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Rock in Rio

Elton John transforma despedida em celebração e escreve mais um capítulo de sua história no Rock in Rio

Havia algo de definitivo no ar quando Elton John sentou diante do piano no Palco Mundo nesta segunda-feira (7). Não porque aquela fosse necessariamente a última vez que o público brasileiro o veria, mas porque a noite carregava o peso de uma despedida que demorou anos para acontecer.

Resumo da Notícia:

  • Acerto de Contas: O show serviu para compensar a ausência do Brasil na turnê de despedida Farewell Yellow Brick Road.
  • Show Histórico: Aos 79 anos, o astro tocou 24 músicas em mais de duas horas, atravessando baladas, rock e soul no Palco Mundo.
  • Surpresas: Dua Lipa apareceu nos telões em “Cold Heart” e o público brasileiro ganhou a performance especial de “Skyline Pigeon”.
  • Despedida Emocionante: O cantor encerrou a noite com uma versão honesta de “Your Song”, deixando uma dúvida no ar sobre seu retorno.

Elton John havia encerrado sua gigantesca turnê de despedida, a Farewell Yellow Brick Road, em 2023. Foram 330 apresentações ao redor do mundo. O Brasil, porém, ficou de fora.

A pandemia interrompeu os planos de trazer a turnê ao país e deixou uma lacuna para os fãs brasileiros. Quando o Rock in Rio 2026 abriu as portas para o reencontro, o convite ganhou outro significado. Era a oportunidade de finalmente realizar aquilo que havia sido adiado.

E Elton não economizou.

Aos 79 anos, o artista transformou o Palco Mundo em uma viagem por mais de cinco décadas de carreira. Foram 24 músicas em aproximadamente duas horas e quinze minutos, atravessando baladas, rock, soul e alguns dos maiores hinos de sua trajetória.

O resultado foi mais do que um show.

Foi um acerto de contas com o tempo.

O Brasil finalmente teve seu adeus

Elton John. Foto: Reprodução / Instagram (@rockinrio)

Elton John conhece bem o Rock in Rio.

Sua primeira apresentação no festival aconteceu em 2011. Quatro anos depois, ele voltou para uma segunda passagem. Em 2026, retornou para a terceira, tornando-se o headliner mais velho da história do evento.

Mas havia uma diferença fundamental desta vez.

Elton já havia dito adeus aos grandes palcos.

A Farewell Yellow Brick Road foi anunciada como sua turnê final e percorreu o mundo em uma longa celebração de sua carreira. Foram anos de estrada, milhares de quilômetros e centenas de apresentações.

O Brasil não participou daquela despedida.

Por isso, quando Elton apareceu no Rock in Rio, havia uma sensação coletiva de que aquela noite precisava compensar uma ausência.

E compensou.

Vestido com um paletó amarelo fluorescente, o cantor entrou no palco carregando aquilo que sempre foi sua principal ferramenta de comunicação: o piano.

Não precisou de grandes discursos.

As músicas fizeram o trabalho.

Um começo que já dizia tudo

“Funeral for a Friend / Love Lies Bleeding” abriu o espetáculo, estabelecendo desde os primeiros minutos a dimensão grandiosa da apresentação.

Depois vieram “Bennie and the Jets” e “I Guess That’s Why They Call It the Blues”, duas canções capazes de transportar o público imediatamente para diferentes momentos da carreira do artista.

E essa foi uma das forças do show.

Elton não precisou transformar a apresentação em uma retrospectiva explicativa. Cada música carregava sua própria memória.

“Philadelphia Freedom” trouxe a energia do rock e do soul. “The One” e “Tiny Dancer” desaceleraram o espetáculo. “Sacrifice” mergulhou o público em uma atmosfera mais íntima.

E então veio “Rocket Man”.

Quando os primeiros acordes começaram, o Palco Mundo pareceu diminuir diante da dimensão da canção.

Poucos artistas possuem um repertório em que uma música consegue representar tanto de sua própria identidade. “Rocket Man” é uma delas.

Um repertório que atravessa gerações

A força do setlist esteve justamente na capacidade de Elton de alternar momentos grandiosos e passagens delicadas.

“Honky Cat” trouxe o piano em primeiro plano. “Levon” e “Sorry Seems to Be the Hardest Word” mantiveram o clima emocional, enquanto “Someone Saved My Life Tonight” apresentou outro capítulo da parceria artística que marcou sua carreira.

Desde 1967, Elton John e Bernie Taupin constroem juntos uma das parcerias mais importantes da música popular. Taupin escreve as letras. Elton transforma aquelas palavras em melodias.

O método ajudou a criar algumas das canções mais reconhecíveis dos últimos 50 anos.

No Rock in Rio, elas deixaram de ser apenas gravações conhecidas e ganharam novamente a dimensão de música ao vivo.

“Candle in the Wind” e a memória de Marilyn Monroe

Um dos momentos mais delicados aconteceu antes de “Candle in the Wind”.

Elton lembrou que 2026 marca o centenário do nascimento de Marilyn Monroe e apresentou a canção como uma homenagem à atriz.

A música, originalmente escrita sobre Marilyn, ganhou outra dimensão anos depois quando Elton a reescreveu para homenagear a princesa Diana.

No palco do Rock in Rio, a canção voltou a funcionar como aquilo que talvez seja uma das maiores especialidades de Elton: transformar uma história específica em uma emoção universal.

Quando o piano virou uma banda inteira

Se as baladas mostraram a capacidade de Elton de criar intimidade mesmo diante de uma multidão, os momentos mais acelerados provaram que a idade não apagou sua vocação para o rock.

