PopEntrevista

Aretuza Lovi comemora sucesso, fala sobre parcerias e revela sonho de gravar com Ivete Sangalo

Foto: Divulgação

*Edição: Daniel Outlander.

Revelação da Drag Music brasileira, Aretuza Lovi tem tido muitos motivos para comemorar. Recentemente lançou seu primeiro álbum com uma gravadora, o aguardado “Mercadinho“, e o novo projeto conta com diversas parcerias, além da já bombada “Joga Bunda“, junto de suas amigas Pabllo Vittar e Gloria Groove.

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Em meio a esta crescente visibilidade, Lovi conversou com o PopNow e, em um papo descontraído, falou um pouco sobre o presente, passado e futuro de sua carreira.

A cantora, que vem numa crescente derradeira, é uma artista nata. No palco, ninguém tomba essa estrela, que conta ainda um pouco do que vai rolar num futuro próximo.

Uma das parcerias mais aguardadas, o singleBatcu“, com Valesca Popozuda, por exemplo, ganhará um clipe em breve.

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Leia a entrevista:

PopNow: O recém lançado clipe de “Movimento” tem um clima gypsy e objetos da cultura cigana. Como surgiu essa ideia?

Aretuza: Eu sempre tive vontade de fazer algo nesse universo. Eu tenho uma crença muito grande no povo cigano, sou devota de Santa Sara, sou devota da cigana do pandeiro. Eu sou umbandista e a minha guia espiritual é uma cigana. O universo cigano é muito rico em detalhes e cultura e eu quis colocar tudo isso em um clipe. Então eu conversei com meu diretor, que é o Felipe Sassi, junto com a Thay (Thayna Laduano) e com a Bianca (Jahara), que também fez o processo criativo. Falei “vamos estudar essa simbologia, vamos ver o que cada coisa significa”.  E daí surgiu essa ideia, uma grande forma de agradecer e homenagear o povo que eu sou devota, a Santa que eu sou devota e à minha guia espiritual.

PopNow: E como foi a ideia de parceria com a IZA?

Aretuza: Ela é uma artista que eu tenho o prazer e a satisfação de conhecer. Nossos fãs comentaram que queriam um feat nosso. A IZA viu e comentou “Opa, eu também quero!”. Eu fiquei “como assim?”.  E por coincidência o universo, Deus… Eu e a IZA temos os mesmos produtores musicais. Eu levei essa ideia pros meninos e ela também já havia levado. Um belo dia eu tô produzindo o disco no estúdio lá no Rio e a IZA aparece. Ficamos próximas e ela falou “E a nossa música?”. Quando perguntei se era sério ela falou “É muito sério!”. Ao mesmo tempo, a gente nunca se forçou, tipo “vamos escrever uma música para a IZA e a Aretuza”. Deixamos as coisas fluírem. Quando recebemos a letra de Movimento, falamos “essa musica tem muito a ver com a IZA”. Então gravamos para o Mercadinho. Para mim essa musica merecia um clipe, por toda a simbologia e por estar ao lado de uma das maiores artistas brasileiras.

PopNow: Mercadinho, aliás, conta com varias participações. Além da Iza, tem Pabllo, Glória Groove, Valesca Popozuda e Solange Almeida. Como você fez a escolha dessas parcerias?

Aretuza: São pessoas que fazem parte da minha história, pessoas que estavam lá atrás comigo. Todas. A Iza entrou mais recente mas hoje ela tem um peso muito grande na minha vida. Sol e Valesca por exemplo são pessoas que eu tenho uma amizade e que eu conheço antes de eu gravar música. Eu apresentava os shows da Valesca em boate e ela sempre me tratou com muito carinho. A Sol também, começou a me seguir nas redes sociais antes de eu a seguir e ela mandava mensagem, comentava nas coisas e assim fomos nos aproximando. Com as duas conversei sobre gravar música. Mas Deus faz tudo na hora certa, e coincidiu de eu gravar com elas agora. A Pabllo e a Glória são irmãs. Irmãs do meu peito, de luta, de militância, de arte. Amigas íntimas. A gente começou juntas, por mais que eu seja um pouco mais velha que as meninas em tempo de idade e de estrada. A gente se encontrou nas gravações de Amor & Sexo e lá já sonhávamos juntas. Eu sou grata por estas pessoas. No novo CD eu queria pessoas da minha verdade. Falei “vem aqui que eu sei que vocês acreditam em mim e eu acredito em vocês”.

