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‘O Diabo Veste Prada 2’ estreia com R$ 1,16 bilhão e quebra recordes históricos

O Diabo Veste Prada 2. Foto: Divulgação

Os cinemas de todo o mundo voltaram a ficar “na moda” — e o desfile de lucros em Hollywood está apenas começando. Pelo menos é isso o que indicam os números espetaculares de arrecadação deste fim de semana, impulsionados pela presença em massa do público para conferir o tão aguardado lançamento de O Diabo Veste Prada 2 (The Devil Wears Prada 2). Vinte anos após o original redefinir o gênero de dramédias e eternizar personagens na cultura pop, a sequência prova que o poder e a influência de Miranda Priestly permanecem absolutamente inabaláveis perante o público e a indústria.

A aguardada sequência, agora sob o imenso guarda-chuva da Disney e produzida pelo selo 20th Century Studios, desafiou as expectativas mais otimistas das bilheterias mundiais. No mercado doméstico (que engloba os cobiçados territórios dos Estados Unidos e do Canadá), o longa-metragem estreou arrecadando estrondosos US$ 77 milhões (cerca de R$ 384,2 milhões) ao ser exibido em 4.150 complexos de cinema apenas em seu fim de semana de abertura. Esses números colossais de vendas de ingressos nos primeiros dias já superam de forma esmagadora o desempenho do filme original. Para fins de comparação, a primeira aventura no mundo da Runway Magazine, lançada em 2006, abriu com uma arrecadação doméstica de US$ 27,5 milhões (aproximadamente R$ 137,2 milhões), um valor expressivo para a época, mas que agora parece tímido perto do fenômeno atual.

Além do salto financeiro evidente, a estreia estelar coloca O Diabo Veste Prada 2 na invejável posição de quarta melhor abertura de todo o ano de 2026 até o momento. A dramédia fashion fica atrás apenas de produções gigantescas e dominadas por efeitos visuais, como a cinebiografia Michael com US$ 97,5 milhões (cerca de R$ 486,5 milhões), a animação The Super Mario Galaxy Movie com US$ 131 milhões (cerca de R$ 653,6 milhões) e a aventura de ficção científica Project Hail Mary com US$ 80 milhões (cerca de R$ 399,2 milhões).

O domínio global e um orçamento de peso

No mercado internacional, a força da grife Miranda Priestly se provou tão avassaladora quanto nas passarelas de Nova York, Paris e Milão. O Diabo Veste Prada 2 acumulou mais US$ 156,6 milhões (aproximadamente R$ 781,4 milhões) nas bilheterias de outros países ao redor do globo. Somando os mercados, as vendas globais de ingressos atingiram a marca impressionante de US$ 233,6 milhões (cerca de R$ 1,16 bilhão) apenas neste primeiro fim de semana. Com essa performance arrebatadora, a sequência garantiu a segunda maior estreia mundial de 2026, ficando confortavelmente à frente de Michael — que abriu com US$ 217 milhões (cerca de R$ 1,08 bilhão) globalmente — e perdendo o topo apenas para o fenômeno The Super Mario Galaxy Movie, que estreou com astronômicos US$ 372,5 milhões (cerca de R$ 1,85 bilhão).

Para reviver esse universo de luxo, glamour e exigências implacáveis, a 20th Century Studios não poupou despesas. O estúdio gastou generosamente na sequência, que foi produzida por um valor estimado em US$ 100 milhões (cerca de R$ 499 milhões), um montante base que não inclui o massivo orçamento de marketing mundial necessário para uma campanha de lançamento global. Para colocar isso em perspectiva, o primeiro filme carregou uma etiqueta de preço de cerca de US$ 40 milhões (cerca de R$ 199,6 milhões), sem ajustar os valores pela inflação atual.