“Crocodile Rock”, “Saturday Night’s Alright for Fighting” e “I’m Still Standing” formaram uma sequência explosiva.

E “I’m Still Standing” ganhou, inevitavelmente, outro significado.

A música fala sobre sobrevivência, resistência e permanência.

Diante de um artista que passou décadas na estrada, enfrentou problemas de saúde e decidiu reduzir drasticamente o ritmo de apresentações, ouvi-la ao vivo em 2026 parecia quase uma declaração.

Elton ainda está de pé.

E o público estava ali para testemunhar isso.

A surpresa brasileira de “Skyline Pigeon”

Um dos momentos mais especiais para o público brasileiro aconteceu quando Elton apresentou “Skyline Pigeon”.

A música possui uma relação particular com o país. Em 1973, tornou-se conhecida por aqui ao fazer parte da trilha sonora da novela “Carinhoso”.

Antes de tocá-la, Elton contou que aquela havia sido uma das músicas que escreveu mais rapidamente com Bernie Taupin e brincou que ela é especialmente popular no Brasil.

O comentário provocou uma reação imediata da plateia.

Era um daqueles momentos em que o artista percebe que uma música pode ter uma vida completamente diferente longe de seu país de origem.

“Cold Heart” leva Dua Lipa ao palco

Elton também olhou para o presente.

Durante “Cold Heart”, colaboração lançada com Dua Lipa, a cantora apareceu nos telões do Palco Mundo.

A faixa representa uma das muitas reinvenções do artista ao longo de sua carreira. Mesmo depois de décadas de sucesso, Elton conseguiu voltar ao topo das paradas ao lado de uma nova geração da música pop.

No Rock in Rio, a música serviu como lembrete de que sua história não pertence apenas ao passado.

Elton John continua atravessando gerações.

A última música

Antes de cantar “Your Song”, Elton fez uma das declarações mais honestas da noite.

A voz, naturalmente marcada pelo tempo, já não é a mesma de décadas atrás. E ele sabe disso.

Mas cantou.

“Your Song” encerrou a apresentação como uma despedida sem necessidade de grandes efeitos.

Depois de mais de duas horas de música, o que restava era Elton John diante de seu piano e uma multidão diante dele.

A escolha não poderia ser mais simbólica.

“Your Song” foi uma das músicas que ajudaram a apresentar Elton John ao mundo. Décadas depois, ela continua sendo uma de suas maiores assinaturas.

E, naquele momento, deixou de ser apenas uma canção.

Virou agradecimento.

Elton John não precisou dizer adeus

O Rock in Rio 2026 poderia ter sido tratado apenas como mais uma apresentação na carreira de Elton John.

Não foi.

Foi o show que finalmente permitiu ao artista se despedir do Brasil depois de uma turnê de despedida que nunca chegou até aqui.

Foi o reencontro de um público que esperou anos.

Foi uma noite em que músicas escritas há 30, 40 ou 50 anos continuaram funcionando diante de uma nova geração.

E talvez esteja justamente aí a grandeza do espetáculo.

Elton John não precisou anunciar um fim.

Não precisou transformar cada palavra em um último momento.

Ele simplesmente tocou.

E quando os últimos acordes de “Your Song” desapareceram do Palco Mundo, ficou uma sensação difícil de explicar: a de que o público havia acabado de assistir não somente a um show, mas a um pedaço da história da música sendo executado diante de seus olhos.

Depois de tantos anos, tantas músicas e tantas despedidas, Elton John encontrou no Brasil aquilo que a pandemia havia impedido de acontecer.

Um último grande encontro.

E, como toda boa despedida, deixou uma dúvida no ar.

Talvez tenha sido a última vez.

Talvez ainda não.

Por enquanto, o que existe é a memória de uma noite em que Elton John sentou ao piano, olhou para uma multidão e deixou suas músicas falarem por ele.

Setlist de Elton John no Rock in Rio 2026

  1. Funeral for a Friend / Love Lies Bleeding
  2. Bennie and the Jets
  3. I Guess That’s Why They Call It the Blues
  4. Philadelphia Freedom
  5. The One
  6. Tiny Dancer
  7. Sacrifice
  8. Honky Cat
  9. Rocket Man
  10. Levon
  11. Sorry Seems to Be the Hardest Word
  12. Someone Saved My Life Tonight
  13. Have Mercy on the Criminal
  14. Candle in the Wind
  15. Goodbye Yellow Brick Road
  16. Bad Songs
  17. Don’t Let the Sun Go Down on Me
  18. Crocodile Rock
  19. Saturday Night’s Alright for Fighting
  20. I’m Still Standing
  21. Cold Heart
  22. Skyline Pigeon
  23. Your Song
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Written By

Daniel Outlander é Diretor de Jornalismo do PopNow, speaker e estrategista de comunicação. Com mais de uma década de atuação, fundamenta sua prática em uma sólida formação: detém MBA em Marketing, Branding e Growth (PUC-RS) e é mestrando pela Escola de Negócios Europeus de Barcelona (ENEB). Sua carreira transita entre a gestão de crises e grandes coberturas. Foi assessor de imprensa de megashows como os de Lady Gaga e Madonna no RJ e cobriu os principais festivais do país. Como palestrante, subiu ao palco do Rio Innovation Week e teve seu trabalho reconhecido em duas edições do Digital Awards. Hoje, lidera a redação do PopNow com foco em inovação e crescimento.

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