Pop
Novo álbum de Lizzo não entra na Billboard 200 e acende alerta sobre a carreira
Não há como negar que Lizzo é uma artista singular. Após explodir no cenário musical em 2019 com uma sequência implacável de hits como “Juice”, “About Damn Time” e “Good as Hell”, a cantora parecia ter pavimentado um caminho sólido rumo ao topo do pop global. No entanto, o lançamento de seu quinto álbum de estúdio, intitulado Bitch, revelou uma realidade dura e inesperada: o projeto falhou categoricamente em entrar na Billboard 200, a principal parada de álbuns dos Estados Unidos, gerando debates intensos nos bastidores da indústria fonográfica neste mês de junho de 2026.
Os números alarmantes do novo lançamento:
- Queda drástica de vendas: Lançado em 5 de junho pela Atlantic Records, Bitch vendeu apenas 2.649 cópias físicas na primeira semana e registrou pouco menos de 2,7 milhões de streams.
- Declínio na segunda semana: No segundo ciclo de contagem da Luminate, as vendas despencaram para meras 650 unidades, e os streams caíram para menos de 900 mil.
- Contraste com o passado: Seu disco anterior, Special (2022), estreou na segunda posição da Billboard 200 com 69 mil unidades equivalentes.
- Rejeição do público: Nenhum dos três singles do projeto conseguiu tração nas plataformas digitais ou nas programações de rádio.
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Falta de base de fãs ativa e a mudança no consumo musical
A derrocada comercial de Lizzo levanta questionamentos profundos sobre a longevidade no pop atual. Em entrevista à revista Rolling Stone, um ex-executivo sênior de gravadora apontou que a cantora sempre foi uma artista movida a faixas individuais e hits de rádio, carecendo de uma base de fãs verdadeiramente engajada e leal — elemento considerado vital para sustentar a carreira de um artista na era do streaming.
A própria cantora usou sua conta na rede social X para tentar justificar o desempenho pífio, culpando as transformações do mercado. “A indústria mudou muito nos últimos três anos. O streaming substituiu o rádio, e eu era a queridinha das rádios. Era assim que meus fãs descobriam minha música”, desabafou Lizzo. Contudo, analistas de mercado rebatem o argumento, destacando que depender puramente de algoritmos e não mobilizar os mais de 37 milhões de seguidores que ela acumula no TikTok e Instagram reflete uma falha grave de estratégia e comunicação.
O impacto do processo judicial e a quebra de confiança na marca
Para além das dinâmicas de mercado, o fator primordial para o declínio de Lizzo está diretamente ligado à grave crise de imagem que ela enfrenta desde 2023. Naquele ano, um grupo de ex-dançarinas de sua turnê abriu um processo judicial acusando a cantora de assédio sexual, criação de um ambiente de trabalho hostil e discriminação por peso (*fat-shaming*). O caso ainda não foi julgado, e Lizzo declarou recentemente em entrevista a Gayle King na CBS Mornings que prefere ir a julgamento a fechar um acordo financeiro.
O impacto dessa polêmica foi fatal para o seu modelo de negócios. A essência da marca de Lizzo sempre foi baseada na exaltação do amor-próprio, do apoio mútuo e do movimento de *body positivity*. Quando o público viu o discurso da artista ser colocado em xeque nos tribunais, o vínculo de confiança que sustentava sua persona pública quebrou de forma irreparável.
“Grande parte do apelo dela era ser a figura que apoiava a todos. Quando você é cobrada judicialmente por maltratar exatamente o grupo de pessoas que defendia como sua marca registrada, os fãs simplesmente deixam de torcer por você e te abandonam”, explicou o insider à Rolling Stone.
Tensão com a gravadora e os rumos musicais do projeto
O clima tenso também se estendeu aos bastidores da Atlantic Records. Atualmente chefiada por Elliot Grainge, a gravadora parece ter reduzido drasticamente o orçamento de promoção voltado para a cantora. Em maio, Lizzo chegou a publicar um vídeo colando cartazes na rua por conta própria, reclamando que sua equipe não estava investindo na divulgação de Bitch.
Musicalmente, o álbum também sofreu duras críticas por soar cínico e engessado. Afastando-se das rimas afiadas de sua mixtape de 2025, My Face Hurts From Smiling, o novo disco apostou em uma sonoridade pop e R&B genérica. Nem mesmo “Sexy Ladies” — single lançado em parceria com a banda UCB e produzido pelo aclamado produtor Tay Keith, que faleceu tragicamente na semana passada aos 29 anos — conseguiu reverter o desinteresse geral.
Apesar do cenário desolador, especialistas apontam que o mundo do pop em 2026 é volátil e que “um hit cura tudo”. O momento atual não decreta o fim definitivo de Lizzo, mas serve como um lembrete incisivo de que, sem o apoio genuíno de uma base de fãs e com uma reputação severamente arranhada, o caminho de volta ao topo será longo e complexo.