O diretor David Frankel, que retornou para comandar o novo projeto, revelou em uma recente entrevista ao renomado New York Times que o alto orçamento da sequência “foi em grande parte destinado [ao elenco]”. E não é para menos: reunir grandes estrelas do cinema atual tem um preço alto. Contudo, o grande investimento da Disney em mais uma dose de Prada já está provando ser um dinheiro extremamente bem gasto. Especialistas da indústria apontam que o segundo filme está totalmente preparado para superar toda a arrecadação vitalícia do original em questão de poucas semanas de exibição.

“Muito poucas dramédias conseguem fazer esse tipo de negócio estrondoso uma vez, muito menos uma segunda vez e de forma ainda maior”, avalia o especialista David A. Gross, que publica a respeitada newsletter de bilheterias FranchiseRe. Segundo ele, o grande motor desse sucesso é claro: “O público, em sua esmagadora maioria feminino, simplesmente não se cansa da franquia”.

A força da nostalgia e o legado da moda

O fenômeno começou com o romance de 2003 da autora Lauren Weisberger, um roman à clef (romance com chaves, baseado em fatos reais) sobre as suas intensas experiências trabalhando como assistente da todo-poderosa editora-chefe da revista Vogue, a lendária Anna Wintour. Esse livro serviu como a base sólida do primeiro filme. A continuação cinematográfica de 2026, que trouxe de volta o diretor original Frankel e a brilhante roteirista Aline Brosh McKenna, retoma a história exatamente duas décadas depois.

Neste novo capítulo, vemos a personagem Andy Sachs (interpretada por Anne Hathaway) retornando à emblemática revista Runway, agora assumindo o cargo de editora de reportagens especiais. Ela se vê trabalhando novamente sob o olhar clínico e a exigência extrema da poderosa editora-chefe Miranda Priestly (Meryl Streep). Embora as críticas iniciais da imprensa especializada tenham sido mistas, o público comum se mostrou muito mais receptivo e apaixonado pela obra. Os espectadores que foram aos cinemas concederam ao filme uma excelente nota “A-” nas pesquisas de saída do CinemaScore. Além disso, de acordo com o portal de estatísticas PostTrak, quase 75% da multidão presente no fim de semana de abertura era composta por mulheres, reafirmando o poder de engajamento do longa com o público feminino.

É inegável que O Diabo Veste Prada 2 se beneficiou enormemente do fator nostalgia, bem como da excitação palpável de ver o elenco original — composto por Streep, Hathaway, Emily Blunt e Stanley Tucci — retornando aos seus amados papéis após um hiato de 20 anos. O primeiro filme foi um estrondoso sucesso comercial, arrecadando US$ 326 milhões (cerca de R$ 1,62 bilhão) globalmente em 2006, e se manteve como uma verdadeira pedra de toque cultural que atravessou diferentes gerações. Grande parte desse legado duradouro se deve a falas infinitamente citáveis, como “preparem-se!” (gird your loins!), “por todos os meios, mova-se em um ritmo glacial”, além do inesquecível e devastador monólogo de Miranda sobre a origem de um suéter de cor azul cerúleo.

“Eu nunca tive a menor ideia de que as minhas falas seriam citadas de volta para mim toda semana da minha vida desde que o filme foi lançado”, confessou a atriz Emily Blunt à revista Variety na época em que o primeiro filme completou 10 anos, demonstrando o impacto vitalício de sua icônica personagem na memória coletiva.

O Rei do Pop e o encanador da Nintendo seguem firmes

Como O Diabo Veste Prada 2 foi o único grande e expressivo novo lançamento deste fim de semana, títulos que já estavam em cartaz arredondaram o restante das paradas de bilheteria com bastante facilidade. O segundo lugar ficou com a já citada cinebiografia Michael, que arrecadou massivos US$ 54 milhões (cerca de R$ 269,4 milhões) exibidos em 3.955 locais em seu segundo fim de semana em cartaz. O filme teve uma queda de apenas 44% em relação à sua estreia estrondosa. O projeto musical da Lionsgate sobre a vida do Rei do Pop, Michael Jackson, tem sido uma atração colossal para o público, acumulando impressionantes US$ 183,8 milhões (cerca de R$ 917,1 milhões) na América do Norte e US$ 423 milhões (cerca de R$ 2,11 bilhões) globalmente após apenas 12 curtos dias nos cinemas de todo o mundo.