PopNow: Aproveitando o assunto, quem seria seu feat, sua parceria dos sonhos?

Aretuza: Ai, meu Deus… Ivete! Sonho de criança. Além dela, Jhonny Hooker, Jão, As Bahias, Liniker, que sou muito fã. É tanta gente! Queria até com Calcinha Preta, Mastruz com Leite, Magníficos, que são pessoas que embalaram uma cultura que eu amo e ouço. Entre muitos, eu tenho vontade de fazer parceria com aquilo que ouço e me identifico.

PopNow: Quais são suas referências na música e no cenário Drag Queen?

Aretuza: Eu tenho muitas referências. Me inspiro de forma geral na mulher brasileira. Ela tem que ser santificada 24 horas. É o exemplo de mulher batalhadora, que luta e conquista seus direitos. Me inspiro na mulher e na cultura brasileira, que são temas tão ricos. Aqui dentro do Brasil eu tenho inspirações que vão do pop ao xaxado. Elba Ramalho, Zé Ramalho, Clara Nunes, Oswaldo Montenegro, Anitta, Ludmilla, Solange, Liniker, Cheiro de Amor, os axés e funks das antigas… Gosto dessa mistura. Para drags, eu gostava muito de ir a boates assistir shows. Se tornaram minhas grandes referências Alexa Twister, Silvete Montilla, Michele Summer, Rafaela Faria, entre outras. Hoje eu tenho Pablo, Glória, Lia (Clark), a Pepita que não é Drag mas está com a gente. Então é um grande mix que eu tenho um carinho e uma gratidão enormes.

PopNow: Como é pra você hoje ser uma referência da atualidade para outras drags, levando em conta sua tão complicada trajetória para seguir esse caminho?

Aretuza: Eu me assusto quando as pessoas falam que sou referência. Uma coisa que eu não tenho é percepção e noção de onde meu trabalho chega. Eu comecei de forma natural e super despretensiosa e eu continuo assim. Eu fico tão imerso no meu trabalho, fazendo tudo com amor, que eu não tenho noção dos títulos que me dão, de onde meu trabalho chega. Mas eu fico muito feliz com isso, de fazer frente junto com outras meninas de um movimento tão lindo como a Drag Music que surgiu lá atrás com outras referências. Nós temos que dar o crédito a elas também, que tanto apanharam para estarmos aqui hoje. Hoje temos uma revolução, saímos do nicho de boate para alcançar o grande público, fazemos música pra todo mundo. E com essa visibilidade eu quero dar voz a outras pessoas que hoje não podem falar. Quero dar voz ao meu meio, meu vale. E assim vamos lutar juntos pelos nossos direitos.

PopNow: Você começou há anos atrás como uma artista independente. Como está sendo lançar seu primeiro álbum com uma grande gravadora?

Aretuza: Eu tô muito feliz! A Sony é uma gravadora que acredita muito na diversidade. É muito mais do que pegar um produto e falar “vem cá que eu quero te lançar”. Eles se preocupam comigo, mandam mensagem, escuto “eu te amo” de alguns funcionários… Eu estou muito satisfeita com esse feedback. Com o boom das plataformas digitais, poucas pessoas estão lançando disco físico. E eles me deram esse presente, de ser a primeira drag queen a ter um disco físico nas lojas.  Então eu só tenho a agradecer a Sony. Eles vieram pra agregar muito na minha carreira.

PopNow: Quais os planos pra esse segundo semestre?

Aretuza: Eu tô numa crescente muito linda da minha vida. Eu sei de onde eu vim e sei para onde quero ir. E o que tenho que fazer para chegar lá é manter meus pés no chão. Agora eu quero trabalhar meu disco. Eu tô apaixonado pelo meu trabalho, mergulhado na minha arte. Eu queria dormir com o Mercadinho, passear com ele na coleira (risos). Eu sou pisciana então me emociono fácil com as coisas, choro de alegria com tudo que está acontecendo. Então eu quero continuar fazendo meu trabalho com excelência, com amor e o restante é consequência. O que tá escrito por Deus ninguém vai me tirar, então as coisas vão acontecendo no momento certo.

Aretuza Lovi comemora sucesso, fala sobre parcerias e revela sonho de gravar com Ivete Sangalo
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