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Durante estadia no Brasil, Loreena McKennitt fala sobre carreira e importância da música na sociedade

Foto: Divulgação

Entrevista e edição: Danielle Barbosa
Decupagem: Juliana Del Rosso

A multi-premiada cantora folk/celta Loreena McKennitt, está no Brasil para cumprir agenda da aclamada turnê Lost Souls”, que tem datas de apresentação no Rio e em São Paulo. Durante a estadia no país, a canadense bateu um papo, com exclusividade, com o PopNow.

Loreena McKennitt volta ao Brasil com a turnê ‘Lost Souls’

Vale lembrar que a artista de 61 anos se apresenta nesta terça, 30, e na quarta, 31, em São Paulo, no Credicard Hall e na sexta-feira, 2, no Rio de Janeiro, no Km de Vantagens Hall.

Na entrevista, Loreena nos contou o seu nível de ansiedade de estar de volta ao Brasil e com o público brasileiro, o qual ela não vê já faz alguns anos, além de falar sobre suas influências na música, o processo de produção do álbum “Lost Souls”, como ela iniciou sua trajetória na música e os projetos futuros que tem.

Confira a entrevista, na íntegra!

PopNow: Você tem um estilo de musica muito único, com muita poesia. Você tem muitos fãs aqui no Brasil e os fãs brasileiros sempre tem muita energia durante os shows. O que você notou de diferente ou o que é mais especial nos fãs do Brasil?

Loreena: Eu acho que eles são muito abertos ao nosso som (Risos). É uma conexão interessante, essa que a gente tem. Cada país tem a sua norma cultural. Uma vez que você sabe como eles agem, é mais fácil se aproximar deles. Eu me lembro de quando me apresentei no Japão, há muito tempo. Eles estavam quietos e eu só conseguia pensar: “meu Deus, eles não estão gostando do que eu estou fazendo”. Quando o show acabou, eles nos aplaudiram de pé, mas só quando nós estávamos saindo do palco. Enquanto em uma cultura é visto como algo polido, em outras pode parecer que a plateia está incomodada. Eu lembro que, quando estava no Brasil, as pessoas pareciam muito leves, muito abertas, e isso foi muito bom.

PopNow: Sim, os brasileiros às vezes se expressam muito. Até demais. Somos muito barulhentos, às vezes não dá nem para ouvir o cantor.

Loreena: (Risos) É verdade.

PopNow: Você não está com expectativas específicas para o show, mas você pode nos contar um pouco sobre o que preparou para nós?

Loreena: Algumas das músicas são do nosso novo álbum. Estamos com uma equipe grande, que tem um violoncelo, um piano… Temos uma pessoa que vai tocar uma viela de roda e também instrumentos de percussão. Quisemos fazer uma experiência mais intimista.

PopNow: Você pode explorar mais, certo? Tocar basicamente qualquer coisa.

Loreena: Sim, sim.

PopNow: Como foi o processo de produção do seu ultimo álbum, “Lost Souls”?

Loreena: Algumas destas músicas foram escritas há algum tempo. Uma delas, por exemplo, foi um poema que escrevi quando trabalhava com outra coisa. Tem letras que foram escritas por volta de 1998, 1999, mas que não cabiam no tipo de trabalho que eu estava fazendo nesta época. Na última faixa do novo álbum, que também se chama “Lost Souls”, a minha inspiração veio do livro do Ronald Wright, A Short History of Progress. Neste livro, ele fala sobre como nós, enquanto espécie, perdemos as nossas referências de moral por conta do progresso. Esta foi uma letra que eu escrevi porque fui impactada, então foi este o processo de escrita. Nós gravamos em um estúdio pequeno, há cerca de um ano e meio, e só depois fomos para um estúdio maior. Em Outubro (de 2017), nós finalizamos as gravações.

PopNow: O processo de gravação foi curto, certo?

Loreena: Sim. O processo em si durou pouco tempo, mas acho que ter as músicas escritas ajudou bastante. Muitas vezes, quando eu estou no processo de gravar, eu ainda estou tentando escrever mais músicas.

PopNow: Onde você encontra inspiração para suas músicas?

Loreena: Em 2006, a maior parte da inspiração vinha das viagens que eu fazia. Este novo álbum, no entanto, não entra nessa categoria. Ele não é orientado por nenhuma geografia específica, é mais uma compilação de músicas que eu escrevi… Você sabe, a inspiração de “Lost Souls” veio de um livro, então… Eu gosto de procurar, quando estou em busca de poesia, textos que tragam um imaginário forte. Por exemplo… Eu percebi, há alguns anos, que as pessoas ficam tocadas quando falamos sobre natureza, árvores. Como muitas pessoas ligadas a isso, eles sabem que a nossa sobrevivência depende das árvores. Existem temas que são sérios, mas que trazem alguma magia ao texto. Eu tento buscar em diferentes culturas, em diferentes lugares, a conexão entre o passado e o presente.

