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Kell Smith se une a canal Hora do Mostarda em releitura de clássico do Balão Mágico

Créditos: Divulgação

Dando início às ações do Abril Azul, campanha de conscientização sobre o autismo, o canal infantil Hora do Mostarda se junta à cantora Kell Smith para provar que lugar de autista é onde ele quiser, e todos os espaços podem ser ocupados desde que a sociedade seja inclusiva. “É tão lindo”, hit da turma do Balão Mágico com Roberto Carlos nos anos 1980, ganha uma nova leitura com a turminha do canal e a voz de Kell, junto a um videoclipe muito bonito, divertido e educativo. Além disso, todos os lucros arrecadados com a música serão doados à AMA (Associação de Amigos do Autista).

A música chegará às plataformas digitais em 4 de abril, dois dias após o Dia Mundial de Conscientização do Autismo, celebrado em 2 de abril. Junto das irmãs Sol e Lua – interpretadas pelas talentosas primas Sofia e Luana Sdei.–, Mostarda é um mascote inspirado em antigos programas de televisão e traz esse toque de nostalgia e afetividade para as famílias, ajudando a aproximar ainda mais as gerações.

Kell Smith, cantora que assumiu o diagnóstico de autista nas redes sociais e, desde então, se dedica a dar visibilidade à causa e difundir informações sobre o assunto, se junta à iniciativa para reforçar a mensagem de empatia e visibilidade para crianças neurodivergentes. “A música traz essa mensagem de uma maneira muito potente. A letra já defende a diversidade e as diferenças, e coloca como protagonistas a amizade e o amor, que tornam tudo mais bonito. É sobre o que nos une e não o que nos separa. É sobre entender que cada ser é único e por isso cabe certinho no quebra-cabeça que nos torna um só”, conclui.

A iniciativa vai muito além da própria arte, trazendo a inclusão para dentro dos bastidores do projeto. Além da própria cantora, outras pessoas neurodivergentes participam da equipe, em diferentes setores, incluindo própria Lua e a fofíssima protagonista mirim do videoclipe, Alice Reis. Lidar com as necessidades específicas dela no set foi desafiador, mas gratificante, graças à solidariedade, empatia, sensibilidade e apoio de todos os envolvidos. “Nos preocupamos muito em cuidar para que aquilo não sobrecarregasse a Alice, a ponto de estar ali só pelo produto, e não pela causa. Aquele ambiente precisou ser preparado para receber a Alice. Precisamos mudar a nossa conduta de gravação e realização para conseguir tornar possível para ela” afirma a cantora.

O videoclipe, escrito por Kell e codirigido por ela e Kenny Kanashiro, mostra cenas de uma sala de aula, em que Alice entra e, a princípio, causa algum estranhamento nos colegas, que é quebrado pela atitude da professora, interpretada por Kell, ao ajudar as crianças a se integrarem e acolherem a nova amiguinha.

No vídeo, algumas alusões visuais indicam a característica da aluna: a sigla TEA (Transtorno do Espectro Autista) escrita no quadro, junto com as palavras “amizade”, “diversidade” e “respeito”; os fones de ouvido usados por Alice e pela professora, que ajudam pessoas do espectro a lidar com a sensibilidade aos ruídos; e o Cordão de Girassol, que identifica pessoas com deficiências ocultas. Fabricado pela HD Sunflower, o cordão pode ser adquirido gratuitamente e tem venda proibida. Ele vem junto com o CIPTEA (Carteira de Identificação de Pessoas com Transtorno do Espectro Autista), que porta os dados do usuário.

Kell, que também é mãe de uma criança neurodivergente, e costuma ficar comovida com os comentários de outras mães nos seus perfis, não pôde deixar de se impactar com a reação da mãe da Alice. “Ela ficou visivelmente emocionada, porque imaginou que a filha não conseguiria gravar as cenas, mas ela gravou todo o clipe. Então foi difícil, mas, ao mesmo tempo, foi a certeza de que nós podemos, sim, ocupar e estar em todos os lugares, desde que haja equidade e inclusão”, conclui a cantora.

A mãe de Alice, Kamila Reis, confirma que ficou emocionada e muito grata com todo o tratamento e atenção dispensados à filha por toda a equipe, e a interação valiosa entre ela e Kell. “Foi tudo muito leve, um dia de gravação muito agradável e divertido. A conexão entre Kell e Alice foi incrível, com Kell cantando com sua voz maravilhosa e Alice pedindo mais e mais, porque a Alice é muito musical”, relata Kamila. “Ela amou, e eu também amei, porque estava ali observando tudo de fora, vendo como a Alice estava participando e interagindo. Como mãe de uma criança autista, eu chorei quase a gravação inteira”, completa Kamila.

Paula Balestrim, idealizadora do canal, comenta sobre o convite feito à artista: “Minha sobrinha, Lua, que participa do canal, também é autista, como a Kell, e nós convidamos a Alice, que é uma fã do canal, para participar do videoclipe. Isso traz uma força imensa ao projeto. Nosso objetivo é gerar um impacto positivo na vida dessas ‘estrelinhas’”, contextualiza, referindo-se a Alice com o apelido carinhoso que os personagens dão aos fãs do canal.
Mais do que nunca, o videoclipe de “É Tão Lindo” será um fator crucial para ampliar o alcance da campanha, tornando a música um instrumento de conscientização para famílias de todo o Brasil.

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