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‘Minions & Monstros’ exagera na infantilidade e não faz jus ao legado da franquia

É difícil ver uma franquia que amamos perder o brilho, mas às vezes a franqueza é necessária. Minions & Monstros chegou aos cinemas na última quinta-feira e, infelizmente, provou que a fórmula da Illumination Entertainment está visivelmente gasta. Ao apostar em um humor excessivamente infantil e esquecer o coração que consagrou a saga, o sétimo filme da franquia não faz jus ao legado de Meu Malvado Favorito. E o público, agora mais exigente, respondeu à altura: o longa acaba de amargar a pior bilheteria de estreia de toda a série.

Por que o novo filme decepcionou:

  • Infantilização extrema: Sem uma âncora emocional forte como Gru, o filme se resume a um caos visual e barulhento focado apenas em crianças muito pequenas.
  • Estreia desastrosa: Com US$ 160 milhões globais, a arrecadação ficou US$ 10 milhões abaixo das projeções da própria Universal.
  • Fadiga do público: O especialista David A. Gross cravou que, no sétimo filme, a audiência simplesmente cansou do formato repetitivo.
  • Crítica vs. Público: Apesar dos 93% de aprovação no Rotten Tomatoes devido às referências cinéfilas, a trama vazia afasta os fãs de longa data.

Um roteiro que subestima seu próprio universo

A premissa dirigida por Pierre Coffin até tinha potencial: levar as adoráveis criaturas amarelas para a Hollywood dos anos 1920, explorando a transição do cinema mudo para o falado. Homenagens a Buster Keaton e Charlie Chaplin parecem ótimas no papel, mas a execução de Minions & Monstros transforma essas ideias em uma algazarra vazia.

O grande trunfo dos primeiros filmes de Meu Malvado Favorito era o equilíbrio. Os Minions forneciam o alívio cômico pastelão, enquanto a evolução de Gru e suas filhas entregava substância e emoção que engajavam os adultos. Neste novo capítulo, o que vemos é uma avalanche de gritos, explosões (como a batalha final com feras invocadas) e subtramas descartáveis — como o romance forçado do robô Dort com a ativista Debbie. O resultado é um produto plastificado, tão focado em vender brinquedos que esquece de contar uma história com alma.

A bilheteria expõe a ferida da franquia

L to R: James, Ed, Henry and Goomi in Illumination’s Minions & Monsters, directed by Pierre Coffin.

Não há termômetro mais honesto do que a bilheteria, e os números de Minions & Monstros confirmam que o público não engoliu a falta de esforço do estúdio. A arrecadação global estacionou na casa dos US$ 160 milhões, consolidando a pior estreia da franquia. Para se ter uma ideia do tombo, o número atual de abertura nos EUA conseguiu ser menor que o do longínquo primeiro filme, lá em 2010.

“Sete filmes é mais do que qualquer outra série de animação já fez. As audiências estão demonstrando fadiga agora. O filme vai ser lucrativo, mas é um fracasso”, atestou de forma contundente o especialista em bilheteria David A. Gross à revista Variety.

Ilusão no Rotten Tomatoes e o futuro incerto

L to R: Ed, James and Henry in Illumination’s Minions & Monsters, directed by Pierre Coffin.

Pode parecer contraditório que um filme com 93% de aprovação crítica seja considerado uma decepção. O que acontece é que muitos veículos da imprensa se deixaram seduzir pelas referências anacrônicas a clássicos como Tempos Modernos e Cidadão Kane. Mas sejamos francos: o público-alvo dessa animação não se importa com a Era de Ouro de Hollywood. Eles querem uma narrativa empolgante.

O fracasso de Minions & Monstros serve como um aviso gigantesco (e merecido) para a Universal. Sustentar um longa-metragem inteiro baseando-se apenas em humor raso, sem desenvolvimento de personagens, saturou. Se a saga quiser continuar viva nos cinemas nos próximos anos, precisará resgatar o coração e o apelo universal que, desta vez, passaram bem longe da tela.

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