PopNow: Estamos em tempos difíceis, temos muitos problemas ao redor do mundo. Qual a sua opinião em como a música pode transformar ou amenizar as dores das pessoas?

Loreena: Você sabe, a música tem um grande poder de cura. Enquanto performer, você pode ser parte disso. Você pode reunir informação, transformá-la em educação, inspiração… A música pode ser uma maneira de unir as pessoas, de fazer com que elas passem mais tempo juntas. A música tem um quê fantástico, ela pode criar emoção ou sustentá-la. Ela é capaz de fazer com que as pessoas tenham força para ir adiante, de unir nações em prol de alguma coisa maior. Eu também acho que ela pode ser um meio através do qual podemos provocar e inspirar.

PopNow: Quando surgiu o sonho de entrar no mundo da música?

Loreena: É engraçado, porque eu nunca tive o sonho de me tornar uma artista. Eu queria ser veterinária, sério. Eu cresci tocando piano e cantando num coro infantil e eu amava isso, assim como eu gostava de praticar esportes. Eu quando eu conheci o country, aquilo mexeu comigo. Eu não sabia se queria ser mesmo uma performer, mas sabia que queria me envolver. No início dos anos 80, eu comecei a estudar teatro musical e, lá pelos anos 90, eu comecei a estudar músicas típicas, tradicionais. Foi nessa época que eu pensei “bom por que não gravar o que eu tenho feito?”. A minha carreira surgiu daí. Não foi uma coisa que eu planejei, ela aconteceu.

PopNow: Quais artistas te inspiraram e quais te inspiram agora?

Loreena: Na minha época mais country, posso citar a Kate Bush, por exemplo. Nesta época, havia alguns grupos em atividade que eram bem interessantes. Hoje em dia, eu sinto que não posso ouvir tantas coisas novas porque tem muita coisa que não toca mais no rádio. Eu não tenho o costume de ouvir Spotify, por exemplo. Minha época tecnológica ficou em 1995. Então, o resultado disso é que eu me torno meio… (Risos) Bem, eu não me exponho tanto a músicas novas como eu costumava fazer.

PopNow: Você prefere ter os materiais físicos?

Loreena: Sim! Eu prefiro coisas físicas, analógicas. Eu não sou contra a tecnologia, eu só acho que essa revolução tecnológica que tivemos nas últimas duas décadas foi mais maligna do que benéfica. Eu falo em termos de educação, em termos democráticos… Enfim. Eu só prefiro ficar afastada. Por exemplo, nós tínhamos uma conta oficial no Facebook e, durante as eleições, sentíamos que deveríamos nos posicionar. Mas eu não queria me envolver muito nesse mundo virtual, é desgastante.

PopNow: A tecnologia ajuda muito, afinal… Estamos aqui conversando com você e isso é ótimo! Pode aproximar muito as pessoas, ensinar bastante. Tem livros online, até. Mas… Você gosta mesmo é de livros físicos, de sentir o cheiro deles, né?

Loreena: (Risos) Sim! Eu talvez esteja bastante influenciada pelo livro que eu li, mas eu tenho a impressão de que, com os avanços tecnológicos, nós abrimos mão das nossas questões éticas e focamos basicamente nisso, no consumo e nas novas tecnologias. Estamos pagando o preço disso.

PopNow: Antes de encerrar, queríamos dizer que você é um amor de pessoa, mesmo. Parece uma fada. E queríamos saber sobre os seus projetos futuros.

Loreena: (Risos) Oh! Eu acho que todos nós temos projetos, mas estamos nesse processo de fazer turnês agora. Estivemos na Europa, saímos de lá, mas retornaremos no verão. Eu não sei bem se é possível, mas fomos para a Índia há alguns anos e, ao estudar a cultura de lá, nos pareceu uma ótima ideia estudar sobre.

PopNow: Você pode deixar um recadinho para os seus fãs brasileiros?

Loreena: Eu estou realmente muito, muito ansiosa para ver vocês! Eu gostei demais da última vez em que estive aqui e não é incomum que pessoas do Brasil nos procurem em outras partes do mundo. É bom demais poder estar aqui outra vez.

PopNow: Obrigado demais pela entrevista, Loreena. Tenha um ótimo dia!

Loreena: Eu é que agradeço! Cuidem-se!

 

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