Ozzy Osbourne. Foto: Reprodução/Instagram/Ross Halfin (@OzzyOsbourne)
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Ozzy Osbourne une nostalgia e tecnologia em sua ‘Igreja do Rock’

Foto: Reprodução/Instagram/Ross Halfin (@OzzyOsbourne)

Ozzy Osbourne. Foto: Divulgação/T4F

Ozzy Osbourne. Foto: Divulgação/T4F

Um dos maiores nomes do Rock mundial, Ozzy Osbourne se apresentou para os cariocas em seu último show no Brasil. Se despedindo dos palcos em o que chama de “última turnê”, a “No More Tours 2“, o “Príncipe das Trevas” está rodando o mundo com um grande show, que encerrará sua carreira. Com 69 anos e 5 décadas de memoráveis trabalhos, o britânico decidiu se despedir definitivamente dos palcos. Esta é a segunda vez que Ozzy anuncia sua aposentadoria.

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Com sua tradicional maquiagem marcando os olhos e uma vasta experiência de palco, o veterano liderou o que mais pareceu uma Igreja onde o único cultuado era o bom e velho Rock ‘n Roll. Durante 1h30, o “Príncipe das Trevas” se transformou num típico “Vovô do Rock“, mostrando interação com seus súditos.

O Show

Diferentemente do que estamos acostumados, Ozzy Osbourne colocou sua pontualidade britânica para funcionar. Nascido na cidade de Aston, no Reino Unido, o cantor, subiu ao palco da Jeunesse Arena, casa localizada na Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio de Janeiro, pontualmente às 20h30. Com um grande palco estilizado, que contava com, dentre outros elementos, uma grande cruz em LED à frente de seu telão central, o jovem senhor do Rock fez os mais de 10 mil fãs tremerem. Com muita bateção de cabeça, o show levou o público a desejar a permanência de Ozzy nos palcos, com um espírito saudosista.

No horário previsto, o grande telão exibiu o óbvio: imagens dos últimos 50 anos, mostrando Ozzy em diversas etapas de sua carreira, desde a criação do fenômeno Black Sabbath, em 1969.

 

E lá foi! Basicamente com a mesma setlist que apresentou em outros shows no Brasil, como o da última sexta-feira, 18, em Belo Horizonte, Ozzy percorreu grandes sucessos de sua carreira solo e de banda que o consagrou, contando uma história no palco. E o sucesso de 1983 “Bark of The Moon” foi o primeiro dos 15 que o astro fez questão de entoar. Abrindo com seus sucessos após sua saída da lendária banda, seguiu a apresentação com “Mr. Crowley” e “I Don’t Know“, sucessos do álbum “Blizzard of Ozz“, de 1980.

Mas foi exatamente em “Fairies Wear Boots” que o primeiro dos grandes momentos se formou. Como um padre, Ozzy postulou seu momento, cativando o público presente. Com as mãos para o alto e atiçando o público, o cantor parecia estar disposto a interagir com os fãs. Logo a apresentação foi seguindo com a faixa “Suicide Solution“.

Em “No More Tears“, Ozzy fez seu primeiro grande contato da noite. Em meio a gritos de “Yeah, yeah”, o europeu proferiu diretamente, em inglês, as primeiras palavras das poucas que soltou em toda a performance

“Como vocês estão se sentindo hoje à noite?” – Ozzy Osbourne.

Logo a performance surgiu com “War Pigs“, segunda das três lendárias faixas do Black Sabbath incluídas na setlist.

Em toda a apresentação, de uma forma jeitosa e respeitável, Ozzy se portou com uma verdadeira lenda do Rock que precisa ser exaltada à altura, colocada em uma redoma de vidro ou em um grande trono. Mas não! Foi o lendário astro quem fez se mostrar digno de tamanha celebração.

Não é qualquer pessoa que, aos 69 anos, consegue correr de um lado para o outro no palco, cantando, sem ao menos deixar a voz falhar. Com quase 5 décadas de carreira, Ozzy prova o “quê” que o fez passar de geração em geração sendo ouvido, lembrado e exaltado.

Arauto da celebração

Não foi apenas Ozzy Osbourne que brilhou durante sua apresentação no Rio de Janeiro. Guitarrista da turnê de despedida, Zakk Wylde teve seus momentos de glória. E que momentos! Logo após a apresentação de “War Pig”, foi a vez do artista mostrar seu legado em um solo mais que incrível das músicas “Miracle Man“, “Crazy Babies“, “Desire” e “Perry Mason“.

E foi neste momento que Zakk desceu do palco e, no espaço entre o público e o stage, fez ser desejado. Acompanhado da atual banda de Ozzy, percorreu em notas toda a sua vasta carreira elevando o som de sua guitarra estilo rabo de peixe branca com listras pretas. Em cima de plataformas estrategicamente posicionadas, o norte-americano, atual líder da banda de Heavy Metal Black Label Society, mostrou toda sua amplitude em um solo de cair o queixo.

Bis

Já viu um príncipe não querer sair do palco? Pois bem, foi isso que Ozzy Osbourne fez. Logo após a apresentação dos clássicos “Drum Solo“, “Shot in the Dark“, “I Don’t Want to Change the World” e a sensacional “Crazy Train“, que levou alguns dos fãs às lágrimas e histeria.

“Eu só tenho uma coisa para dizer: vocês são malucos para caralho!” – Ozzy Osbourne.

E foi quando, em um gesto espontâneo, simplesmente se ajoelhou saudando seu público.

Mas Ozzy queria mais. Você já viu um cantor fazer, ele mesmo, o pedido de “Bis”? Pois o artista fez. Incitando a galera, o britânico correu às extremidades laterais do palco gritando, em inglês, “Vamos!”, e puxando para a cima com as mãos. A reposta, obviamente, não podia ser outra: mais Rock!

Foi quando o britânico surgiu com a genial “Mama, I’m Coming Home“, de 1991, que foi ouvida em uníssono. E se já podíamos considerar o som sensacional, um show de lasers levou um céu estrelado ao teto da Jeunesse Arena, num espetáculo realmente lindo de se ver.

Despedida

Após entoar o sucesso “Paranoid“, do Black Sabbath, última música da apresentação, Ozzy Osbourne deixa o Rio após se apresentar em São Paulo, Curitiba e Belo Horizonte. De fato, o “Príncipe das Trevas” deixou sua marca ao finalizar esta etapa da turnê no Brasil.

A última “No More Tours 2” ainda passará Europa, Oriente Médio, e Estados Unidos, onde deve se encerrar no dia 13 de outubro no MGM Grand Garden Arena, em Las Vegas, Nevada.

Durante toda sua carreira, Ozzy Osbourne vendeu mais de 90 milhões de discos em todo o planeta, e foi indicado três vezes ao Grammy de “Best Hard Rock Performance“, vencendo em 1994 com a faixa romântica “I Don’t Want to Change the World“.

*Ozzy Osbourne não permitiu fotógrafos em seu show na Jeunesse Arena. As fotos e vídeos foram feitos por celular; a imagem de capa da matéria foi extraída do Instagram de Ozzy (@ozzyosbourne), e feita pelo fotógrafo Ross Halfin (@RossHalfin) no show do britânico na Cidade do México. 

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