A empolgação se aproxima de seu nível máximo com o lançamento de “White Horses”, novo single da banda britânica Wolf Alice. A música é a única do disco The Clearing – aguardado ansiosamente pelo público para o dia 22 de agosto – que tem o baterista Joel Amey como cantor principal, em seus primeiros versos, até começar um dueto harmônico (e harmonioso) com a vocalista Ellie Rowsell.
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Tudo começou com anotações de Joel em seu app durante uma viagem de carro com sua mãe, tia e irmã. Nos últimos dias da gravação do disco, ele voltou aos versos, até chegar à expansão em uma música. O esqueleto da faixa foi levado à banda, que produziu a canção, de acordo com o conceito e a sonoridade de The Clearing.
– Me inspirei nas músicas que já tínhamos e que vinham ganhado forma para o disco – diz Joel. – Os formatos sônicos que estávamos criando, os sons acústicos, as harmonias… mas eu quis unir a tudo isso uma discreta batida krautrock.
A letra versa sobre a família do músico.
– Não sabíamos exatamente que herança carregamos até recentemente. Minha mãe e minha tia foram adotadas, e por anos isso nos levou a perguntas sobre a nossa identidade e onde ficavam nossas raízes. As respostas de que eu precisava nunca apareciam.
Ao viajar pelo mundo com o Wolf Alice ao longo de seus 20 e poucos anos, o senso de lar de Joel ficou mais vago.
– Eu estava em uma grande aventura com meus melhores amigos, sem sentir que precisasse chamar lugar algum de casa, vivendo a partir de uma mala, tudo o que acontece quando se está em uma banda. Achava que as perguntas “quem sou eu?” e “de onde venho?” não importavam tanto; eu tinha escolhido a minha família, que eram as pessoas à minha volta.
Mas, como acontece com muitas coisas na vida, na medida em que Joel ficou mais velho, cresceu a curiosidade a respeito de suas origens. Ela veio com um pouco de animação e algum medo, mas sempre com a segurança de que, fosse qual fosse o resultado da busca, ele sempre seria grato pelas pessoas que já tinha a seu lado.
– “White Horses” sou eu botando tudo isso em uma canção, com a ajuda de Ellie, Joff e Theo – diz ele.
Musicalmente, a canção pega influências da dance music alternativa, unida ao feeling de rock setentista que caracteriza o disco. Ela traz um som expansivo, que carrega em si possibilidades infinitas, caminhando por trilhas que levam a uma crescente. A letra explode com sua força psicodélica: “Saber quem eu sou é importante para mim/ Faço o que puder para ver a madeira que vem das árvores”. Eufórico.
“White Horses” vem em seguida aos explosivos singles “Bloom Baby Bloom” e “The Sofa”, que a banda divulgou logo após sua gloriosa volta ao festival de Glastonbury, no Other Stage, levando muita gente às lágrimas.
Lúdico e sério, irônico e direto, “The Clearing” é parte de uma mudança progressiva em uma banda cuja exploração do amor, da perda e da conexão humana já traduziu a experiência do amadurecimento para uma geração inteira. É um álbum clássico de pop-rock, que remete aos anos 1970 sem deixar de ter raízes sólidas no presente. Se o Fleetwood Mac compusesse um disco hoje, no norte de Londres, o ouvinte chegaria perto desta série de faixas grandiosas, mas que soam naturais, sem esforço, cada uma tão marcante quanto a anterior. Sonoramente, não há desperdício nem histeria; apenas as melodias mais impositivas que a banda já criou. É um novo começo, e cada integrante (além de Ellie, Joff Odie na guitarra, Theo Ellis no baixo e Joel Amey na bateria) sente isso tão intensamente quanto os ouvintes.
No centro do álbum está a narrativa poética em constante evolução de Ellie, ao lado do desejo natural de que os quatro se divirtam, seguros de sua ambição e capacidade. “The Clearing” encapsula aquela sensação libertadora de encontrar um momento de paz e clareza, tendo sobrevivido à frivolidade desenfreada dos 20 anos e emergindo para o futuro. Bem-vindos a um retrato do Wolf Alice à beira de uma nova década, tanto na vida quanto na arte. Podem admirar.
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