Caetano e Zeca Veloso. Foto: Divulgação/Patrícia Devoraes
Brasil

Muita musicalidade e afeto com Caetano e Zeca Veloso no lançamento de ‘Ofertório’

Foto: Divulgação/Patrícia Devoraes

Por: Bianca Luzetti e Thuane Kuchta 

Se um Veloso já é bom, imagina dois. E três. E quatro. Pois é, são quatro Veloso’s que se apresentam na turnê “Ofertório”, novo projeto da família. Caetano, Moreno, Zeca e Tom Veloso montaram um grupo musical que inspira (e faz suspirar) qualquer um.

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Estivemos presentes na coletiva onde Caetano e seu filho Zeca Veloso cantaram e tocaram para os presentes e depois falaram um pouco sobre suas inspirações, as novas músicas e os aprendizados que esse projeto tem trazido.

Separamos algumas das respostas de Caetano e Zeca para mostrar para vocês. Olhem só:

PAI E FILHOS

Caetano: Eu fico muito feliz de estar com eles, até porque estão crescendo, e é uma forma de nos vermos mais. Mas houveram também emoções difíceis de lidar em todo esse processo – apesar de sermos muito próximos. A questão é que envolviam muitas músicas inéditas e não sabíamos como o público ia nos receber. Porque afinal, nós não somos uma banda profissional onde ele (Zeca) é o contrabaixista, o Tom é um guitarrista e de repente o Moreno é um violinista… Não chega a ser isso, mas todo mundo toca o suficiente para ter um negócio que é só nosso, que só nós podemos fazer. Então tínhamos um pouco de medo, por isso confesso que estreei com muita tensão. Fiquei nervoso a beça. Mas enfim, os temores fazem parte e o sentimento bom prevalece.

Caetano e Zeca Veloso. Foto: Divulgação/Patrícia Devoraes

Caetano e Zeca Veloso. Foto: Divulgação/Patrícia Devoraes

Zeca: Comigo foi parecido com o meu pai também. Estar no palco com eles é uma honra, mas foi bastante trabalhoso entregarmos o show. Até na última semana da nossa estreia fizemos várias mudanças. Eu ficava muito preocupado, muito nervoso, se ia estar bem feito e tudo mais. Já Tom e Moreno estavam sempre confiantes, de bom humor…

Caetano interrompe e diz que Tom nunca parece estar grilado com coisa nenhuma. “No DVD, em uma parte que não entrou na edição, ele aparece até bocejando, como se tivesse em um relaxamento total. E olha que ele diz que fica o mais nervoso, mas a gente não consegue notar, não parece”, conta.

Zeca: Eu acho que eu fico mais nervoso, porque eu não estava preparado. Nunca fui e ainda não sou um músico profissional. Acho que agora depois de 30 shows estou tocando mais seguro. Mas eu ficava muito nervoso e ainda fico.

Caetano: Mas você fazia tudo direitinho e continua fazendo, só que mais relaxadamente. Agora, o que aconteceu, principalmente, é que perto da estreia, Zeca tomou a responsabilidade de orientar as mudanças que achávamos que deveríamos fazer, tanto em ordem quanto no repertório, o que acabou o tornando nosso guia.

Zeca: É, mais ou menos..

Caetano: Zeca deu dicas que definiram a forma como o show ficou. Na verdade não mudou quase nada mas mudou tudo (rs). É porque se você tira uma música daqui, coloca outra ali, sugere uma que não estava no repertório e tal, acaba mudando tudo, que foi o aconteceu.

Caetano e Zeca Veloso. Foto: Divulgação/Patrícia Devoraes

Caetano e Zeca Veloso. Foto: Divulgação/Patrícia Devoraes

O SHOW

Perguntado sobre o processo criativo do show, Caetano conta que Zeca propôs grandes mudanças e todo mundo deu opinião. “Fomos escolhendo, decidindo juntos e tudo foi ganhando forma. Zeca e Tom por exemplo, pediram para eu tocar Trem das Cores, eu quis cantar Ofertório – feita pra missa de 90 anos de minha mãe, e que se ligava naturalmente ao Reconvex. E no fim, tudo trazia a parte essencial do que eu acho que deve acontecer ao fazer esses shows, que é apresentar um pouco de luz na vida e convivência das pessoas e seus acasos familiares. No nosso caso, a gente tem muito o que celebrar”, explica.

