Judas Priest. Foto: Reprodução/Instagram (@judaspriest)
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Em mais uma edição de sucesso, Solid Rock reúne grandes bandas de rock no Rio

Foto: Reprodução/Instagram (@judaspriest)

*por Ana Clara Carvalho

O festival Solid Rock de 2018 foi ousado ao unir Alice In Chains e Judas Priest na mesma noite, duas gigantes do rock, de subgêneros bem distintos. A primeira é de Seattle e grande parte da fama veio por estar inserida no movimento grunge do início dos anos 90, ao lado de Pearl Jam, Soundgarden e Nirvana. É composta por Jerry Cantrell (vocal e guitarra), William DuVall (vocal e guitarra), Sean Kinney (bateria e percussão) e Mike Inez (baixo). Já a outra, heavy metal, britânica, é considerada uma das precursoras do gênero. Com seus primeiros discos nos anos 1970, é formada atualmente por Rob Halford  (vocal), Glenn Tipton (guitarra), Scott Travis (bateria), Richie Faulkner (guitarra) e Ian Hill (baixo). Dava para ver a diferença dos públicos pela vestimenta: casacos xadrez e jaquetas de couro desfilavam pelos cantos do Km de Vantagens Hall, cada qual vestido com a camisa da banda que foi prestigiar. Porém, todos se mostravam muito felizes de estarem ali. Havia grávidas, idosos (bem estilosos, por sinal), crianças e muitos jovens.

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A noite começou com a Black Star Riders, banda americana que trouxe a turnê do seu terceiro álbum, o “Heavy Fire”, lançado no ano passado.  Logo depois, por volta de 20h30min, Alice In Chains entrou no palco tocando logo três músicas, sem nenhum respiro: “Check My Brain”, “Again” e “Never Fade”. William DuVall, que assumiu os vocais depois da morte de Layne Staley, agradeceu muito aos fãs e falou, com um português claro, o quanto estava feliz de voltar ao Brasil. Em seguida, outra pressão. Um clássico atrás do outro: “Them Bones”, “Dam That River”, “Hollow”, “Nutshell”, “No Excuses”, “We Die Young”, “Stone” e “It Ain’t Like That”. O hit “Man in The Box” fez a casa tremer. Mesmo quem não conhecia nada do que tinha sido tocado até ali estava cantando. Os pesados riffs de guitarra e as distorções foram embalando o público até a trinca final de “The One You Know”, “Would?” e “Rooster”, que fez uma constelação de celulares brilharem os flashes acesos. As performances de todos os músicos foram impecáveis.

 No intervalo foi possível perceber a debandada de muitos que estavam lá só para ver o Alice In Chains, porém, vários metaleiros foram chegando em seguida. O teatro, que antes já estava cheio, ficou ainda mais lotado. Era nítido que a maioria foi mesmo para assistir ao Judas Priest, uma verdadeira lenda do heavy metal. Rob Halford, foi o primeiro do artista do gênero a assumir a homossexualidade. Um dos mais revolucionários da cena. Ao ser anunciada por “War Pigs”, do Black Sabbath, a banda entrou com “Firepower”, do último álbum. No momento em que “Running Wild” começou, o público já estava enlouquecido. Pequenos mosh pits se formavam na pista. As clássicas “Grinder”, “Sinner” e “The Ripper” vieram em seguida, sem pausas. O vocalista trocava de figurino a cada duas músicas. Da jaqueta prateada brilhante e bota de plataforma para a jaqueta e bota de couro. E seu alcance vocal era de deixar qualquer um boquiaberto. Ele vai do grave aos berros altíssimos, sem aparentar nenhum esforço. Quem ficou muito próximo às caixas de som com certeza saiu de lá levemente surdo, pois Judas Priest não é para principiantes. É necessário ter um ouvido preparado para receber decibéis tão elevados (ou usar um protetor auricular).

Para não deixar a animosidade do público cair, a banda intercalou hits antigos com o trabalho recente na sequência: “Lightning Strike”, “Desert Plains”, “No Surrender”, “Turbo Lover”. Fizeram também um cover de Fleetwood Mac com a música “The Green Manalishi (With the Two Prong Crown)”, tocando “Night Comes Down” depois.  Durante a “Rising From Ruins”, Halford empunhou uma espada rosa como se lutasse com um dragão medieval de purpurina. Nada de se espantar, já que o Judas Priest é conhecido por ser ter uma veia performática. Os músicos gostam de fazer dancinhas enquanto tocam solos rápidos e complicados. Um dos momentos mais emocionantes da noite foi quando imagens do Ayrton Senna foram projetadas no telão ao final de “Freewheel Burning”.

A “You’ve Got Another Thing Comin” preparou a plateia para o ponto alto do show: a entrada triunfal de Halford conduzindo uma moto no palco para cantar “Hell Bent for Leather”, trajando um quepe de motorista, roupas de sadomasoquismo e um chicote na boca. A galera estava incrivelmente envolvida com o espetáculo. Foi lindo ver uma multidão de mãos levantadas, batendo palmas, como se um mar fosse. Bastava o frontman apontar o microfone para fora do palco que todo mundo berrava a letra de clássicos como “Painkiller” e “Breaking The Law”, que vieram depois. Para fechar com chave de ouro (e mais gritos impressionantes de Halford), “Living After Midnight” e uma mensagem nos telões: “The Priest Will Be Back”, o Priest voltará. E nós não perderemos por nada.

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