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The Kooks conquista fãs cariocas com indie rock clássico

The Kooks. Foto: Danielle Barbosa

Os ingleses do The Kooks cumpriram a tradição britânica da pontualidade e subiram ao palco do Metropolitan nesta quinta-feira (27) dentro do horário previsto e causaram berros histéricos do público – predominantemente feminino -, que aguardava ansiosamente pelo reencontro com os “caras”. Eles já vieram ao Brasil outras vezes e foi na apresentação no Palco Ônix do Lollapalooza 2015 que o quarteto teve mais apelo de espectadores e demonstrou uma energia muito boa. O álbum “Listen”, lançado em 2014, foi o mais explorado pelos músicos na setlist do Rio, mas não faltaram clássicos do “Inside In/Inside Out” (2006), “Konk” (2008) e “Junk of the Heart” (2011).

Luke Pritchard, frontman da banda, veio com um um look mais formal, contrastando com o visual despojado que usou no Lollapalooza. Composto por uma camisa de punho e uma calça escura de pregas, o traje parecia mais adequado para um evento social e não para um show de rock. Mas uma coisa chamou atenção nos pés do vocalista: o sapato todo estiloso e de bolinhas que usava. As fãs, que estavam grudadas na grade, não deixaram o detalhe passar e começaram a elogiar em inglês o calçado do cantor, mas ele parece não ter ouvido ou se importado. O palco, porém, não tinha grandes apetrechos nem cenário muito elaborado: o background era um vermelho simples com o logo da banda, funcional e condizente com a ocasião.

O hit “Always Where I Need to Be” e o single “Ooh La” vieram logo de cara e tiveram grande adesão da plateia. O volume só aumentava a cada contato que Luke fazia com os fãs, apontando na direção deles e pedindo que colocassem as mãos pra cima e batessem palmas. Essa foi a marca registrada do músico na noite, que por muitas vezes preferiu usar da linguagem corporal e não se estender em longos diálogos. No começo, as falas se restringiram a alguns “obrigados” com um sotaque muito particular e embolado.

Hugh Harris (guitarra), Paul Garred (bateria) e Max Refferty (baixo) se limitaram a acompanhar os vocais das canções e reproduzir com fidelidade o som produzido nos álbuns de estúdio, pouco interagindo com as pessoas que haviam ido à apresentação. Em “Seaside”, inclusive, apenas Luke, um violão a tiracolo e um refletor iluminando apenas o artista transformaram o clima em algo completamente intimista. Enquanto o vocal marcante, suave e acordes melódicos da música preenchiam o espaço, algumas pessoas se abraçavam e cantavam com olhos quase que marejados. “Muito obrigado, vocês são tão lindos!”, retribuiu o cantor.

Sem muitas pausas para goles de água ou trocas de instrumentos, o show foi conduzido de modo muito inteligente e tudo fluiu sem problemas. A vibe era tão leve que a maioria dos fãs não contiveram as ‘dancinhas’ em “She Moves in Her Own Way” e fecharam os olhos para sentir a profundeza de algumas letras como nas canções “Taking Pictures of You” e “Sway”. Alguns chegavam até a esbravejar trechos das músicas e sacudir a cabeça como se realmente se identificassem com o conteúdo.

O encerramento foi de arrasar o coração indie de qualquer fã que estava presente: “Bad Habit”, “Junk of the Heart” e “Naïve” foram as mais comemoradas. Na primeira, os coros de “ooooh” que fazem parte de toda a música continuaram ainda por um minuto depois do fim de sua execução. “Naïve”, talvez o hit mais popular e forte do The Kooks, traduziu o sentimento de alegria dos cariocas por receber a banda mais uma vez (a última havia sido no Circo Voador, em 2012) e mal se conseguiu ouvir a voz de Luke Pritchard tamanho era o barulho.

“Por favor, nos recebam de volta, voltaremos a qualquer momento. Nós amamos vocês”, finalizou o líder da banda pontualmente às 23h40, com muitos ‘tchauzinhos’ e agradecimentos aos fãs.

 

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Danielle Barbosa
Escrito por

Pós-graduanda, leonina, 24 anos e jornalista da área de entretenimento há 4 anos. Atuei na produção e imprensa de eventos como Rock in Rio (2013, 2015 e 2017), Lollapalooza Brasil, Maximus Festival e Olimpíadas Rio 2016. A música é como uma extensão da minha alma e a diversidade cultural e linguística me fascinam. Livros não podem faltar na minha estante, shows na minha agenda e esportes na minha programação dia-a-dia. Se pudesse me descrever em uma frase na atual fase da vida, esta seria: "Find what you love and let it kill you." BUKOWSKI, Charles.

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