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Música

Relatório completo: Festival João Rock apresenta 18ª edição com muita história e diversidade

Foto: Reprodução/Instagram (@joaorock)
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O maior festival de rock nacional do país, o João Rock, concluiu a edição 2019 no último sábado, dia 15, na cidade de Ribeirão Preto, interior de São Paulo.

Com ingressos esgotados e mais de 20 shows durante 12 horas de duração, o evento já passou da fase de provar ao que veio e é referência de celebração da música nacional tanto para o público quanto para a classe artística. Podemos afirmar positivamente que o evento tornou-se um espetáculo musical eclético e não apenas reduto de Rock’n Roll.

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A edição deste ano, trouxe um mix de atrações divididas em três palcos que foram de Emicida à Alceu Valença! Pelo palco Brasil, passaram os clássicos Plebe Rude, Tribo da Periferia, Dado e Bonfá homenageando os tempos de Legião Urbana, Capital Inicial, Natiruts e Raimundos.

O público deste palco foi marcado pela galera mais “raíz”, e o encontro das gerações brasileiras, que possuem as letras na ponta da língua e ainda dividem os mesmos problemas políticos. Fato triste, que o músico fundador da Legião Urbana, Dado Villa-Lobos ressaltou para o PopNow antes de subir ao palco.

“É uma grande tragédia que a gente vive. Se for pensar, uma música como ‘Que País É Esse’, tem 41 anos, vai fazer duas gerações… A gente fala do Brasil e continua falando. [e nada muda]”, disse Dado. Porém, os músicos da Legião veem o lado bom do encontro das turmas de idades diferentes. “É muito legal ver esse público renovado da Legião, e hoje eu consigo olhar e sentir o poder que a música tem!”, completou Marcelo Bonfá.

Já a relevância de entretenimento do JR e o momento de encontro entre as bandas brasilienses foram mencionados por Dinho Ouro Preto em sua incontável passagem junto ao Capital Inicial pelo festival. “O João Rock é o maior festival de rock brasileiro! Acho que a gente nunca tinha se reunido no palco assim. Os Paralamas deveriam estar aqui [nesse palco] também”. Dinho também mencionou que lá pela década de 80 havia certa rivalidade, que hoje não existe mais e sobra apenas amizade.

Já a relevância de entretenimento do JR e o momento de encontro entre as bandas brasilienses foram mencionados por Dinho Ouro Preto em sua incontável passagem junto ao Capital Inicial pelo festival. “O João Rock é o maior festival de rock brasileiro! Acho que a gente nunca tinha se reunido no palco assim. Os Paralamas deveriam estar aqui [nesse palco] também”. Dinho também mencionou que lá pela década de 80 havia certa rivalidade, que hoje não existe mais e sobra apenas amizade.

“Eu acho que o rock se favorece com a união, que essa colaboração vá além do João Rock, que nós possamos chamar um ao outro para participar de composições, discos…”, refletiu o vocalista do Capital, enquanto pontuou sobre a abertura do festival à outros estilos musicais “Alceu Valença está tocando lá no outro palco, o evento está cada vez mais eclético, a turma do rock precisa dessa união. Meu objetivo é que o rock se torne parte da música popular brasileira, acho que o meio para isso é festivais como esse”, completou o músico.

Já o palco Fortalecendo A Cena, foi o protagonista da diversidade proposta pela edição deste ano. Com apresentações de Psycoprata, Rincon Sapiência, Djonga, BK, Maneva, Big Up e Filipe Ret, o rap foi o ritmo predominante, representado por uma geração de artistas que trazem as lutas periféricas, sociais e de minorias em suas carreiras e estão cada vez conquistando mais e mais espaço.

Questionado sobre a inclusão do rap em um festival inicialmente de rock, o rapper Djonga revelou ser fã do ritmo e demonstrou muita felicidade após a apresentação no evento Ribeirão Pretano. “[O show] Foi top! Já toquei em Ribeirão umas quatro vezes e a energia da galera é sinistra. O rock’n’roll têm tudo a ver com a mudança de pensamento, de reflexão.
Eu amo ouvir rock! A única coisa que eu não escuto é música ruim!”, disse após sair do palco.

E a estrela do espaço, o palco João Rock recebeu a banda Fuze, Scalene, Zeca Baleiro, Baiana System, Alceu Valença, Paralamas do Sucesso, CPM 22, Pitty, Marcelo D2 e Emicida, Rael e Mano Brown. Com a grandiosidade de ser o palco principal, este, pode-se dizer, que foi um resumo do JR 2019. Diversidade, diversão e representatividade.

Primeira vez frente à uma grande audiência fora do Rio de Janeiro, os meninos cariocas da banda Fuze fizeram as honras de abrir o palco. Os jovens músicos conquistaram este feito através de um concurso realizado pelo próprio festival e responderam à oportunidade com êxtase e entusiasmo perceptíveis.

“A gente já tinha tentado entrar no concurso ano passado, mas não conseguimos passar. Esse ano, muita gente abraçou [a banda], e não é uma coisa fácil! Isso pra gente foi uma conquista linda!”, disse o baterista Pedro Novaes.

“Estamos lutando pra isso há muito tempo”, reafirmou o baixista Felipe Novaes. “Acreditamos muito no que fazemos, e lutamos para quebrar o preconceito de que estamos aqui por vir de família famosa”, concluíram. Com todo o hype do momento, os meninos aproveitaram para revelar novidades à vista: Um single chamado “Tão Bom”.

E longe de ser iniciante, a musa do rock nacional, Pitty, fez talvez o show mais aclamado da plateia na noite do dia 15 de junho. Com cenário e repertório da turnê do novo álbum, Matriz, a baiana cantou os seus principais hits e chamou para o palco Larissa Luz, BaianaSystem, Lazzo Matumbi e Rael.

Sobre o novo trabalho, a cantora revela ter sido um trabalho mais intimista e referente às suas raízes. “Foi um processo orgânico e levou um tempo. Foi o disco que eu acho que eu levei mais tempo pra fazer. Comecei durante a turnê e aí fui deixando as coisas rolarem, me libertei de alguns processos do tipo ‘gravo um disco em 15 dias e acabou’”. Ela revela ter viajado para cada composição. “Gravei uma música em cada cidade, as participações foram muito orgânicas!”, disse a roqueira.

Os shows do palco João Rock, seguiram sendo os de maior concentração de público e alguns destaques da noite vão para o pernambucano Alceu Valença, que dentro de um evento de rock jovem, fez a galera cantar junto todas as músicas e rolaram plaquinhas, e juntos, fizeram parte de um belo efeito visual, CPM 22 que fez a multidão cantar em voz alta os clássicos da adolescência dos anos 2000 e a representatividade do último show com Emicida e Rael.

Último concerto este, que pode ser lido como um resumo desta 18ª edição do festival Ribeirão Pretano: Música boa, plateia animada e representatividade. A união de Emicida, Rael, Mano Brown, Rincon Sapiência e Djonga juntos no palco principal, foi um marco na representação do rap, funk e realidades periféricas e negras do país.

Ao som de “O céu é o limite”, o rapper Djonga enfatizou a relevância do encontro entre os músicos. “Não sei se vocês têm noção de como é importante e grande esse pessoal estar junto no palco”, disse à plateia. E realmente, o fechamento deu-se por cinco músicos negros cantando para milhares de pessoas em um festival inicialmente de rock e um ar outrora elitizado.

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