A animação The Super Mario Galaxy Movie, da poderosa Universal Pictures, aterrissou em um confortável terceiro lugar com US$ 12,1 milhões (cerca de R$ 60,3 milhões) arrecadados em 3.419 locais. Após quatro fins de semana em exibição contínua, o filme voltado para toda a família arrecadou impressionantes US$ 402,67 milhões (cerca de R$ 2,00 bilhões) domesticamente e quase US$ 900 milhões (cerca de R$ 4,49 bilhões) nas bilheterias globais. É mais um rolo compressor de lucros absoluto para a parceria de sucesso entre a Universal, a Illumination e a gigante dos games Nintendo, especialmente depois que o primeiro filme da franquia gerou incríveis US$ 574 milhões (cerca de R$ 2,86 bilhões) na América do Norte e estupendos US$ 1,3 bilhão (cerca de R$ 6,48 bilhões) globalmente no ano de 2023.

Ficção científica, terror indie e decepções animadas

A aclamada ficção científica Project Hail Mary ocupou a quarta posição das paradas da semana, adicionando US$ 8,5 milhões (cerca de R$ 42,4 milhões) através de 3.017 locais de exibição. Esta é mais uma sustentação incrivelmente sólida para o épico espacial, que já se encontra em seu sétimo fim de semana de exibição nos cinemas. Até o momento presente, o blockbuster liderado pelo astro Ryan Gosling acumulou a notável quantia de US$ 318 milhões (cerca de R$ 1,58 bilhão) na América do Norte e US$ 638,4 milhões (cerca de R$ 3,18 bilhões) em todo o mundo. A obra atualmente se destaca como o segundo filme de maior bilheteria de Hollywood do ano, embora analistas de mercado apontem que a cinebiografia Michael possa em breve ultrapassar essa importante marca.

Também recém-chegado aos cinemas está o thriller independente Hokum, da distribuidora Neon, que estreou garantindo o quinto lugar com uma arrecadação de US$ 6,4 milhões (cerca de R$ 31,9 milhões) em apenas 1.855 cinemas. Trata-se de um começo bastante forte para o projeto, considerando que o filme de terror está sendo exibido em muito menos cinemas do que os gigantes que compõem o resto dos cinco primeiros colocados da semana. O ator Adam Scott estrela o longa como um escritor perturbado que viaja para uma isolada pousada irlandesa com o objetivo de espalhar as cinzas de seus falecidos pais, completamente alheio ao fato de que a velha propriedade é assombrada por um mal antigo e sinistro. O filme de terror ganhou uma respeitável nota “B” no CinemaScore, o que é um feito muito forte e raro para as obras deste gênero específico.

“Os espectadores geralmente se encontram em algum estado de forte agitação, estresse ou medo no final de um filme de terror”, acrescenta o especialista David A. Gross, justificando a forma como as notas são calculadas. “Portanto, uma pontuação ‘B’ neste segmento é considerada excelente”.

Por fim, a animação Animal Farm, a última grande novidade a tentar a sorte nas bilheterias neste fim de semana, estreou na modesta sexta posição, arrecadando apenas US$ 3,3 milhões (cerca de R$ 16,4 milhões) em cerca de 2.600 telas de cinema. A distribuidora Angel Studios apoiou o arriscado remake animado focado na célebre distopia orwelliana, que, infelizmente para os produtores, tem sido sobrecarregado e prejudicado por uma enxurrada de críticas terríveis da imprensa especializada e uma fraca e decepcionante nota “C-” nas pesquisas de satisfação do público do CinemaScore.

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