O QUE ANDARAM OUVINDO

Zeca: Sei que vai parecer até repetitivo porque eu sempre falo dele, mas eu ouvia muito Djavan no processo de construir o show. Mas no geral ouço muita coisa variada. Muita música Pop, coisas que tocam no rádio mesmo, como Funk, Sertanejo, R&B. Eu gosto muito, acho que tem sempre uma vitalidade, eles estão sempre se reinventando e isso me entusiasma.

Caetano: Zeca sempre me mostrou coisas pra ouvir com ele, uma das que me impressionou foi James Blake. Ele me atualiza também à respeito de Kanye West, porque ele faz muita coisa que tem caráter experimental e ele se amarra. Mas ele falando (Kanye West) é chato pra caramba. A gente vê ele na TV e ele fica três horas falando, pior do que eu! E só fala besteira. Mas musicalmente e inventivamente ele é bom.

Zeca Veloso. Foto: Divulgação/Patrícia Devoraes

Zeca Veloso. Foto: Divulgação/Patrícia Devoraes

GENÉTICA, EXEMPLOS E AFETO

Caetano: Tem muitas coisas de Zeca pelas quais me orgulho, como o fato dele ser até mais exigente do que eu. Mas, o que temos de parecido… Bem o Zeca sempre me pareceu – geneticamente falando – que tinha puxado mais a família da mãe dele, até que um dia vi o filme “Uma noite em 67” em que eu aparecia e simplesmente não me reconheci. Para mim, quem eu estava vendo na verdade era o Zeca. Era muito parecido comigo. Foi aí que pensei “Puxa, o Zeca tem muito mais de mim do que eu imaginava”.

Zeca: Não sei dizer o que herdei, mas posso falar o que admiro, como lealdade, honestidade, coisas do caráter dele. De fato, são coisas que me orgulham muito. E, bom, em muitos aspectos ele é minha maior referência né, não exatamente uma referência de um lugar para onde eu quero ir, mas o vejo como um ponto de gravidade, de onde eu saio e posso ir para outro lugar, mas sempre posso voltar. Agora falando como artista, é óbvio mas eu realmente admiro a sensibilidade e o talento sobrenatural que ele tem para criar.

Caetano diz também que aprendeu mais com os filhos do que ensinou. Para ele, é mais importante dar o exemplo do que ele chama de “ser professoral”.

Caetano Veloso. Foto: Divulgação/Patrícia Devoraes

Caetano Veloso. Foto: Divulgação/Patrícia Devoraes

FUNK

Ao serem perguntados sobre o funk como estilo musical e tudo que ele está conquistando no mundo, Caetano diz que adora o ritmo. “A história do funk carioca já é velha e enfrentou preconceito e desqualificação da imprensa e de críticos respeitados por anos”, conta. “Tem um livro do Hermano Vianna que já é um clássico e fala da formação do funk carioca, desenvolvido na favela e baseado em Miami Bass e trouxeram o ‘tum tá tá tum tum tá’ para a música”.

E o cantor continua contando sua declaração por música brasileira:

Caetano: Eu gosto muito de funk. Uma coisa que eu tenho desde o tropicalismo, é que o Gil gostava muito de pensar em Beatles e eu gostava de pensar em Roberto Carlos, gostava da imitação brasileira do pop de língua inglesa. Eu adoro Rihanna, mas tenho muito interesse em Ludmilla e Anitta. Gosto dessas coisas brasileiras, e também estou velho para tentar entender inglês (rs).

Caetano Veloso. Foto: Divulgação/Patrícia Devoraes

Caetano Veloso. Foto: Divulgação/Patrícia Devoraes

AS INSPIRAÇÕES

Se você acha que é criativo, nem imagina como é Caetano Veloso. Ele nos contou que uma vez estava fazendo a barba e a música Gema veio na sua cabeça. “Quase não consegui terminar de fazer a barba”, brinca.

Outra música, “Menino do Rio”, foi feita sob uma encomenda (isso mesmo, encomenda!) de Baby Consuelo e em poucos minutos.

Zeca diz que para ele é difícil fazer música: “eu começo fazendo a música e depois faço a letra, mas acabo nunca terminando. Meu pai consegue ‘chamar a musa’ e fazer até música por encomenda, mas eu mesmo dependo de inspiração e às vezes ela não vem”.

Bom, se você, assim como nós, também quer ver essa família tocando e cantando o “Ofertório”, saiba que esse fim de semana (25) eles têm show em São Paulo, no Espaço das Américas. A nossa é dica é: corre, que vale a pena demais!

 

Muita musicalidade e afeto com Caetano e Zeca Veloso no lançamento de ‘Ofertório’
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