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Rap/Hip Hop

Diddy é condenado por promover prostituição e escapa de acusações mais graves

Diddy. Foto: Reprodução / X @diddy

O rapper e empresário Sean “Diddy” Combs foi condenado nesta semana por duas acusações de transporte com objetivo de promover prostituição, após um julgamento federal que durou oito semanas nos Estados Unidos. Apesar da sentença que pode levá-lo à prisão por até 20 anos, Combs foi absolvido das três acusações mais graves, incluindo duas de tráfico sexual e uma de associação criminosa (conhecida como “racketeering”), o que foi considerado uma vitória parcial por sua equipe de defesa.

De acordo com informações do tribunal, os crimes pelos quais Combs foi condenado envolvem a organização e o transporte de pessoas com o objetivo de participar de festas sexuais que teriam ocorrido em diferentes estados, promovidas e bancadas pelo próprio artista. Mesmo assim, após o anúncio do veredito dividido, Combs demonstrou alívio. Ele agradeceu em silêncio aos jurados, cumprimentou seus advogados e se reuniu com familiares na saída do tribunal. A defesa trabalha agora para tentar garantir a sua liberdade até a data da sentença, oferecendo uma fiança de US$ 1 milhão. O Ministério Público, no entanto, argumenta que o artista representa risco e que a condenação deve ser tratada com o devido rigor. A decisão final sobre a fiança ainda será avaliada pelo juiz responsável pelo caso.

O julgamento teve grande repercussão e expôs uma série de acusações graves contra Combs. Ao longo das audiências, 34 testemunhas relataram episódios de violência, abuso, coerção e suborno, além de festas conhecidas como “freak-offs”, eventos que, segundo a acusação, envolviam consumo de drogas e práticas sexuais com acompanhantes pagos, muitas vezes transportados entre estados. A promotoria afirmou que o rapper utilizava sua posição de poder e influência para manipular e controlar as vítimas, inclusive oferecendo dinheiro e moradia em troca da participação nessas festas.

Entre os relatos mais contundentes está o de Cassie Ventura, ex-namorada de Diddy por mais de uma década. Ela afirmou ter sido vítima de agressões físicas e psicológicas durante o relacionamento. Vídeos e fotos apresentados ao júri mostraram lesões sofridas por ela e trechos de festas ocorridas ao longo dos anos. Ventura entrou com um processo civil contra Combs em novembro de 2023, que terminou com um acordo de US$ 20 milhões no dia seguinte à abertura do caso.

Outra testemunha, identificada apenas como “Jane”, afirmou ter vivido um relacionamento com o artista entre 2021 e 2024. Ela relatou ter sido forçada a consumir drogas e participar dos “freak-offs”, além de ter sofrido agressões físicas. O caso dela foi descrito pela acusação como o exemplo mais claro de tráfico sexual. Segundo o depoimento, Combs chegou a agredi-la, drogá-la e, em seguida, convidar um acompanhante para participar do ato. “Isso aqui é coerção?”, teria dito o artista, em tom de deboche.

A funcionária “Mia”, que trabalhou como assistente pessoal e depois como executiva para Combs, também prestou depoimento, relatando episódios de agressão física e estupro durante o expediente. Outros testemunhos envolveram acusações de suborno, intimidação e até tentativa de homicídio. Um designer de moda afirmou que o artista tentou jogá-la da varanda de um prédio de 17 andares. Um segurança de hotel relatou ter recebido US$ 100 mil em dinheiro vivo para apagar imagens de segurança que mostravam uma agressão cometida por Combs em 2016.

Além disso, o rapper Kid Cudi, que teve um breve relacionamento com Cassie em 2011, afirmou que Combs invadiu sua casa e, posteriormente, teria mandado incendiar seu carro. A promotoria sustentou que o artista liderava uma rede organizada, com seguranças e funcionários envolvidos em acobertar atividades ilegais como tráfico sexual, suborno, uso de drogas e destruição de provas.

A defesa, por outro lado, argumentou que Combs levava uma vida de “relacionamentos consensuais entre adultos” e que suas festas eram parte de um estilo de vida libertino. Os advogados também afirmaram que seus funcionários não tinham conhecimento de atividades ilegais e que não havia provas de uma conspiração para cometer crimes.

Um dos principais elementos do processo foi um vídeo de 2016, gravado em um hotel de Los Angeles, que mostra Combs agredindo Cassie de forma violenta durante uma das festas. O material foi exibido repetidamente ao longo do julgamento. “Assumimos a responsabilidade pela violência doméstica”, disse o advogado de defesa Marc Agnifilo, em seu discurso final, alegando que os episódios de agressão não estavam relacionados às festas descritas no caso.

Combs deve aguardar a sentença definitiva nas próximas semanas. Mesmo absolvido das acusações mais graves, o veredito já marca um ponto de ruptura em sua trajetória como um dos nomes mais influentes da indústria do entretenimento.

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Publicitária e pós-graduada em Marketing e Mídias Sociais. Apaixonada por música, filmes, séries e tudo que envolve o universo das redes sociais.

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