‘Feixe no Escuro’ conta com uma série de participações especiais; saiba mais
Em um mundo guiado pela pressa e pela sensação constante de urgência, o cantor e compositor Matheus Nicolau escolhe desacelerar. Em “Feixe no Escuro”, o artista transforma inquietações contemporâneas em música e entrega um trabalho intimista, poético e profundamente humano. Cercado por grandes nomes da música brasileira, como Pedro Luís, Lan Lanh, Milton Guedes, Marcos Suzano e Lui Coimbra, Nicolau constrói um álbum em que a delicadeza do violão conduz as emoções enquanto a percussão desenha as atmosferas de cada faixa.
O disco abre com duas canções que refletem sobre o próprio fazer artístico. Em “Pra tocar no rádio”, enriquecida pela percussão de Marco Lobo, o artista fala sobre a tentativa de eternizar sentimentos dentro do curto espaço de uma canção popular. Já “A Canção em Mim”, marcada por uma estética lo-fi, mergulha no nascimento involuntário da arte e apresenta o conceito que dá nome ao álbum ao afirmar que a música surge como “um feixe no escuro”.
A faixa “Pra Ontem” funciona como eixo central do projeto. Ao lado de Pedro Luís e acompanhado pelo violoncelo de Lui Coimbra, Matheus Nicolau aborda a ansiedade contemporânea, a exaustão coletiva e a relação sufocante com o tempo. A composição surge como um convite à reflexão em meio à rotina acelerada, lembrando que talvez o verdadeiro luxo esteja justamente em poder viver sem tanta pressa.
Depois da tensão emocional, o álbum encontra respiro em “A Concha”, um xote suave atravessado por memórias afetivas e paisagens litorâneas. Em seguida, “Pipa Avoada”, conduzida pelo toque de ijexá de Lan Lanh, utiliza a imagem da pipa como símbolo de liberdade, infância e fuga das dores cotidianas.
O percurso musical continua em “Novo Lugar”, guiada pelo pandeiro de Marcos Suzano, trazendo uma reflexão sobre os caminhos inesperados da vida e os encontros que transformam trajetórias. Já em “Se sou alegre ou sou triste?”, Matheus dialoga poeticamente com versos de Fernando Pessoa, enquanto o sax soprano de Milton Guedes amplia a profundidade emocional da faixa.
Na reta final, “Feixe no Escuro” mergulha em temas ligados à espiritualidade e à conexão humana. “5 pães e 2 peixes” aproxima referências cristãs das bênçãos de Oxalá em uma canção que fala sobre partilha, empatia e justiça social. Em “Namastê”, o artista propõe um encontro íntimo com o divino, distante de formalidades religiosas e mais próximo do silêncio interior e do acolhimento ao outro.
O encerramento acontece com “Sempre Verão”, faixa marcada pelo balanço do ijexá e por uma atmosfera solar que deixa no ar uma sensação de esperança e permanência. A música conta com a participação do percussionista Denisson Caminha e do flautista Oswaldo Lessa, reforçando a riqueza instrumental presente em todo o disco.
Com todas as composições assinadas por Matheus Nicolau, “Feixe no Escuro” reafirma a identidade autoral do artista, que também assume os violões em todas as faixas, além de tocar acordeon em “Pipa Avoada” e teclados em “Novo Lugar”. Natural de Campos dos Goytacazes, o cantor reforça sua ligação com a cena fluminense ao reunir músicos que ajudam a construir a sonoridade sensível e sofisticada do projeto. Mais do que um álbum, “Feixe no Escuro” surge como um convite para respirar, ouvir e sentir em tempos cada vez mais acelerados.
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