Rock

Arctic Monkeys retorna ao Rio com show conciso e potente para plateia apaixonada

Foto: Reprodução/Instagram (arcticmonkeys.uk)

De volta ao Brasil  para ser um dos headliners do Lollapalooza Brasil, o Arctic Monkeys estendeu sua visita ao Rio de Janeiro na última quarta-feira, 3, com show na Jeunesse Arena, na Barra da Tijuca. O quarteto liderado pelo vocalista Alex Turner é um dos queridinhos do público brasileiro e sempre figura entre os mais pedidos para fazer parte do lineup do festival, que ocorre todos os anos no Autódromo de Interlagos, em São Paulo.

A ansiedade do público é explicada pela ausência de cinco anos da banda desde os últimos shows por aqui, logo após do lançamento do “AM”, que foi um álbum de quebra de paradigmas para o que o grupo costumava fazer anteriormente, hits mais dançantes e voltados para jovens e pistas de dança. Em 2018, a mente criativa de Alex Turner presenteou os fãs com mais um trabalho de estúdio totalmente original, enigmático, sem preocupações com críticas e sonoridades e letras profundas e futurísticas: o “Tranquility Base Hotel & Casino”.

PUBLICIDADE

O Show:

Às 21h30, o grupo britânico de Sheffield composto por Alex Turner, Matt Helders, Jamie Cook e Nick O’Malley subiu ao palco da Jeunesse Arena para um público extremamente apaixonado de cerca de 13 mil pessoas, que já havia presenciado a bela apresentação do grupo O Terno, que abriu a noite quando a casa ainda não estava tão cheia.

Com luzes vermelhas piscando ao som da intro de “Four Out Of Five”, um dos hits do novo álbum, a banda foi recebida com gritos histéricos e olhares vidrados da plateia, composta por homens e mulheres de uma grande variedade de idades: desde adolescentes até jovens de seus 30 anos. A abertura deu espaço para os primeiros riffs de “Do I Wanna Know”, uma das faixas mais reconhecidas do Arctic Monkeys pelo peso das guitarras, a fumaça no palco e o gingado de Alex frente ao microfone, sempre com sua guitarra inseparável em seu pescoço. Os pequenos espaços que haviam na pista desapareceram, enquanto a multidão se aglomerava o mais próximo do palco possível. Nas arquibancadas, as pessoas se levantaram e permaneceram de pé durante a 1h30 de apresentação.

A capacidade da banda de se renovar nesses 17 anos de carreira explica o sucesso longevo dos ingleses que, apesar de não serem tão comunicativos em suas apresentações, passam seu recado de forma precisa. Alex Turner consegue ficar calado e, mesmo assim, ser carismático e empolgar os fãs com suas poses, falsetes e truques para estender os vocais em muitas das canções. Outro ponto interessante é como a cenografia e iluminação contribui para esse ar mais misterioso e intimista que a apresentação do grupo tem, independente do número de espectadores na plateia.

Assim como em 2014, quando a banda veio ao país com um recém-lançado trabalho, a inteligência ao montar o setlist fez toda a diferença para a apresentação ser concisa e não perder a potência e interesse em nenhum segundo. De um set de 21 músicas, 6 do “AM”, 5 do “Tranquility Base Hotel + Casino”, 3 do “Favourite Worst Nightmare”, 3 do “Humbug”, 2 do “Suck It and See”, 2 do “Whatever People Say I Am, That’s What I’m Not”, literalmente um passeio por todos os seis álbuns do grupo.

“Obrigado, bebê!” – Alex Turner.

A mescla de sons mais antigos, nostálgicos e/ou dançantes como “Brianstorm”, “Dancing Shoes”, “I Bet You Look Good on the Dancefloor”, “505” e “Crying Lightning” com hits dos dois últimos álbuns, como “Snap Out of It”, “The Ultracheese”, “Why’d You Only Call Me When You’re High?” e “R U Mine?, por exemplo, foi um acerto em cheio. No primeiro grupo de músicas, os fãs não economizaram energia; pularam mesmo e até tentaram iniciar mini rodinhas punk pela pista. No segundo grupo, os coros aos berros ou olhares fixos fitando o palco foram uma constante.

Pose de rockstar, solos intermináveis, poses, vocais inconfundíveis e piano. Teve uma exibição completa de Alex Turner na noite da quarta-feira. Em canções como “Star Treatment”, “Four Out Of Five” e “Tranquility Base Hotel and Casino”, faixa que nomeia o álbum, o músico de 33 anos seduziu a multidão e a levou para uma nova dimensão, criada em sua cabeça na pré-produção do mais recente disco.

Para encerrar com o pé na porta, assim como os ingleses abriram a apresentação, Alex convidou a todos para conhecer a história de uma menina chamada “Arabella”, um dos hits favoritos dos fãs, e fechou com a sempre pedida faixa “R U Mine”, fazendo os riffs de sua guitarra soarem pela Jeunesse Arena, deixando os fãs com vontade de mais do Arctic Monkeys.

Arctic Monkeys retorna ao Rio com show conciso e potente para plateia apaixonada
To Top