Opinião
Harry Styles troca o sol pelas pistas de dança no libertador Kiss All The Time. Disco, Occasionally.
Depois de dominar o mundo, quebrar recordes e levar o principal Grammy da noite com a perfeição ensolarada de “Harry’s House” (2023), qual seria o próximo passo do maior astro pop de sua geração? A resposta chega nesta sexta-feira com seu quarto álbum de estúdio: perder-se no meio da multidão de uma boate escura.
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“Kiss All The Time. Disco, Occasionally” não é apenas um novo disco, é uma carta de alforria. Fruto de um período em que Styles foi visto frequentando a mítica boate Berghain, em Berlim, e imergindo em shows de música eletrônica após uma exaustiva turnê mundial, o projeto é uma celebração da vida noturna como um espaço de cura e autodescoberta.
‘O caos organizado por Kid Harpoon’
Se no trabalho anterior a estética era focada no pop milimetricamente polido, aqui a regra é a experimentação. Guiado novamente pelo produtor Kid Harpoon, Styles abraça a sujeira do som. O álbum promove colisões propositais: guitarras dos anos 1970 batem de frente com batidas erráticas de house e ecos de disco music.
É um som nitidamente influenciado pela energia catártica de nomes como LCD Soundsystem e Hot Chip. O resultado foge do óbvio. Em vez de refrões fáceis para o TikTok, temos faixas que constroem tensão gradativamente, refletindo temas densos como luto romântico, o peso do isolamento trazido pela fama e a busca por conexões reais no meio da pista de dança.
‘Onde a mágica acontece: os pontos altos do álbum’
Embora seja um projeto que exija ser ouvido do início ao fim para que sua narrativa faça sentido, algumas faixas se destacam imediatamente como os pilares dessa nova era:
- “Carla’s Song”: O grande trunfo do álbum e sucessora espiritual de “As It Was”. Uma explosão radiante de sintetizadores e pianos que encerra o disco com uma mensagem de esperança. É, sem dúvida, o momento que foi desenhado para ser cantado a plenos pulmões em estádios durante a próxima turnê.
- “Aperture”: O single principal que já atingiu o topo da Billboard Hot 100 mostra a que veio. Com um riff gelado de EDM e guitarras distorcidas, a faixa mistura melancolia e urgência, trazendo um dos melhores desempenhos vocais graves da carreira de Harry.
- “Ready, Steady, Go!”: A faixa mais corajosa e experimental do projeto. Um baixo metálico briga com guitarras flamencas em um ritmo de pura ansiedade e claustrofobia. É rock moderno e pulsante, lembrando a energia visceral de bandas pós-punk.
- “Coming Up Roses”: Com arranjos de cordas do maestro vencedor do Grammy Jules Buckley, a música é uma balada arrebatadora sobre tentar viver um novo amor enquanto os fantasmas das inseguranças passadas ainda rondam. Uma verdadeira catarse emocional.
‘O veredito’
“Kiss All The Time. Disco, Occasionally.” prova que Harry Styles não tem o menor interesse em se repetir. O álbum tem seus momentos de irregularidade e algumas letras que soam enigmáticas até demais, mas é justamente essa recusa em ser perfeito que o torna tão fascinante.
O britânico entregou um projeto que soa como um desabafo íntimo feito no ouvido de um estranho, às três da manhã, no meio de uma festa lotada. E a mensagem é clara: a liberdade é o melhor ritmo que existe.
