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PopEntrevista: Rafael Lima, da banda Memora, fala sobre Rock in Rio e cenário da música independente

O cenário da música de bandas independentes vêm crescendo cada dia mais no Brasil. A banda carioca Memora faz parte desse cenário. Fundada em 2012, através de uma iniciativa solo de Rafael Lima, atual vocalista e guitarrista da Memora. Atualmente a banda conta com Rod Xavier nos vocais e na guitarra, William Mardônio Jr. na guitarra e Lucas Soares no baixo. O nome Memora vêm do latim “Memorabília”, que significa “Coisas que devem ser lembradas”.

E a banda tem muito potencial para ser lembrado. Mesclando diversas vertentes da música, do rock, ao pop e do blues jazz e funk rock, a banda se define como “multifacetada”, com diversas referências de bandas de diferentes estilos.

Nesses cinco anos de formação, a banda já conta com um EP intitulado “Memora” e já possui dois singles lançados. O single “Ela” alcançou mais de 50 mil visualizações de seu clipe no Facebook e na Youtube, passou das 17 mil visualizações. Atualmente, a banda está produzindo o primeiro álbum de estúdio, no lendário estúdio do Toca do Lobo no Rio de Janeiro.

Confira o clipe de “Ela”:

Diante desse crescimento, a banda viu a oportunidade de mostrar seu trabalho em um evento grande, o Rock In Rio. Através de um Festival de Música Universitária, organizado pela Prefeitura do Rio, a  banda foi a ganhadora e selecionada diante de mais de 257 bandas inscritas a se apresentar no palco Rock District do Rock In Rio 2017, no dia 22 de setembro, as 16 horas da tarde.

A equipe do PopNow bateu um bate papo descontraído com o vocalista Rafa Lima, que concedeu uma entrevista exclusiva, onde conversamos sobre a expectativa de tocar no palco de um dos maiores festivais de rock do mundo e falou sobre os próximos passos da banda e o cenário da música independente no Brasil.

Confira aqui:

PopNow: Vocês começaram em 2012, uma banda relativamente nova por aí no cenário do rock no Brasil atualmente, mas vocês já produziram um EP, já produziram dois singles, que teve uma grande aceitação na cena do rock independente no Brasil. E para vocês, para a banda no geral, quais as principais influências que vocês têm hoje?

Rafael Lima: Porque na verdade assim, nós quatro somos egressos de produção musical e tal, então todo mundo ouve muita coisa né? No início; porque a banda agora está na segunda formação, a gente tinha o outro baixista que era o Felipe Nino, então cada um ouvia muito de tudo. O Rod é um cara que conhece muita coisa de banda independente, tem muito essa coisa do caminho do rock independente. O Filipe era um cara que ouvia mais as novidades internacionais, metal, era o cara que sempre trazia para gente bandas “desconhecidas”. Na verdade, bandas que já são muito famosas em nichos como a Europa, Estados Unidos, bandas menores, mas ele era o cara que trazia as novidades. Eu já sou um cara mais antenado no que rola na música como um todo. Então assim, cada um de nós vêm de uma escola, a gente ouve muita coisa. Mas para a Memora, a gente sempre acaba citando Red Hot Chilli Peppers, Muse, Living Colour, Paralamas do Sucesso, Real Blood, Oasis, Lenine; enfim, uma mistura doida.

PopNow: Vocês tem um estilo meio blues também né?

Rafael Lima: A gente não tem um estilo definido, a gente define que a gente é uma banda de pop rock funk alternativo. A gente faz tudo isso.  A gente na verdade não tem muito rótulo, porque desde o início, a nossa ideia foi sempre fazer o que a gente tinha vontade. É óbvio que o rock por ser um estilo que era uma intercessão entre todos, ele acaba que virando a espinha dorsal, mas ele é só uma espinha dorsal. Do rock, a gente parte para outros lugares, que a gente nunca define, porque a gente gosta de ouvir muita coisa independente.

PopNow: Vocês estão produzindo um álbum atualmente. Qual que está sendo o processo de produção do álbum e o que que o público pode esperar desse novo trabalho de vocês?

