A cantora e compositora britânica Charli XCX abriu o coração em uma das entrevistas mais honestas e vulneráveis de sua carreira. Capa da nova edição da prestigiada revista Rolling Stone lançada nesta quinta-feira (18 de junho de 2026), a estrela pop de 33 anos revelou que o sucesso avassalador e a comoção cultural em torno de seu álbum de 2024, Brat, cobraram um preço altíssimo de seu bem-estar emocional, levando-a ao ponto de quase abandonar a carreira musical de forma definitiva por puro esgotamento criativo.
Resumo da notícia:
- Crise de saúde mental: Charli confessou estar enfrentando o pior momento psicológico de toda a sua vida, lutando contra a volatilidade de suas emoções.
- Quase aposentadoria: O dreno de energia pós-Brat foi tão intenso que a artista estava genuinamente pronta para se afastar dos estúdios, até que uma onda súbita de inspiração a resgatou.
- Desconexão digital: Conhecida historicamente por ser uma artista extremamente conectada à internet, ela decidiu se afastar quase por completo das redes para proteger o cérebro.
- Próximo passo sem rótulos: Trabalhando novamente com A. G. Cook e Finn Keane, ela rejeita os boatos de que fará um “álbum de rock” tradicional e critica noções antigas de gêneros musicais.
- Despedida dos holofotes: Sobrecarregada com os discursos e debates online, Charli anunciou que esta será sua última grande entrevista com jornalistas por um bom tempo.
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O peso psicológico do estrondo cultural de ‘Brat’
A era Brat transformou Charli XCX de uma figura cultuada do circuito pc-music e dona do hit “Boom Clap” em um verdadeiro pilar da cultura pop contemporânea, ditando tendências estéticas e comportamentais ao redor do globo. No entanto, a superexposição e o barulho incessante da internet acabaram sufocando a saúde mental da cantora. Ela explicou que, embora o público possa achar difícil de acreditar por conta de seu histórico hiperconectado, a decisão de ficar majoritariamente offline virou uma tática de sobrevivência.
“Eu tenho andado muito mais offline. Eu realmente não olho mais as redes sociais tanto assim. É simplesmente melhor para o meu cérebro. Sei que as pessoas provavelmente não vão acreditar em mim, porque eu sou inerentemente, pelo menos no passado, uma artista muito online. Mas eu recentemente tenho realmente lutado com a minha saúde mental a um ponto onde, se eu estiver sendo sincera, estou no pior lugar mental em que já estive na minha vida inteira”, desabafou a artista.
Charli confessou que suas emoções estão extremamente voláteis e que o processo de dar entrevistas tem se tornado opressor. O desgaste foi tamanho que a ideia de parar de fazer música bateu à sua porta. “Eu estava realmente, realmente pronta para dar um tchau, tirar uma folga e não fazer mais música. Eu me senti muito drenada criativamente e sem nenhuma inspiração para escrever algo novo. Então, de repente, a inspiração veio”, revelou, apontando que seu próximo álbum funcionará como um oposto direto do projeto anterior, já que ela abomina a ideia de se repetir artisticamente.
O luto por Sophie, a recusa por explicações e o conceito de mortalidade
Outro ponto profundamente tocante da entrevista foi quando a cantora abordou o processo de luto contínuo pela perda de sua amiga e colaboradora de longa data, a lendária produtora SOPHIE. Charli destacou que processar a ausência de alguém que mudou completamente sua vida pessoal e criativa tem sido complexo, mas que transformar essa dor em música serve como uma ferramenta de catarse indispensável.
Essa vivência com a perda moldou a sua perspectiva atual sobre a própria mortalidade e sobre como deseja conduzir seus passos daqui para frente. A artista deixou claro que não sente a menor necessidade de ficar explicando as intenções ou os conceitos por trás de suas composições para o público ou para a crítica especializada, defendendo que o seu trabalho pode transitar livremente entre a seriedade e o humor sem precisar de justificativas.
“Estou com essa mentalidade no momento de que a minha vida vai acabar, assim como a vida de todos nós. Eu quero viver a minha vida exatamente da maneira que eu quero viver, porque eu não vou ter uma segunda chance”, refletiu.
A cena eletrônica atual e o orgulho pelas conquistas de Raye e Zara Larsson
Apesar do desabafo doloroso sobre o lado B da fama, Charli reservou momentos da conversa para destilar otimismo sobre o atual cenário da música eletrônica e celebrar o sucesso de suas colegas de profissão. Ao comentar sobre o verso de uma de suas músicas inéditas que diz que “a pista de dança está morta”, ela explicou que a linha reflete estritamente sua crise pessoal com o disco anterior, e não uma análise real do mercado fonográfico. Charli elogiou os lançamentos recentes de nomes como Slayyyter, Underscores e PinkPantheress, garantindo que a dance music está em um momento fantástico.
A estrela demonstrou imensa alegria ao ver artistas veteranas finalmente colhendo os frutos de anos de trabalho duro, citando nominalmente o sucesso de Zara Larsson e, principalmente, de sua amiga de longa data Raye. “Houve um tempo em nossas vidas em que estávamos muito juntas. E a jornada dela, tornando-se uma artista independente e fazendo as coisas do seu próprio jeito, é algo muito foda”, elogiou. Longe do turbilhão da mídia, os planos imediatos de Charli incluem focar em projetos de atuação cinematográfica e passar uma temporada de verão na Suécia para tentar recuperar seu equilíbrio espiritual e fincar os pés no chão.
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