MC Rebecca. Foto: Reprodução/Instagram (@soueurebecca)
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Do Baile da Gaiola à Favorita: Um papo sobre funk com MCs Rebecca e TH

Foto: Reprodução/Instagram (@soueurebecca)

O funk desceu o morro, ultrapassou barreiras e conquistou o público, com suas várias vertentes. Grandes nomes como Ludmilla, Anitta e Lexa tiveram seu início no gênero, provando como um artista consegue se redescobrir mesclando diferentes vertentes musicais.

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Um ritmo genuinamente brasileiro, o funk revela diariamente grandes artistas, que mostram tudo o que são capazes com faixas surpreendentes e de repleto luxo.

Dois dos novos expoentes do funk carioca, os MCs TH e Rebecca, são exemplos disso. Com sua voz e gingado, consolidam suas carreiras com produções invejáveis e parcerias com outros grandes artistas.

Batemos um papo descontraído com a dupla. Confira:

PopNow: Você acaba de lançar “Só Depende de Você”. Como foi fazer esse trabalho e qual era a expectativa??

MC TH: Ansiedade a mil né. Porque é mais um filho gerado, cada música que a gente a gente chama de um filho, e os projetos já estavam guardados há 8 meses, e foi todo um planejamento, um carinho especial. Um colab legal, eu, WC, Cabelinho, aí juntaram todas as equipes empenhadas nesse lançamento. Chamamos muitas pessoas de peso pra tá lá junto com a gente. E a expectativa é sempre a melhor possível. Perto do final do ano, perto do verão, todo mundo tá querendo botar os trabalhos pra pista, pra chegar no verão com a música bem tocada, lá no alto. E esse aí é o pique.

PopNow: E você é um artista que já fez várias parcerias bem legais. A gente já acompanhou “Desce um Gin” com a Valesca, também. Quando você está produzindo uma música, você já pensa em quem vai chamar para fazer o trabalho?

MC TH: Então, “Desce o Gin” com a Valesca foi um convite dela, eu fiquei muito surpreso de ser convidado, eu não esperava mesmo. Eu tenho os antigos, quem já está há muito tempo, como um espelho. Você ser chamado pra participar de um som, de um projeto, é muito legal e aumentou minha admiração por ela. Léo Santana, Dennis, pessoal todo que a gente já gravou… Felipe Ret, Cacife Clandestino… Então, a nossa abertura, o funk, hoje, quebrou uma barreira de outros sons querer gravar com a gente, outros movimentos querem gravar com a gente a gente não pode fechar a porta. A gente tem que aproveitar isso pra elevar a música brasileira e isso tá ficando muito legal graças a Deus.

PopNow: O que é muito legal né, porque antes o funk era marginalizado, visto como um movimento periférico, e hoje o funk está nos principais lugares. Tá na novela, e se misturando.

MC TH: Todas as classes, todos os ritmos, é brega funk, é sertanejo com funk, é o pagofunk é tudo… Trap funk, então, o colab, a junção do funk com outros ritmos tá dando muito bom e graças a Deus tá ajudando a quebrar esse preconceito que tem com a nossa bandeira.

PopNow: E você também é um cara muito envolvido nas redes sociais. Você tá sempre lá falando com o pessoal… Você acha que o pessoal vai lá pra tietar ou pra acompanhar a música?

MC TH: Então, eu acho que tem muita gente surpresa com a movimentação da nossa música, e o WC tem uma força, o Cabelinho tem outra, eu tenho outra totalmente diferente. Então, são forças totalmente diferentes. Desde à favela, à pista, a um público de rap, a um público de funk, as pessoas estão curiosas pelo o que estar por vir. E pode saber que a curiosidade, a expectativa vai ser correspondida o melhor possível.

PopNow: Hoje no funk é legal porque por exemplo, tem o Baile da Gaiola, que é o maior do Brasil, e tem o Baile da Favorita, que é um evento completamente diferente, com um público diferente e que também atrai o público do funk.

MC TH: Com certeza, tem baile pra todas as classes, tem música para todas as classes. E o funk está fazendo muito bem em gerar conteúdo. Hoje o jovem, o mais antigo, todo mundo quer conteúdo, internet.

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BAILE DA GAIOLA RJ ❤️

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PopNow: E a gente tá no Youtube, a gente vê o funk fazendo grandes produções, não a toa o Kondzilla é o maior canal brasileiro [de funk].

MC TH: E um dos top 5 no mundo, e isso é muito legal. A gente ve que estamos contribuindo para tudo isso… Olha o Kondzilla onde tá, a nossa bandeira [do funk] tá crescendo junto com ele, devemos muito a ele por essa porta aberta porque… e se não fosse essa mente pensante?

PopNow: Uma intercessão né? Ele com a causa e vocês com o conteúdo

MC TH: Sim, muito legal, estou muito feliz onde nossa classe [funk] tá chegando.

PopNow: Rebecca, você e o TH já gravaram juntos. Como foi essa parceria?

MC Rebecca: Na verdade, eu gravei com ele lá no Chile, quando eu voltei para o Brasil eu gravei uma música. Aí incluíram ele na música. Aí eu falei “Aí, você tá na minha música!” Aí a música fez sucesso e a gente fez o clipe.

PopNow: A gente sabe que alguns artistas do funk vem de um vertente diferente, fazendo um funk mais melody, como vocês definem a batida que vai colocar na música?[ explicação sobre a visão do funk pela sociedade]  O funk já foi marginalizado mas está tanto na Gaiola quanto na Favorita, que são públicos diferentes. Acredito que para vocês artistas deve ser muito emocionante estar na favela, no berço do funk, mas também nos principais eventos do país fazendo a música de vocês…

MC TH: A responsabilidade é grande também, sustentar o que eles fizeram lá atrás [Valesca, Catra, Tati] e não deixar a desejar. É uma responsabilidade danada. Uma cobrança muito alta. Porque eles acompanham também, eles fazem os shows deles mas eles acompanham quem tá vindo, a nova geração. E eles querem também a mesma entrega que eles deram lá atrás, tem casos nas mãos deles do funk.

PopNow: Eles servem de inspiração para vocês?

MC TH: Com certeza, um dos pilares principais do funk, todos que estão chegando olham pros que já estavam.

PopNow: E são artistas que já fizeram músicas em outros estilos né? O Catra começou no rock, a Tati gravou samba… Vocês têm vontade de fazer música em outros estilos?

MC Rebecca: Eu tenho, mas particularmente eu gosto mais de putaria.

PopNow: Mas dá pra colocar putaria em todos os lugares! Tem putaria no rock, tem putaria no funk.

MC Rebecca: Sim mas, a gente tem que adaptar pra versão light, fica bem legal se a gente atinge todos os públicos, é bem interessante.

 

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