Rafael Lima: Bom, a gente está produzindo o álbum na Toca do Bandido, um lendário estúdio do Tom Capone aqui no Rio. Tem algumas novidades que eu ainda não posso falar, mas provavelmente a gente vai ter uma outra agregação de peso para essa produção também. Mas por ora, está em off, não posso falar ainda. E o disco assim, ele foi muito pensado em defender o estilo AOR, que é o adult oriented rock, uma coisa mais do funk, groove, blues, misturado com o rock né? Mas vai se transformando, porque como a gente está fazendo um disco num processo, a gente começou, gravou o baixo e bateria, agora a gente vai gravar as guitarras, então teve um hiato nesse processo. Então acho que as coisas podem tomar ainda um rumo, um outro corpo, então tem coisa de blues, tem coisa de rock, tem coisa de pop, tem coisa de AOR, que é o adult oriented rock, enfim… tem tudo ali meio misturado. Não é uma veia mais definitiva para o blues ou mais tendenciado para o blues entendeu? Tem, está ali também. É algo que a gente nunca colocou em nenhuma música já lançada previamente. Então, talvez, a novidade seria ter alo também agora flertando com o blues.

PopNow: Representa bem essa multiculturalidade que vocês têm dentro do som de vocês.

Rafael Lima: Sim, com certeza, se tem uma palavra que define a Memora é uma banda multifacetada mesmo.

PopNow: Bom, como surgiu a oportunidade de vocês participarem do Festival FMU e como caiu a ficha que vocês iam tocar no Rock In Rio?

Rafael Lima: Passaram para a gente que ia ter o Festival, que abria as inscrições e no próprio dia que abria as inscrições eu mesmo fiz a inscrição, que era só mandar um vídeo por e-mail, com uma performance da banda e tal. A gente que está na cena independente é tudo muito no do it yourself, você se inscreve para vários festivais, várias coisas, e eu mandei e tinha esquecido completamente que a gente tinha se inscrito para esse Festival. E aí, quando saiu o resultado, um amigo nosso, o Milton, da banda Adrena, que também foi classificada para o festival, para a semifinal, ele marcou a gente, que a gente tinha sido classificado para a parada. Fomos para a semifinal, a semifinal foi no dia 30 de julho, foi na Cidade das Artes aqui no Rio, no Teatro da Cidade das Artes. E eram 10 bandas, 10 semifinalistas, e aí a gente teve a felicidade de passar para a final. Na final foram só 3 bandas, e por conseguinte, na final a felicidade de ganhar.

PopNow: Foi todo um processo né?

Rafael Lima: A gente não esperava de forma alguma ganhar, isso nem passava pela nossa cabeça. E a ficha ainda não caiu na verdade, é tanta coisa para resolver, tanta correria, tanta parada que a gente ainda está em um processo assim de ficar revendo os vídeos da final, da semifinal, para ver que “Pô, a gente passou e a gente ganhou no Festival”. Eu acho que só vai cair quando a gente pisar na Cidade do Rock mesmo, e entender que a gente está ali dentro para tocar, que nem é para ver show. Também vai ser né, acaba que também vai ser, a gente vai ver os outros shows e tudo mais. Mas, entender que a gente também faz parte daquele evento, também faz parte do show, acho que ali que a ficha de repente deve cair.

PopNow: E o que o seu público pode esperar desse show amanhã?

Rafael Lima: Ah, cara, amanhã a única coisa que a gente pode prometer é que a gente vai botar o Rock In Rio pra baixo assim, a gente está muito feliz assim, muito feliz com essa oportunidade, muito feliz com tudo, com o carinho que a gente têm recebido de tanta gente, que a gente têm vivenciado assim, momentos históricos. Uma galera muito da pesada que também recebeu e abraçou a gente muito sabe, com muito carinho. Carinho da cena independente, carinho dessa galera que já está na estrada a tanto tempo e vê o nosso trabalho com tanto respeito. Então o que a gente está empenhado e promete fazer é tentar honrar todo esse carinho e toda essa receptividade que a gente têm tido do nosso trabalho e fincar o nome da Memora de vez aí na história do Rock In Rio.

