitativa dos arquivos revela que a conexão desses artistas com o caso não está nos papéis do tribunal, mas sim na interpretação dos fãs sobre os traumas que eles viveram na indústria.
O PopNow investigou os documentos e explica agora a origem dessas conexões.
O Enigma “Yummy”: O pedido de socorro de Justin Bieber?
Embora o nome de Justin Bieber NÃO conste nos documentos oficiais de Epstein, ele se tornou o rosto não oficial da indignação pública. Isso se deve, principalmente, ao videoclipe de “Yummy”, lançado em 2020.
Para milhões de fãs e teóricos da internet, o vídeo não é apenas sobre comida, mas uma denúncia visual sobre a pedofilia e os abusos que Bieber teria sofrido enquanto menor de idade na indústria musical.
A teoria dos fãs:
- O Banquete: O clipe mostra um jantar luxuoso onde Bieber, de cabelo rosa (infantilizado), está cercado por pessoas ricas, idosas e com expressões grotescas, que o observam comer.
- O Prato Principal: Em uma cena deletada (mas recuperada por fãs), um prato aparece com a foto de Bieber quando criança, sugerindo que ele era a “refeição”.
- A Cereja: A cena final mostra apenas um prato vazio com uma cereja, interpretada simbolicamente como a perda da inocência ou virgindade.
- A Conexão Epstein: A teoria sugere que festas como a do clipe eram similares às que ocorriam nos círculos de Epstein e Diddy, onde jovens astros seriam “servidos” a executivos poderosos.
A Realidade: Apesar da análise semiótica perturbadora fazer sentido para muitos, juridicamente não há vínculo entre Bieber e Epstein. O cantor nunca foi citado por vítimas ou testemunhas do caso específico da ilha. As teorias sobre “Yummy” permanecem no campo da especulação artística e do desabafo pessoal sobre a indústria, sem valor de prova criminal neste processo.
Britney Spears: Vulnerabilidade e Tutela
Outro nome que viralizou em listas falsas foi o de Britney Spears. A Princesa do Pop, que recentemente se livrou de uma tutela abusiva de 13 anos, é frequentemente vista pelo público como a “vítima perfeita” de um sistema corrupto.
Por que o nome dela surgiu? A lógica da internet foi: se Britney era controlada e dopada por sua equipe e família (fatos confirmados por ela em tribunal), ela poderia ter sido levada a encontros com homens poderosos contra sua vontade?
O Veredito dos Arquivos: Assim como Bieber, Britney Spears NÃO é citada nos arquivos Epstein. Não há registros de voo, nem menções em diários ou depoimentos. Incluir Britney em listas falsas de “associados” ou “vítimas confirmadas” de Epstein acaba distorcendo sua verdadeira luta, que foi contra sua própria família e o sistema de tutelas da Califórnia, e não contra a rede de tráfico sexual de Nova York.
Quem realmente aparece nos documentos?
É fundamental diferenciar o “Tribunal do TikTok” do Tribunal Federal de Nova York. Enquanto Bieber e Britney são vítimas de rumores, outros nomes famosos aparecem factualmente nos textos:
- Michael Jackson: O Rei do Pop aparece em um depoimento. A testemunha Johanna Sjoberg confirmou tê-lo visto na mansão de Epstein em Palm Beach, mas afirmou categoricamente “não” quando questionada se fez massagens ou atos sexuais com ele. O documento o coloca na cena, mas não o acusa de crime.
- Príncipe Andrew: A situação do membro da realeza britânica é muito mais grave. Ele foi acusado diretamente de abuso sexual pela vítima Virginia Giuffre, o que resultou em um acordo judicial milionário e na perda de seus títulos militares.
- David Copperfield e Leonardo DiCaprio: Foram citados em contextos de jantares ou name-dropping (Epstein citava nomes para parecer influente), sem acusações de participação nos crimes sexuais.
Beyoncé e Jay-Z: Alvos de Fake News
Por fim, é preciso desmentir o boato recorrente sobre Beyoncé. Montagens grosseiras circularam listando a cantora como frequentadora da ilha. Isso é falso. Beyoncé não é mencionada em nenhuma das milhares de páginas liberadas. A confusão muitas vezes deriva de teorias da conspiração que tentam ligar todo o topo da indústria musical a sociedades secretas, sem base factual.
Conclusão: A importância da verdade
A divulgação dos Arquivos Epstein é um marco na luta contra o tráfico sexual e a impunidade dos super-ricos. No entanto, misturar as histórias de Justin Bieber e Britney Spears — que podem ter seus próprios traumas na indústria — com uma investigação criminal específica atrapalha a busca pela verdade.
Ao compartilhar listas falsas, a internet acaba protegendo os verdadeiros criminosos no meio da confusão. O PopNow reforça: em casos de justiça, o documento oficial vale mais do que a teoria viral.
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