Janelle Monáe. Foto: Reprodução/Instagram
Opinião

‘Dirty Computer’: O pop a la ‘Black Mirror’ de Janelle Monáe

Foto: Reprodução/Instagram

Me lembro como se fosse hoje: era quinta-feira, 29 de setembro de 2011. Eu estava no meu primeiro Rock in Rio. Foi um dia extra anunciado após as datas oficiais, e traçava o início de uma nova era, onde se teria sete dias de evento. Até aí tudo bem. Tirando a ansiedade, estava tudo na mais tranquila normalidade. Comprei meu ingresso junto com meu melhor amigo pois queríamos ver o show da Ke$ha – ainda com o “$” substituindo o “s” e em sua vibe mais Rock, quando promovia o álbum “Cannibal“.

Chegamos ao evento cedo. Quem foi ao Rock in Rio nas edições 2011, 2013 e 2015 sabe como era a configuração do Parque dos Atletas, localizado no bairro de Jacarepaguá, Zona Oeste do Rio, nos dias do evento. A expectativa era ver a Kesha.

Lá pelas 18h, eu e meu melhor amigo nos instalamos à frente do Palco Mundo, o stage principal, onde a cantora se apresentaria além de muitos outros. Sinceramente, a Kesha ficou em segundo plano, para mim.

Segunda atração daquela noite, Janelle Monáe subiu ao palco para um público que, até então, não a conhecia. Promovendo seu álbum “The Archandroid“, lembro de me sentir extasiado durante sua enérgica apresentação. Eu mal conhecia nenhuma música, mas isso não foi um problema.  Não mesmo! Com apenas 1,52m, Janelle se mostrou uma verdadeira estrela com seu som melódico e banda sensacional. Para se ter uma ideia, até pintar ela fez em cima do palco.

Eis que sete anos depois e após se dedicar a vários filmes de sucesso, aclamados pelo público e crítica, Janelle apresentou seu novo projeto, “Dirty Computer“, terceiro álbum de estúdio de sua carreira. Acompanhando o projeto, um documentário lançado exclusivamente pela MTV foi apresentado para promover o novo álbum. Até aí, nenhuma novidade já que grandes artistas, como a própria Beyoncé com o recente “Lemonade” já fizeram o mesmo.

Mas Janelle é diferente. E ousada. E eu amo essa genial perspectiva da artista. O documentário traz um visual futurístico, contando uma história muito fácil de ser lida e que poderia ser confundida ou até transformada como um episódio de “Black Mirror”, um dos maiores sucessos recentes da Netflix.

No doc., Janelle interpreta Jane, uma mulher que está prestes a ter sua mente deletada para sempre. Mostrando uma certa magia no visual. No trabalho, a norte-americana foge do óbvio apresenta novas músicas, que empregam a ousadia que o mundo Pop e do New R&B vem deixando de lado. Algo que Solange Knowles permanece realizando, que fora também produzido por sua irmã, Beyoncé.

Com 14 faixas inéditas, “Dirty Computer” conta com participação de Pharrell Williams, Zoë Kravitz e Brian Wilson.

‘Dirty Computer’: O pop a la ‘Black Mirror’ de Janelle Monáe
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