PopNow: E como que vocês enxergam o cenário do rock atualmente no Rio de Janeiro e o cenário da música independente dentro do contexto que vocês estão inseridos?

Rafael Lima: Acho que o cenário da música independente ele está cada vez mais maior, eu acho que a democratização do fazer da música, essa coisa dos home studios, da galera poder ter mais acesso a equipamentos legais, e até ter acesso a referências legais né. Hoje, a gente têm acesso a referências de forma imediata, é só você acessar no Youtube, você usar o Facebook, Instagram, você já consegue ver em tempo real o que as bandas lá fora estão fazendo, o que as bandas aqui dentro estão fazendo. Antigamente, ainda tinha muita discrepância na qualidade da música feita lá fora com a música feita no Brasil. Hoje não, hoje é muito isso que eu falei né, a democratização do processo todo, tanto de acesso dos músicos quanto do acesso à música , o acesso aos equipamentos. Então assim, o panorama hoje eleva muito a qualidade de bandas que estão surgindo agora. Agente tocou com a Scalene, quer dizer, a gente nunca tocou com o Scalene de fato, mas tocamos nos mesmo lugares onde o Scalene tocou. O Scalene está tocando hoje exatamente no Palco Mundo sabe? Então assim, a dois anos o Scalene estava tocando no Teatro Odisseia, onde a Memora já tocou diversas vezes sabe? Você vê que os acessos, eles na estão tão longe sabe, eles estão bem ali próximos. Acho que a grande mudança efetiva da música é isso, acho que os acessos e a democratização na feitura da coisa torna tudo muito mais possível e aí as bandas podem ter uma referência legal, de qualidade, uma referência bacana. Isso traz para o trabalho dessas bandas o desejo também de imprimir qualidade, imprimir diferenciais ali para poder entrar no mercado.

PopNow: E no Rio de Janeiro, como está esse cenário?

Rafael Lima: Cara, aqui hoje das bandas independentes são mais de quatrocentas bandas, é evento rolando quase que semanalmente, tem muita gente da rua, muita gente boa na rua fazendo música, fazendo evento, aqui está ebulindo muito. Eu achei que essa oportunidade também que o Festival da Música Universitária que a Prefeitura abriu foi um holofote incrível, pra gente assim que têm bandas, por exemplo, a gente ganhou um festival de bandas que foram 257 bandas inscritas. É muito louco você participar de um festival com tanta gente boa, com 257 bandas e assim, o que não representa a totalidade do que tem aqui tá? Então, tem muira gente fazendo e cada vez mais influenciado por uma galera que vem fazendo antes né, bandas novas vêm surgindo, vêm acreditando, vêm botando o trabalho na rua e vêm entendendo que é só trabalhar que é possível entendeu?

PopNow: Para finalizar, o que o rock representa para a banda e o que representa estar no maior festival de rock do mundo?

Rafael Lima: Eu vou parafrasear o Mauro Berman, que foi um dos nossos jurados no festival que a gente ganhou para ir para o Rock in Rio, o FMU. Mauro inclusive é o diretor musical da banda do Marcelo D2. E o Mauro falava muito isso no festival assim “Só o Rock Salva”. É, eu acho que é muito isso assim, acho que o rock para a gente, ele deu todo um significado para a nossa vida né, para os integrantes da Memora, e levou o nosso trabalho, levou a nossa arte, levou tudo aquilo que a gente queria trazer, tudo aquilo que a gente queria colocar em forma de arte para o mundo, amplificou de uma forma absurda. E cara, tocar no Rock In Rio é uma coisa que eu honestamente só vou saber te dizer acho que quando acabar o show, eu ainda não tenho a dimensão, eu não sei te dizer, eu não tenho nem uma referência pra dizer. Eu não sei realmente te dizer a magnitude dessa coisa toda. A gente acredita que vai ser uma experiência única, com certeza.

E a equipe do PopNow vai acompanhar o show dessa banda que têm tudo para crescer cada dia mais no cenário de bandas independentes no Brasil. E a nossa equipe deseja toda a sorte do mundo para essa galera que vêm dando o nome no Brasil!

PopEntrevista: Rafael Lima, da banda Memora, fala sobre Rock in Rio e cenário da música independente
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