Durante a 79ª edição do Bafta Film Awards neste domingo, um incidente grave marcou a entrega do prêmio de Melhores Efeitos Visuais. Enquanto os atores negros Michael B. Jordan e Delroy Lindo estavam no palco, o ativista John Davidson, que tem síndrome de Tourette e inspirou o filme “I Swear“, teve um tique vocal involuntário e gritou a “N-word” (termo de extremo peso racista na língua inglesa). O problema central que desencadeou a crise foi que a ofensa racial vazou e foi transmitida sem filtros pela emissora oficial para o mundo todo, expondo os atores e o público a um momento de profunda violência histórica.
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Como desdobramento imediato da péssima repercussão, a BBC tomou medidas emergenciais no início da tarde desta segunda-feira (23). A emissora retirou a cerimônia do ar de seu serviço de streaming, o iPlayer, e confirmou que o trecho contendo o termo racista será editado e permanentemente removido antes que a gravação do prêmio seja republicada na plataforma.
A revolta do público e da imprensa especializada, no entanto, foca na negligência e na hipocrisia editorial do canal. A transmissão operava com um atraso de segurança (tape delay) de duas horas, tempo de sobra para aplicar cortes. A indignação aumentou porque, na mesma noite, a BBC encontrou agilidade para censurar outras falas: a emissora cortou o momento em que o diretor Akinola Davies Jr. disse “Free Palestine” (Palestina Livre) e inseriu um “bip” para censurar a palavra “piss” (um palavrão leve) no discurso de Paul Thomas Anderson. Nos EUA, o canal E! também transmitiu a ofensa sem censura.
O caso rememora outra grave falha recente de edição da emissora. No último verão europeu, a BBC enfrentou duras críticas após transmitir um show da dupla Bob Vylan no Festival de Glastonbury. Na ocasião, a banda puxou um coro de “Morte às Forças de Defesa de Israel” em uma transmissão ao vivo no iPlayer. O trecho ficou no ar por mais de cinco horas antes de ser derrubado, forçando o primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, a exigir explicações oficiais e levando a corporação a revisar seus protocolos de transmissão — regras que, pelo visto, voltaram a falhar no Bafta.
O posicionamento oficial da emissora
Após retirar o conteúdo do ar, um porta-voz da BBC divulgou a seguinte nota de retratação:
“Alguns espectadores podem ter ouvido uma linguagem forte e ofensiva durante o Bafta Film Awards 2026. Isso surgiu de tiques verbais involuntários associados à síndrome de Tourette e, como explicado durante a cerimônia, não foi intencional. Pedimos desculpas por isso não ter sido editado antes da transmissão e por qualquer ofensa causada. O trecho será agora removido da versão no BBC iPlayer.”
Imprensa aponta falha dupla e expõe falta de preparo
Em um artigo contundente na revista especializada Variety, o crítico Clayton Davis destacou que a culpa do incidente não recai sobre John Davidson, nem sobre os atores no palco, mas exclusivamente sobre as instituições (Bafta e BBC) que não souberam manejar um evento ao vivo. Segundo a crítica, a emissora falhou com duas comunidades simultaneamente:
- O peso para a comunidade negra: A “N-word” carrega séculos de desumanização e escravidão. Obrigar Michael B. Jordan e Delroy Lindo a absorverem essa violência em um palco global, permitindo que o clipe circule pelas redes sociais fora de contexto, causa um dano que não é apagado apenas porque o emissor não teve a intenção de ofender.
- A estigmatização da síndrome de Tourette: O incidente também expôs Davidson — e toda a comunidade de pessoas com Tourette — a ataques de ódio baseados em desinformação. O ativista sofreu um episódio de coprolalia, que afeta uma minoria de pessoas com a síndrome e causa a explosão involuntária de palavras obscenas ou tabus. É um evento puramente neurológico. A falha da BBC em proteger a transmissão transformou um espaço que deveria celebrar a inclusão de pessoas com deficiência em um ambiente de hostilidade.
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